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Usa alicate, agulha e outros objetos para tirar cravos e espinhas? Pare!

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Imagem: iStock

Thaís Lyra

Colaboração para VivaBem

04/07/2022 04h00

A busca por uma pele lisinha tem levado muita gente a procurar métodos nada convencionais para remover cravos e espinhas. Além das já não recomendadas receitas caseiras e o famoso cutucar, há os que apelam para o uso de objetos cortantes como agulhas, grampos, pinças, bisturis e até alicates para remover essas erupções cutâneas.

Não faltam vídeos no YouTube e TikTok mostrando esses procedimentos. Embora pareçam inofensivos, a prática pode levar a diversos problemas, sendo infecções, manchas permanentes e buracos na pele os mais comuns.

Profissionais ouvidos por VivaBem falam dos principais perigos ao realizar tratamentos "alternativos" e ainda dão dicas para cuidar de peles acneicas, o que fazer e o que não fazer e até uma rotina diária de skincare.

Inúmeros riscos

Acne adulta, acne, espinhas, pele - iStock - iStock
Imagem: iStock

Há vários perigos envolvidos quando você usa esses materiais cortantes. O principal é se machucar e aumentar a contaminação local, piorando a quantidade de cravos, espinhas, cicatrizes e manchas.

Outro ponto: o cravo mal tirado vira uma espinha, o que acaba piorando a situação. Só de você encostar o dedo na lesão, mesmo limpo, já estimula a produção de sebo.

Objetos contaminados

Quanto mais afiado o objeto, maior o risco de machucar. O uso de materiais velhos e enferrujados e, consequentemente, não esterilizados, para drenar espinhas, pode levar a infecções graves na pele e em todo o organismo já que a lesão é uma porta de entrada para bactérias.

Há profissionais que sabem realizar essa extração de maneira a não machucar ou provocar danos, como é o caso de esteticistas e dermatologistas. Fazer em casa, pedir para amigos ou familiares: nem pensar.

Esqueça tratamentos milagrosos

Pasta de dente, creme dental, escova de dente - Getty Images - Getty Images
Imagem: Getty Images

Tem quem acredite que algumas pomadas, cremes para assaduras, pasta d'água e até creme dental ajudam a tirar cravos e espinhas, mas não é verdade. Máscaras caseiras com babosa, clara de ovo, limão e esfoliação com pó de café, mel e outros ativos também são erroneamente utilizados e podem machucar a manchar a pele.

Outro mito é o de lavar a pele muitas vezes ao dia para melhora da oleosidade: o efeito será o oposto.

Fuja da tentação de cutucar

espremer espinha, cutucar o rosto - iStock - iStock
Imagem: iStock

Todo mundo que está lendo esse texto já encarou um espelho em um elevador ou mesmo em casa, viu uma espinha e, automaticamente, levou a mão ao rosto. Não faça isso!

Ao cutucar ou espremer uma espinha você pode piorar a lesão e até desencadear uma infecção no local, que pode ser inofensiva ou até muito grave, com necessidade do uso de antibióticos e até de internação.

Além disso, ao manipular as lesões pode ocorrer a formação de cicatrizes que vão desde manchas marrons ou avermelhadas na pele, até lesões atróficas (aqueles buraquinhos na pele) de difícil tratamento.

Não pode tirar nunca?

Depende. O ideal seria sempre uma avaliação com o dermatologista antes. Pode-se realizar a extração dos cravos e das espinhas mais superficiais, no entanto, sempre em ambiente preparado e sob supervisão profissional.

Dermatologistas e esteticistas possuem equipamentos esterilizados e produtos que ajudam na hora da extração dos cravos e espinhas evitando a formação de cicatrizes posteriores.

Desobstrução dos poros

Um ponto importante é que essas entradas onde ficam os cravos diminuem, inclusive, a absorção de produtos. Então é importante fazer uma limpeza para os produtos penetrarem melhor. A espinha também pode ser drenada, mas se for de forma caseira ou com objetos cortantes, o risco de consequências perigosas é grande, como já vimos anteriormente. A extração manual funciona bem em ambos os casos, desde que conduzida por bons profissionais da área.

Cravos e espinhas são coisas diferentes

Os cravos são pequenos pontos brancos ou pretos que se caracterizam por acúmulo de restos celulares e sebo na saída do folículo piloso. O cravo, chamado na dermatologia de comedão, é o estágio número 1 de 4 da acne.

Nessa fase não tem bactéria e a inflamação é praticamente nula. Quando há uma lesão mais profunda e com maior inflamação surgem as espinhas, lesões avermelhadas, doloridas e, às vezes, com pus.

Tratamentos específicos

Para casos mais graves de acne, são necessárias medicações sistêmicas como antibióticos e isotretinoína. Existem opções que vão desde aplicação tópica de produtos, como sérum à base de ácido salicílico ou ácido dioico, luzes, o uso de led e laser.

A terapia fotodinâmica, com luz, traz resultados positivos —o sol também melhora inicialmente, mas dá efeito rebote e pode aumentar a incidência do problema.

Mais alternativas

Quando a cicatriz já existe, pode ser feito microagulhamento, lasers (para prevenção e também para o tratamento) e até mesmo procedimentos cirúrgicos. Tudo dependerá do grau do problema e só os profissionais poderão avaliar.

Assim que surgirem cravos e espinhas, procure ajuda. Quanto mais precoce o tratamento, melhores os resultados.

Rotina de cuidados

Mulher negra skincare; cuidado pele; creme no rosto; beleza natural - iStock - iStock
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Para quem está com a pele com cravo ou acne, os profissionais listam quatro passos para o skincare:

1. Lave o rosto duas vezes ao dia (de manhã e à noite) com sabonete apropriado para pele acneica.

2. Passe um hidratante com toque seco. A pele com acne também deve ser hidratada, principalmente porque usará medicações que podem causar irritação ou ressecamento.

3. Após hidratar, use protetor solar.

4. À noite, após lavar e hidratar, faça tratamentos para a acne com cremes ou géis com os ativos para controle da doença receitados pelo dermatologista.

Para sempre se lembrar...

  • Fique atento a agentes contaminantes. Se puder escolher uma maquiagem para quem tem tendência à acne, melhor.
  • Cuidado com finalizadores e óleos para os cabelos que podem atingir a beira do rosto e deixá-lo mais oleoso. Outra coisa: como temos tendência a mexer no cabelo e no rosto, a oleosidade desses produtos pode ir para a pele e piorar o quadro. O mesmo para cremes de mãos: prefira os com toque seco e evite sempre passar a mão no rosto.
  • Alimentos inflamatórios como leite desnatado, carboidratos refinados, embutidos, dentre outros, tendem a piorar o quadro, assim como estresse, falta de atividade física e privação de sono. Alguns alimentos não inflamatórios são frutas vermelhas e cítricas, azeite, peixes e vegetais verde-escuros. Cuide de sua saúde mental, do sono e capriche nos exercícios.
  • Na vida adulta, mulheres também sofrem com espinhas, principalmente no queixo e na região da mandíbula. Alterações hormonais, sobrepeso, genética, má alimentação, tabagismo, estresse e medicamentos podem estar relacionados ao aparecimento.
  • A acne é uma doença que causa diversos transtornos e está associada a casos graves de depressão. O recomendado é procurar um profissional assim que o problema surgir para um tratamento eficaz.
  • Uma dica para um comportamento preventivo é levar o filho ainda criança ao dermatologista para o médico fazer uma avaliação e explicar o que fazer quando cravos e espinhas (que costumam aparecer na adolescência) surgirem: isso evita cicatrizes permanentes.
  • Especialistas alertam: receitas e modismos que surgem pelas redes sociais são perigosos e podem trazer problemas permanentes para a pele.

Fontes: Cláudia Sandri, dermatologista com residência em clínica médica pela UFPR (Universidade Federal do Paraná) e especialização em dermatologia pela Fepar (Faculdade Evangélica do Paraná); Marianne Farache, dermatologista pela UFRN (Universidade Federal do Rio Grande do Norte) com especialização em dermatologia estética e tricologia pela USP (Universidade de São Paulo) e dermatologia pediátrica pela Unifesp (Universidade Federal de São Paulo); Valéria Campos, dermatologista, especialista em laser pela Harvard Medical School, autora dos livros "Prático do Laser e Outras fontes de Energia Eletromagnética na Dermatologia" e "Drug delivery em Dermatologia, fundamentos e aplicações práticas"; e Silvia Olegário, professora do curso de tecnologia em estética e cosmética do Centro Universitário Senac - Santo Amaro (SP).

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