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'Vou ficar paraplégico'; veja mitos e verdades sobre cirurgia de coluna

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Imagem: iStock

Bruna Alves

Do VivaBem, em São Paulo

03/01/2022 04h00

Apesar do avanço da medicina, a cirurgia de coluna ainda traz muito medo para a maioria dos pacientes que precisam passar pelo procedimento. E esse sentimento é bastante compreensível, já que a coluna, uma haste flexível formada por vértebras, é a responsável pela sustentação do corpo, movimento de braços e pernas e locomoção.

Mas você sabia que, embora exista, o risco em uma cirurgia como essa é mínimo? Sim, ao contrário do que dizem por aí, os especialistas só optam pela operação quando os benefícios superam, e muito, os riscos. Mas para entender melhor o que é mito e o que realmente é verdade em relação a essa intervenção, VivaBem conversou com especialistas que elucidaram as principais dúvidas sobre o assunto. Veja a seguir:

  • Muitos problemas na coluna necessitam de cirurgia

Mito. Na maioria dos quadros, os médicos iniciam um tratamento com uso de medicações e sessões de fisioterapia. Já nos casos em que não há melhora ou doenças mais graves como tumores, deformidades ou comprometimento neurológico, a cirurgia é indicada.

Ainda assim, boa parte dos problemas na coluna podem ser corrigidos com cirurgias endoscópicas ou procedimentos percutâneos, com anestesia local, considerados minimamente invasivos, pois nesses casos não é preciso fazer uma grande incisão ou modificar tecidos mais profundos e importantes. Por isso a recuperação é mais rápida.

  • Sempre existe o risco de paraplegia ou tetraplegia devido ao procedimento

Mito. Risco todo procedimento tem, mas, de acordo com os especialistas, as cirurgias são seguras e na maior parte delas não há necessidade de se aproximar de estruturas que possam causar paraplegia ou tetraplegia.

Os cirurgiões utilizam equipamentos qualificados que monitoram a região o tempo inteiro, avaliam em tempo real o que está sendo feito e a resposta do organismo.

  • Esse procedimento cirúrgico é sempre invasivo

Mito. Mas entenda que toda vez que o médico precisa cortar o paciente já se trata de um procedimento invasivo. O que mudou é o tamanho das incisões (cortes), que são cada vez menores, com menos sangramentos e que permitem uma recuperação mais rápida.

  • É comum que surjam dores no pós-operatório

Verdade. Porém, normalmente, as dores são leves e podem ser controladas com medicamentos e elas tendem a desaparecer. Quando isso não acontece, cabe ao médico avaliar a situação e prescrever o melhor tratamento.

Mito. A hérnia de disco raramente precisa de cirurgia. Somente em 10% dos casos, em que o tratamento convencional não tem uma boa resposta, há indicação cirúrgica.

O organismo costuma corrigir os sintomas leves e de curta duração com o uso de medicamentos associados à fisioterapia. Mas não é regra: cada caso é um caso.

  • As novas tecnologias podem tornar essas cirurgias mais promissoras

Verdade. Isso já é uma realidade. A cirurgia endoscópica de coluna, como já citada, conta com uma tecnologia de ponta, em que o médico faz microincisões, auxiliado por um endoscópio para visualização da região tratada. Nessa opção, os pacientes têm uma recuperação mais rápida e com menos dor do que nas cirurgias tradicionais.

  • Atualmente, a cirurgia endoscópica é a mais utilizada

Verdade. As cirurgias endoscópicas são indicadas em inúmeros casos, especialmente nas hérnias de disco que precisam ser operadas. No entanto, é importante lembrar que toda tecnologia deve ser usada em prol do paciente, ou seja, o procedimento escolhido deve ser o melhor para cada caso, individualmente.

  • Pode dormir de costas depois de operar a coluna

Verdade. O paciente pode dormir em qualquer posição, desde que esteja confortável. Em geral, isso não interfere no tratamento. E, muitas vezes, o paciente já volta a andar no pós-operatório, ainda no hospital.

  • O paciente sempre precisa de tratamentos posteriores a cirurgia, como fisioterapia

Depende. É muito importante que o paciente siga todas as indicações do pós-cirúrgico. Porém, nem sempre a fisioterapia é indicada. Mas, em alguns casos, ela pode ser necessária para acelerar a reabilitação e dar mais segurança ao paciente.

  • Cirurgias de coluna podem resolver problemas de dores crônicas

Verdade. Na teoria, ninguém precisa mais sofrer durante anos com dores crônicas ou agudas. As cirurgias, quando bem indicadas e executadas, podem resolver problemas que persistiram por anos e melhorar a qualidade de vida da pessoa.

  • O ortopedista cirurgião é o único médico que pode realizar essa cirurgia

Mito. Todo neurocirurgião é capacitado para essa intervenção, embora nem todos realizem o procedimento. Alguns ortopedistas se especializam em cirurgia de coluna e também fazem os procedimentos.

  • Não há como escapar das cicatrizes

Verdade. Toda cirurgia que corta a pele deixa cicatriz. Contudo, as chamadas minimamente invasivas podem deixar marcas com menos de 1 centímetro de comprimento. E ainda há opções de tratamentos estéticos posteriores.

  • Após a cirurgia, o paciente demora para voltar a praticar exercícios físicos

Mito. Em alguns casos, atividades leves podem começar a ser feitas 2 semanas após o procedimento. Ou seja, o paciente pode andar, subir escadas, trabalhar, dirigir, entre outras. Já exercícios físicos, normalmente, são liberados a partir de um mês e meio.

Há casos, porém, em que é necessário realmente passar por um longo período de recuperação e evitar exercícios e atividades muito intensas.

Fontes: Gustavo Torres, ortopedista especialista em cirurgia da coluna do Hospital das Clínicas da UFPE (Universidade Federal de Pernambuco), vinculado à Rede Ebserh; Luciano Miller, ortopedista e cirurgião de coluna do Hospital Albert Einstein (SP); e Marcelo Valadares, médico, neurocirurgião e professor da disciplina de neurocirurgia da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) e do Hospital Albert Einstein.

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