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O que faz um caso de coronavírus ser considerado uma reinfecção?

Laboratório de Vírus Respiratório e do Sarampo do Instituto Oswaldo Cruz  - Josué Damacena/IOC/Fiocruz
Laboratório de Vírus Respiratório e do Sarampo do Instituto Oswaldo Cruz Imagem: Josué Damacena/IOC/Fiocruz

Do VivaBem, em São Paulo

10/12/2020 14h49

A confirmação do primeiro caso de reinfecção por covid-19 no Brasil já causa preocupação na população e acende o alerta na comunidade científica. O evento foi registrado no Rio Grande do Norte e confirmado após análise da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz).

Entretanto, os especialistas explicam que os casos de reinfecção devem ser vistos como exceções e não como algo comum. Isso porque, em vírus respiratórios como influenza e outros coronavírus, a reinfecção é algo inesperado.

Mas afinal, o que faz um caso de coronavírus ser considerado uma reinfecção?

  • O principal requisito é a distância entre as duas datas de contágios, que seria de 90 dias ou mais. No caso registrado no Brasil, houve um intervalo de 116 dias.
  • Só é considerado caso suspeito de reinfecção a pessoa com dois resultados positivos pelo exame de RT-PCR em tempo real para o vírus SARS-CoV-2 --independentemente da condição clínica observada nos dois episódios. O caso da profissional de saúde, registrado no Brasil, está dentro do requisito porque foram dois resultados positivos para covid-19.
  • Mais um critério é que seja realizada a técnica de sequenciamento genético do coronavírus. No caso do Rio Grande do Norte, foi verificado que os vírus pertenciam a linhagens diferentes do coronavírus --ambas já haviam sido detectadas no país.

Além deste caso, há atualmente outros cinco casos em investigação. Outros três foram investigados, mas não tinham viabilidade para análise.

Os infectologistas ainda não sabem se as reinfecções são mais ou menos graves do que o primeiro contágio e se elas são mais prováveis de ocorrer depois de um período curto ou de um tempo mais longo.

Mas os médicos dizem que os sintomas relatados pelos pacientes com suspeita de reinfecção são leves. Isso significa que as medidas de isolamento social e o uso de máscaras para evitar o espalhamento do vírus continuam importantes mesmo para quem já testou positivo.

Já a ocorrência de casos reincidentes mais graves pode apontar para outras hipóteses: a exposição a uma carga viral baixa no primeiro contágio poderia gerar uma resposta imune fraca, incapaz de barrar uma nova infecção. Ou então seria a hipótese de que a exposição a uma carga viral maior na reinfecção provocaria sintomas mais severos.

Dificuldades para identificar casos de reinfecção

Os especialistas alertam para a probabilidade de que a maior parte dos casos de reinfecção jamais seja identificada, já que a maioria dos que contraem covid-19 é assintomática. Ou seja, muitos indivíduos podem se contaminar com o vírus sem saber até fazer o teste.

Para os que desenvolvem os sintomas e testam positivo pela primeira vez, não é possível assegurar que não tiveram contato com o novo coronavírus antes. Se alguém diagnosticado for curado e for reinfectado, mas não tiver sintomas, pode ser que nunca saiba a não ser que passe por outro teste, apenas por rotina.

*Com informações de reportagens publicadas em 7/11/2020 e 7/8/2020.

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