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Crianças criadas em áreas mais verdes têm QI mais alto, mostra estudo belga

Estudo mostra que crianças criadas em áreas verdes têm QI mais alto - Dean Goodman
Estudo mostra que crianças criadas em áreas verdes têm QI mais alto Imagem: Dean Goodman

De Viva Bem, em São Paulo

24/08/2020 09h32

Crianças que crescem em áreas urbanas mais verdes têm maior inteligência e menores níveis de comportamento difícil, concluiu um estudo feito na Bélgica e divulgado hoje pelo site britânico The Guardian.

A análise de mais de 600 crianças e adolescentes com idade entre 10 anos e 15 anos mostrou que um aumento de 3% na área verde de seu bairro aumentou sua pontuação de QI em uma média de 2,6 pontos. O efeito foi visto tanto em áreas mais ricas quanto nas mais pobres.

Publicado na revista Plos Medicine, o estudo usou imagens de satélite para medir o nível de verde em bairros, incluindo parques, jardins, árvores de rua e outros tipos de vegetação.

Já há evidências significativas de que os espaços verdes melhoram vários aspectos do desenvolvimento cognitivo das crianças, mas esta é a primeira pesquisa a examinar o QI. A causa é incerta, mas pode estar associada a níveis mais baixos de estresse, mais brincadeiras e contato social ou um ambiente mais silencioso.

O aumento nos pontos de QI foi particularmente significativo para as crianças na extremidade inferior do espectro, onde pequenos aumentos podem fazer uma grande diferença, disseram os pesquisadores.

"Há cada vez mais evidências de que ambientes verdes estão associados à nossa função cognitiva, como habilidades de memória e atenção", disse Tim Nawrot, professor de epidemiologia ambiental da Universidade Hasselt, na Bélgica, onde o estudo foi conduzido.

A pontuação média de QI foi de 105, mas os cientistas descobriram que 4% das crianças com pontuação abaixo de 80 cresceram em áreas com baixos níveis de vegetação, enquanto nenhuma obteve pontuação abaixo desse nível em áreas com maior quantidade de área verde.

Os benefícios de mais vegetação registrados nas áreas urbanas não foram replicados nas áreas suburbanas ou rurais. Nawrot sugeriu que isso pode ser explicado pelo fato de que esses lugares tinham vegetação suficiente para que todas as crianças morando no local se beneficiassem.

Redução de problemas comportamentais

Dificuldades comportamentais, como falta de atenção e agressividade, também foram medidas nas crianças usando uma escala de classificação padrão, e a pontuação média foi 46. Neste caso, um aumento de 3% na vegetação resultou em uma redução de dois pontos nos problemas comportamentais, em linha com estudos anteriores.

Os pesquisadores levaram em consideração os níveis de riqueza e educação dos pais das crianças, descartando em grande parte a ideia de que as famílias que estão em melhor posição financeira para sustentar as crianças simplesmente têm mais acesso a espaços verdes.

Níveis mais altos de poluição do ar são conhecidos por prejudicar a inteligência e o desenvolvimento infantil, mas esse fator também foi descartado como explicação.

Em vez disso, os cientistas sugeriram que níveis mais baixos de ruído, menor estresse — como identificado em outra pesquisa sobre os benefícios dos espaços verdes —, e maiores oportunidades para atividades físicas e sociais podem explicar as pontuações de QI mais altas.

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