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Rússia começará vacinação em outubro, enquanto conduz testes em massa

Giulia Granchi

Do VivaBem, em São Paulo

20/08/2020 10h39Atualizada em 20/08/2020 13h40

Em coletiva de imprensa online, pesquisadores russos do Instituto Gamaleya, responsável por criar a vacina chamada de Sputnik V, afirmaram que receberam, em 11 de agosto, um registro de emergência do Ministério da Saúde do país para começar a imunização, que deve ser feita em pessoas do grupo de risco a partir de outubro.

De acordo com o porta-voz, a concessão exigiu um acordo: agora, os cientistas devem fazer mais ensaios clínicos. Os pesquisadores disseram que um estudo clínico pós-registro, randomizado, controlado e duplo cego com placebo será feito com a participação de 40 mil pessoas. Ele deve começar na próxima semana em 45 centros médicos russos. O objetivo é checar o grau de eficácia, imunogenicidade e segurança da vacina. Até agora, apenas animais e poucos voluntários receberam o antígeno.

A expectativa é que o protocolo seja feito em tempo recorde. "Queremos exportar a vacina em massa em novembro", afirmou Kirill Dmitriev, presidente do Russian Direct Investment Fund, um fundo criado pelo governo russo para coinvestir na economia russa junto com os fundos soberanos de outros países.

A vacina será aplicada em forma de solução intramuscular, devendo ser administrada em duas doses, com intervalos de três semanas. "Esse procedimento torna possível a formação de imunidade por até dois anos", aponta Alexander Gintsburg, diretor do instituto.

Os pesquisadores explicaram que a vacina usa dois tipos de adenovírus —vírus que causa o resfriado comum —, o tipo Ad26 na primeira dose, e o tipo Ad5 na segunda dose. "Usamos esses dois genes para ser mais eficaz", explica Denis Logunov, diretor do Instituto Gamaleya e doutor em ciências biológicas.

A Sputnik V foi produzida com base nas vacinas disponíveis pela Rússia contra o Ebola e a Mers. Segundo Logunov, os efeitos colaterais demonstrados até agora foram febre e dor de cabeça, mas considerados insuficientes. "Os voluntários têm produzido anticorpos e o organismo reagido bem, a resposta imune foi boa", afirma.

Questionados pelos jornalistas, os pesquisadores russos não mostraram resultados concretos, publicados em qualquer periódico científico ou dados robustos dos estudos clínicos feitos até agora com a Sputnik V.

Relação com o Brasil ainda não está clara

De acordo com Dmitriev, o governo russo está em contato com alguns países com potencial para produzir a vacina, entre eles, Brasil, Índia, Cuba e Coreia do Sul.

A especulação é que o Brasil participaria dos testes, e inclusive há um texto no site oficial criado para a vacina apontando "o ensaio clínico da fase 3 envolvendo mais de 2.000 pessoas na Rússia, vários países do Oriente Médio (Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita) e países da América Latina (Brasil e México) começará em 12 de agosto".

No dia 12 de agosto, o governo do Paraná assinou um acordo de cooperação técnica com a Rússia para a testagem e eventual produção de uma vacina contra a covid-19. Segundo o governo, é um acordo de cooperação e transferência de tecnologia. Não existe, por enquanto, expectativa ou prazos estabelecidos para o início dos testes. Todo o processo será acompanhado pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) e pelo Comitê de Ética em Pesquisas, vinculados ao Ministério da Saúde.

No entanto, a Anvisa afirmou que ainda não recebeu nenhum pedido de aprovação para os testes russos em território brasileiro.

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