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"Dor crônica só melhorou depois da cannabis", conta aposentada com artrose

Ivone apresentou uma melhora significativa após usar cannabis  - Arquivo pessoal
Ivone apresentou uma melhora significativa após usar cannabis Imagem: Arquivo pessoal

Priscila Carvalho

De VivaBem, em São Paulo

12/08/2020 10h00

"Sofro com dores nas articulações desde os 30 anos de idade". É assim que a aposentada Ivone Ritschel, 78, define sua relação com artrose, uma dor crônica que a fazia perder o sono e ter ansiedade constante. Quase sempre as dores eram no joelho, prejudicando o caminhar e dificultando sua independência em atividades simples do dia a dia.

Assim como ela, outras 60 milhões de pessoas no Brasil relatam sentir dor crônica, de acordo com estudo feito pela SBED (Sociedade Brasileira do Estudo da Dor).

Essa realidade mudou no fim de fevereiro, desde que ela começou a usar a cannabis medicinal para tratar o problema. "Eu já ando com andador porque tenho fraqueza nas pernas e as dores são constantes. Tomo três vezes ao dia. O medicamento me ajudou, com certeza", diz.

Ivone ressalta ainda que a substância ajudou até na melhora do humor. "Antes eu vivia meio triste, cansada, justamente por causa das dores e hoje me sinto bem melhor."

Um estudo feito pela The Health Effects of Cannabis and Cannabinoides, nos Estados Unidos, mostrou que o alívio da dor crônica é a condição mais comum citada pelos pacientes para o uso da cannabis.

Wellington Briques, diretor associado global da Canopy Growth e especialista em medicina integrativa, reforça que quase 80% dos pacientes que procuram o tratamento com cannabis sofrem com dor crônica. "A dor crônica é a indicação que existe o maior número de evidências em relação ao uso e benefícios da cannabis", afirma.

O que é dor crônica?

O problema é caraterizado por um incômodo que ocorre por mais de três meses ou caso o paciente não apresente melhoras dentro do tempo esperado do tratamento. Geralmente, a dor é dividida em dois tipos:

  • Nociceptiva: não está ligada a nenhum tecido neurológico, não há um dano do tecido neurológico em si. Um exemplo pode ser a fibromialgia.
  • Neuropática: pode ser causada por uma lesão ou uma doença do sistema neurológico. Um exemplo são dores de nervo que saem da coluna, escoliose, entre outras.

Além de prejudicar diariamente a vida do indivíduo, a dor crônica pode impactar o sono, prejudicar o humor, aumentando os sintomas de ansiedade.

Briques reforça que esse conjunto de sintomas é chamado de tríade. "A dor, insônia e ansiedade agem juntos em pessoas com dor crônica. Cerca de 50% dos pacientes reclamam de insônia", afirma.

Benefícios da cannabis medicinal

Não é de hoje que a substância está sendo usada na medicina. De acordo com Briques, inseri-la em tratamentos específicos melhora diversos sintomas de doenças.

O especialista ressalta que a vantagem do medicamento é que ao atingir um certo grau de melhora, não é necessário aumentar ou mudar a dose que está sendo consumida pelo paciente.

"Buscamos uma dose para cada tipo de paciente, mas o mais interessante é que ao chegar em um nível correto e que o paciente já está mostrando melhoras, não é necessário alterar em nada". No caso de Ivone, ela consome o medicamento três vezes ao dia.

As melhoras nos sintomas são perceptíveis e podem variar em cada indivíduo. Normalmente, os sinais melhoram depois de 15 a 25 dias após o início do tratamento.

Maconha medicinal como tratamento

Dois princípios da maconha são usados na medicina:

  • Tetrahidrocanabidiol (THC): é usado como antidepressivo, estimulante de apetite e anticonvulsivo. O extrato tem sido aplicado no tratamento de Parkinson, esclerose múltipla, síndrome de Tourette, asma e glaucoma.
  • Canabidiol (CBD): age como analgésico, sedativo e anticonvulsivo e é usado no tratamento de doenças como esclerose múltipla, epilepsia, Parkinson, esquizofrenia e dores crônicas.

O CBD geralmente é vendido na forma de um óleo extraído da planta da maconha, a cannabis, por meio de um processo artesanal. Também é possível comprá-lo com um nível maior de processamento, mas medicamentos específicos precisam de autorização individual da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).

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