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Covid: Única pessoa iniciou surto com 700 contaminados em navio, diz estudo

Passageira deixa o navio Diamond Princess, que ficou ancorado por cerca de três meses em Yokohoma - CHARLY TRIBALLEAU / AFP
Passageira deixa o navio Diamond Princess, que ficou ancorado por cerca de três meses em Yokohoma Imagem: CHARLY TRIBALLEAU / AFP

Do VivaBem, em São Paulo

29/07/2020 11h15Atualizada em 29/07/2020 15h59

A contaminação em massa ocorrida no navio Diamond Princess, que teve mais de 700 pessoas infectadas pelo novo coronavírus de um total de 3.711 integrantes a bordo, teve início com um único indivíduo. Foi o que concluiu um estudo do Instituto Nacional de Doenças Infecciosas do Japão, publicado ontem na revista científica PNAS, que é a publicação oficial da Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos.

O cruzeiro asiático ficou por quase todo o mês de fevereiro em quarentena no porto de Yokohoma, no Japão, depois que um passageiro que havia desembarcado por alguns dias em Hong Kong teve um diagnóstico positivo para a covid-19. O surto gerado nas semanas seguintes resultou na morte de 13 pessoas contaminadas a bordo.

O estudo japonês fez o sequenciamento genético de amostras do coronavírus coletadas entre pessoas que estavam no navio, incluindo passageiros e a tripulação. O processo permite rastrear possíveis origens diferentes do vírus pela quantidade de mutações genéticas. No caso do cruzeiro asiático, porém, foi concluído que a contaminação partiu de uma única fonte, conhecida em processos epidêmicos como paciente zero.

Segundo o artigo do estudo publicado na PNAS, a única introdução do Sars-Cov-2, vírus causador da covid-19, foi responsável por se disseminar entre os passageiros graças às aglomerações, principalmente nas áreas recreativas do navio. Mesmo após o início da quarentena, o Diamond Princess seguiu por alguns dias realizando festas e eventos normalmente.

"Embora a disseminação adicional possa ter sido evitada pela quarentena, alguns grupos de progênies podem estar ligados à transmissão por meio de eventos com aglomerações nas áreas de lazer e à transmissão direta entre passageiros que compartilharam cabines durante a quarentena", afirma o estudo liderado por japoneses.

O sequenciamento genético também permitiu aos cientistas apontarem que há a possibilidade de a contaminação em massa ter começado imediatamente após a primeira pessoa ser infectada - a identidade dela não foi revelada. Assim, o novo coronavírus teria iniciado a disseminação pelo navio antes do início da quarentena, segundo os pesquisadores, até pelo compartilhamento de mesas em refeições.

O navio Diamond Princess deixou Yokohoma apenas em meados de maio, após cerca de três meses ancorado no porto japonês. A embarcação seguiu para a Malásia, onde os últimos tripulantes do cruzeiro iniciado em janeiro desembarcaram.

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