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7 motivos para assistir Lenox Hill, série documental da Netflix

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Bárbara Paludeti

Do VivaBem, em São Paulo

01/07/2020 04h00

Lenox Hill é uma série documental da Netflix lançada em junho de 2020 que mostra como quatro médicos americanos conciliam a rotina profissional e pessoal. Todos trabalham no renomado hospital Lenox Hill, em Nova York. Quando um amigo me indicou, eu, como jornalista de saúde, me senti obrigada a assistir. E não podia ter tomado uma decisão melhor.

Lenox Hill - médicos - Divulgação - Divulgação
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Se você ama séries médicas, como House, Grey's Anatomy, Plantão Médico e Good Doctor, pode esquecer. O que mais emociona em Lenox Hill é que lá é tudo vida real: dor, sofrimento, doença terminal, alegria e morte.

A série tem oito episódios gravados entre 2018 e 2019. No último dia 24, ganhou um episódio especial sobre o enfrentamento da pandemia de coronavírus em Nova York, gravado entre março e maio deste ano.

Os médicos retratados são David Langer e John Boockvar, ambos neurocirurgiões, diretor e vice-diretor, respectivamente, deste departamento no hospital. Amanda Little-Richardson, residente em ginecologia e obstetrícia do último ano. E Mirtha Macri, médica da emergência.

1. Humanidade e sensibilidade

Langer - Divulgação - Divulgação
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Talvez você, assim como eu, já tenha se sentido só mais um número no consultório médico. Consultas rápidas, sem muito "calor", sem nem ao menos um toque, só pedidos de exames. Lenox Hill ajuda a entender um pouco o lado dos médicos.

Langer e Boockvar são referência em cirurgias de alta complexidade, de casos que outros médicos "não quiseram botar a mão". Abrir o cérebro das pessoas para tirar glioblastosmas (tumores que afetam o cérebro ou a coluna vertebral) enormes é uma grande responsabilidade, e em determinado episódio, Langer explica que, por mais que tentem não se ligar emocionalmente aos pacientes, muitas vezes não conseguem. Pacientes que necessitam de cirurgias por causa de gliomas fazem tratamento por anos. O distanciamento emocional é importante na condução de uma operação complexa.

Você já se imaginou abrindo a cabeça ou a coluna de um amigo ou ente querido e fazendo o máximo para curá-lo? É incrível ver os médicos se emocionando na solidão da própria sala após dar uma má notícia à família ou quando perdem um paciente. A empatia está presente o tempo todo na série, bem como a humanidade e a sensibilidade dos médicos.

2. Estudos clínicos

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Jornalistas de saúde estão o tempo todo lendo sobre estudos clínicos e ensaios realizados no mundo inteiro para tentar traduzi-los aos leitores e trazer as novidades das diversas áreas médicas e das ciências, então é bastante interessante e palpável vê-los acontecendo na prática. Boockvar é um entusiasta dos estudos clínicos, ele resolveu se voltar também para essa área após seu pai morrer de leucemia.

Em Lenox Hill, conforme retrata a série, são realizados diversos estudos. Uma das pacientes mostradas, uma policial dos EUA que tem um glioma grau 3 no cérebro, é a 8ª pessoa do país a participar de um determinado tratamento experimental: uma bactéria introduzida na cabeça que, na teoria, ajudaria a combater o tumor. Infelizmente, para ela não deu certo.

Normalmente, tratamentos experimentais são oferecidos aos pacientes para os quais o medicamento ou terapia convencionais não estão dando certo. Vê-los acontecendo, mesmo que na tela da televisão, nos faz entender ainda mais a importância da ciência. Principalmente em tempos de coronavírus, não é mesmo?

Boockvar chega a explicar ao paciente que, mesmo se não der certo para ele, a pesquisa vai ajudar a entender melhor os mecanismos da doença e, quem sabe, auxiliar os diagnosticados do futuro. Todos os estudos mostrados na série são para pacientes oncológicos, se você já teve alguém querido (ou até mesmo você) que enfrentou um câncer, vai se identificar com o tanto de vezes que Boockvar fala Avastin —medicamento quimioterápico largamente utilizado.

3. Representatividade

Amanda Richardson - Divulgação - Divulgação
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Amanda Little-Richardson é uma jovem residente de ginecologia e obstetrícia negra. Em diversas passagens da série, nas quais faz muitos partos, ela fala sobre a importância de ser uma médica negra e fazer com que as suas pacientes negras sintam-se à vontade com ela.

Uma de suas bandeiras é incentivar que mulheres negras, bem pouco presentes na medicina, sigam por esse caminho. Ela reconhece que foi privilegiada financeiramente porque seu pai pode dar-lhe a chance de estudar medicina, área considerada elitista. Assunto atualíssimo, não?

4. As agruras da emergência

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Mirtha Macri é uma médica de emergência. Um pronto-socorro no meio de Manhattan recebe pacientes dos mais variados tipos, grande parte é de moradores de rua, idosos e pessoas mais pobres. A empatia de Macri ao ouvir os relatos das pessoas e como ela lida com os casos é impressionante.

Um idoso sem ambas as pernas que, com recorrência, aparece por lá. Um jovem que teve a mandíbula deslocada ao beijar o namorado na Parada Gay. Um esquizofrênico. Uma mãe com cinco filhos. Pessoas alcoolizadas ou drogadas. E a médica está sempre disponível para aliviar o quadro e ouvir o caso.

5. Tem brasileira retratada

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Marie Calfat Nascimento é uma jovem brasileira que descobriu um glioma grau 2 no cérebro aos 15 anos. Em São Paulo, nenhum médico quis abrir a cabeça dela. Aos 16 anos, ela disse aos pais que queria mudar-se para Nova York para estudar artes cênicas. E lá se foi toda a família.

Ao ser avaliada em Lenox Hill, a equipe de David Langer e John Boockvar resolveu realizar a cirurgia de Marie para retirada do glioma. Percebe-se ao longo de toda a série o pouco calor humano com que os médicos são abraçados pelos familiares de pacientes americanos. É cultural, né? É aí que a coisa fica diferente: quando Boockvar vai dar a notícia de que conseguiram tirar o tumor todo de Marie, a família o abraça efusivamente, tanto que ele pede para economizarem abraços para Langer.

Quando Langer vai conversar com os pais, eles perguntam: "Podemos te abraçar agora?". O médico consente e o que se vê são abraços bem brasileiros em um tímido neurocirurgião americano. Ao acordar da cirurgia, já no quarto, Marie responde como se sente: "Eu estou perfeita". Que tempo bom em que os abraços eram largamente permitidos, né?

6. Vida pessoal x carreira

Vida pessoal - Lenox Hill - Divulgação - Divulgação
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Nos episódios iniciais da série, Mirtha Macri está grávida, aos 39 anos, e Amanda Little-Richardson descobre também uma gravidez. No episódio especial de coronavírus, Macri aparece grávida do segundo filho.

O parto de ambas é retratado, com direito a muitas horas de duração e muitos "empurre, empurre, empurre".

Durante um dos primeiros ultrassons de Amanda, ela descobre que a filha tem uma anomalia genética. A jornada da jovem obstetra chega a ser tripla, com a vida em casa e as preocupações com a gravidez —o marido mora em San Jose, na Califórnia, para onde ela se muda ao acabar a residência—, o dia a dia no hospital e a preocupação com as provas finais da residência.

No caso dos dois homens, também há um componente pessoal forte muito presente. Um dos médicos da equipe de neurocirurgia do hospital, Mitchell Levine, é diagnosticado com um câncer agressivo na parótida. A série também mostra como os dois médicos lidam com a situação do amigo querido. Prepare o lencinho.

7. Coronavírus

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A série foi toda gravada antes da pandemia de coronavírus, no entanto, no dia 24 de junho a Netflix lançou um episódio especial mais atual para mostrar como os médicos de Lenox Hill estavam lidando com o momento. Nova York chegou a ser o epicentro da doença no mundo.

Mirtha Macri, mesmo grávida, segue atendendo na emergência e lidando com casos de coronavírus diariamente. Ela conta a dificuldade que foi mandar o filho bebê e o marido para a casa dos pais dele para não expô-los ao risco.

As neurocirurgias foram suspensas, então Langer e Boockvar voltaram seus esforços para o enfrentamento da doença nas UTIs. Boockvar tem pesquisado medicamentos para combater a covid-19 em seus estudos clínicos.

Ei Netflix, que tal fazer uma "Lenox Hill à brasileira"? Quadros médicos brilhantes e hospitais incríveis nós temos. Fica a sugestão.

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