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Estudo indica que lockdown salvou 3 milhões de vidas na Europa

Ruas de Madri, na Espanha, praticamente vazias durante pandemia causada pelo novo coronavírus - Miguel Pereira / Getty Images
Ruas de Madri, na Espanha, praticamente vazias durante pandemia causada pelo novo coronavírus Imagem: Miguel Pereira / Getty Images

Do UOL, em São Paulo*

08/06/2020 10h19Atualizada em 08/06/2020 16h14

Os bloqueios em larga escala, incluindo o fechamento de lojas e escolas, reduziram as taxas de transmissão do novo coronavírus na Europa o suficiente para controlar sua disseminação e podem ter evitado mais de 3 milhões de mortes. Essa foi a conclusão de cientistas do Imperial College London.

Em um estudo de modelagem do impacto do bloqueio em 11 países, os cientistas disseram que as medidas de lockdown impostas principalmente em março tiveram "um efeito substancial" e ajudaram a reduzir a taxa reprodutiva da infecção abaixo de 1 no início de maio.

A taxa de reprodução mede o número médio de pessoas para as quais uma pessoa infectada transmitirá a doença. Um valor acima de 1 pode levar a um crescimento exponencial.

A equipe estimou que, no início de maio, entre 12 e 15 milhões de pessoas nos 11 países - Áustria, Bélgica, Grã-Bretanha, Dinamarca, França, Alemanha, Itália, Noruega, Espanha, Suécia e Suíça - estavam infectadas com a covid-19.

Ao comparar o número de mortes contadas com as mortes previstas pelo modelo, se nenhuma medida de bloqueio tivesse sido introduzida, eles calcularam que cerca de 3,1 milhões a mais teriam morrido.

"Medir a eficácia dessas intervenções é importante, dados seus impactos econômicos e sociais, e pode indicar qual curso de ação é necessário para manter o controle", disseram os pesquisadores em um resumo de suas descobertas.

O artigo deles, publicado na revista Nature, também estima que essas medidas reduzam a taxa de reprodução do vírus em uma média de 82%, ou seja, o número de pessoas infectadas por cada pessoa contagiada.

Já a estimativa de pessoas contaminadas mostra que a Bélgica registrou a taxa mais alta, de 8% da população, seguida por Espanha (5,5%), Reino Unido (5,1%) e Itália (4,6%). Por outro lado, apenas 710 mil alemães teriam contraído o vírus, ou seja, 0,85% do país.

Os autores do estudo concluíram que "o confinamento teve um efeito substancial" no controle da epidemia e que "medidas para manter a transmissão sob controle devem ser consideradas".

Ao mesmo tempo, enfatizam que seu trabalho tem pelo menos um limite, por partir da hipótese de que as medidas tiveram o mesmo efeito em todos os países, quando, na realidade, "a eficácia do confinamento variou por país".

Outro estudo da Universidade de Berkeley, nos Estados Unidos, também publicado nesta segunda-feira na Nature, estimou, por sua vez, em 530 milhões o número de contágios evitados em seis países (China, Coreia do Sul, Estados Unidos, França, Irã e Itália), graças às medidas aplicadas até 6 de abril.

Os autores comparam a taxa de crescimento diário do número de novos casos antes e depois dessas medidas e concluem que estes "desaceleraram consideravelmente" sua evolução, com "benefícios visíveis à saúde na maioria dos casos".

*Com informações da Reuters e AFP

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