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Nise Yamaguchi interpreta estudos de forma errada para defender cloroquina

Nise Yamaguchi participou do UOL Entrevista - Reprodução/MOV
Nise Yamaguchi participou do UOL Entrevista Imagem: Reprodução/MOV

Gabriela Ingrid

Do VivaBem, em São Paulo

18/05/2020 17h38

A médica oncologista e imunologista Nise Yamaguchi, que defende o uso da cloroquina no tratamento da covid-19, interpretou de forma equivocada alguns estudos citados durante entrevista ao UOL, nesta segunda-feira (18).

Confira a seguir alguns pontos comentados erroneamente por Nise que merecem explicações científicas.

"A cloroquina em doses altas a gente sabe que mata, nem precisa desses estudos"

Nise criticou um estudo feito no Amazonas por pesquisadores da Fiocruz e que foi publicado no respeitado periódico científico JAMA. A pesquisa tentou justamente encontrar qual a dose segura da cloroquina. Para isso, os cientistas testaram duas doses diferentes do medicamento em voluntários. Todos os pacientes receberam esclarecimento prévio sobre o objetivo da pesquisa e assinaram TCLE (Termos de Consentimento Livre e Esclarecido).

A porção mais alta, citada por Nise, por exemplo, foi a mesma usada em alguns hospitais da China. As primeiras conclusões do estudo brasileiro apontaram que pacientes graves com covid-19 não devem usar a dose recomendada pelo consenso de tratamento chinês, "por causa de seus potenciais riscos à segurança, especialmente quando tomados concomitantemente com azitromicina e oseltamivir".

Em um texto publicado pela própria Fiocruz, o pesquisador Marcus Vinícius Lacerda, investigador principal do estudo, disse que os resultados apresentados servem como um alerta, oferecendo evidências mais robustas para protocolos de tratamento da doença. "Segundo Lacerda, não é possível afirmar, no momento, que uso da cloroquina tenha eficácia no tratamento dos infectados com o novo coronavírus", diz a reportagem.

"O estudo não tinha sido autorizado pela Conep"

Diferentemente do informado por Nise, a pesquisa foi aprovada pela Conep (Comissão Nacional de Ética em Pesquisa), de acordo com o texto publicado pela Fiocruz, sob CAAE (Certificado de Apresentação para Apreciação Ética) 30152620.1.0000.0005. Além da autorização, mais um comitê de acompanhamento e segurança independente foi montado.

Segundo o artigo, assim que foram observadas as primeiras mortes de pacientes em uso de qualquer uma das doses de cloroquina, a Conep solicitou a análise dos dados. "A Conep foi comunicada oficialmente por meio da Plataforma Brasil, e os dados, para maior transparência e visibilidade internacional, foram divulgados no site MedRxiv, para garantir a oportuna transparência e visibilidade internacional dos resultados até a devida revisão por pares científicos".

"A hidroxicloroquina vem sendo usada por semanas e meses em pacientes com lúpus e febre reumática e não tem essa toxicidade toda"

Realmente, a hidroxicloroquina é usada tratar doenças autoimunes, como lúpus e artrite reumatoide. Porém, até o momento nenhum estudo relevante mostrou que ela é eficaz contra a covid-19.

A maior pesquisa realizada até o momento foi liderada por cientistas da Universidade Columbia e contou com a participação de mais de 1.300 pessoas em Nova York (EUA). Publicada no periódico New England Journal of Medicine no dia 7 de maio, ela aponta que o uso da substância é ineficaz contra o novo coronavírus.

Segundo o estudo, "a administração de hidroxicloroquina não foi associada a um risco muito reduzido ou aumentado de intubação ou morte".

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