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Doença rara em crianças nos EUA pode ter relação com coronavírus, diz CNN

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Imagem: iStock

De Viva Bem

14/05/2020 11h38

Uma doença misteriosa entre crianças nos Estados Unidos está levando médicos a lançar um alerta sobre uma possível nova consequência da pandemia do coronavírus, diz hoje o site da rede americana CNN. Pediatras investigam casos em pelo menos 150 crianças, a maioria delas em Nova York, da chamada síndrome inflamatória multissistêmica.

Um levantamento feito pela CNN, porém, encontrou hospitais e clínicas em pelo menos 17 estados e em Washington, DC avaliando ocorrências suspeitas.

A doença parece ser uma síndrome pós viral, diz Jeffrey Burns, especialista em cuidados intensivos do Hospital Infantil de Boston, que vem coordenando um grupo global de médicos que compara avaliações sobre essa nova condição.

"Essa síndrome inflamatória multissistêmica não é causada diretamente pelo vírus", disse Burns à CNN. "A principal hipótese é que seja provocada pela resposta imune do paciente".

Os sintomas incluem febre persistente, inflamação e mau funcionamento de órgãos como rins ou coração. As crianças também podem mostrar sinais de inflamação dos vasos sanguíneos, como olhos vermelhos, língua vermelha brilhante e lábios rachados, disse Moshe Arditi, especialista em doenças infecciosas pediátricas no Cedars-Sinai Medical Center, em Los Angeles.

Ngozi Ezike, diretor do Departamento de Saúde Pública de Illinois, afirma que se trata de um distúrbio complexo. "É um espectro de problemas, e em alguns casos, o indivíduo tem envolvimento de artérias coronarianas. Às vezes não", disse Ezike em uma entrevista coletiva.

Resposta atrasada à infecção

Nem todas as crianças afetadas pela nova síndrome tiveram testes positivos para o coronavírus, mas relatórios da Europa e de várias cidades dos Estados Unidos mostram uma ligação entre os dois. "Parece haver respostas atrasadas às infecções por covid-19 nessas crianças", disse Arditi.

Burns acredita que mais casos aparecerão conforme a covid-19 afetar mais pessoas, já que se trata de uma condição rara, mas as raras consequências de infecções virais são vistas com mais frequência quando milhões de pessoas são infectadas.

"Podemos esperar que cada um dos epicentros veja grupos emergindo aproximadamente quatro a seis semanas depois", disse Burns. "Faz sentido que isso tenha surgido em Nova York primeiro porque Nova York teve o maior e mais grave surto (de covid-19), seguido por Nova Jersey e, infelizmente, Boston".

A maioria das crianças não é seriamente afetada pela síndrome, disse Burns. A maioria nem precisa de tratamento na unidade de terapia intensiva, embora muito poucas tenham morrido.

"Temos tratamentos comprovados que podemos usar e estamos usando", disse ele. Eles incluem anticoagulantes e moduladores imunológicos.

Os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC, na sigla em inglês) estão preparando uma notificação da Health Alert Network para enviar aos médicos de todo o país, disse um porta-voz do CDC. Burns disse que a Organização Mundial da Saúde também está trabalhando para definir a síndrome e alertar os médicos para que eles saibam o que procurar e como tratá-la.

"Esta nova condição tem algumas semelhanças com a doença de Kawasaki", disse Arditi. "Mas há muito mais características que são consistentes com a síndrome do choque tóxico, como o envolvimento de vários órgãos e o envolvimento abdominal grave com diarreia", acrescentou.

Será importante estudar os casos porque a resposta pode ajudar a explicar por que as crianças têm muito menos probabilidade de serem severamente afetadas pela covid-19 do que os adultos, disse Burns. "Compreender a resposta imune da criança pode ser a chave para o desenvolvimento da vacina e também a terapia para os adultos entenderem por que as crianças são capazes de combater tão bem (a covid-19)", disse Burns.

Médicos encontram casos suspeitos em 17 estados

De acordo com a CNN, que entrou em contato com os departamentos de saúde, hospitais e autoridades estaduais de todo o país, casos suspeitos foram identificados em 17 estados dos EUA.
Alguns departamentos de saúde estaduais disseram que estão aguardando o alerta do CDC.

"Estamos trabalhando com o CDC em uma definição dos casos e estamos analisando possíveis ocorrências, mas não teremos mais informações até que o CDC finalize sua definição", disse um porta-voz do Departamento de Saúde de Minnesota.

"Não acreditamos que essa síndrome seja muito comum, mas vários casos foram relatados em associação com a covid-19", disse Paul Cieslak, diretor médico de doenças infecciosas e imunizações da Divisão de Saúde Pública da Autoridade de Saúde de Oregon.

"Essa síndrome parece ser uma complicação incomum, mas grave, da covid-19 em crianças".

Paul Mounds, chefe de gabinete do governador de Connecticut, disse que a síndrome seria uma doença rastreável no estado. O Departamento de Saúde Pública "enviou isso a todos os sistemas de saúde pediátrica de Connecticut para garantir que eles estejam informando se esses casos estão ocorrendo em suas instalações, para que possamos acompanhar e lidar com isso de acordo", disse Mounds ontem.

Os casos relatados pelos estados incluem:

  • Califórnia
  • Delaware
  • Illinois
  • Kentucky
  • Louisiana
  • Massachusetts
  • Michigan
  • Minnesota
  • Missouri
  • Nova Jersey
  • Nova york
  • Ohio
  • Oregon
  • Pensilvânia
  • Tennessee
  • Utah
  • Washington

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