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Mãe apela após perder filho de 23 anos com coronavírus: "Jovens, ela mata"

O gastrólogo Matheus Aciole, 23, com a mãe e o pai - Reprodução/Facebook
O gastrólogo Matheus Aciole, 23, com a mãe e o pai Imagem: Reprodução/Facebook

Carlos Madeiro

Colaboração para VivaBem, em Maceió

02/04/2020 08h25

O gastrólogo e estudante de nutrição Matheus Aciole, 23, é a mais jovem vítima fatal da covid-19 —doença causada pelo coronavírus— no Brasil. Ele morreu na noite de terça-feira (31) em um hospital particular de Natal após cinco dias de internação.

Em um apelo emocionada feito a VivaBem, a mãe do jovem, a microempresária Elione Aciole da Costa, 55, fez um alerta para que as pessoas não desacreditem da gravidade do coronavírus, e que ele não atinge só a idosos e pessoas com doenças crônicas.

"Jovens, se cuidem e acreditem! É verdade: ela realmente mata! Ela é perigosa, não é uma doença apenas de idoso. Ela também pega os jovens, e ela pegou meu filho com 23 anos", conta a mãe que está em quarentena junto com seu marido e o outro filho.

Matheus era obeso, mas segundo sua mãe nunca havia apresentado qualquer problema de saúde. "Era disposto, ativo, festeiro. Nunca teve nada", diz a mãe.

No dia 19, Matheus começou a apresentar tosse. Um dia depois, veio a febre alta, que seguiu persistente até o dia 24, quando seus pais decidiram procurar com ele um serviço de emergência.

"A médica levantou a hipótese que pudesse ser [covid-19], mas não pediu exame, já que ele não apresentava falta de ar", diz Elione.

"Se no primeiro atendimento tivessem tomado outras medidas, será que teria sido diferente? Não sei. Meu coração está muito aflito, está doendo ainda", relata.

Matheus foi para casa, mas a febre não baixava. Na madrugada da quinta para a sexta-feira, dia 27, Matheus apresentou pela primeira vez um quadro de cansaço, e na manhã daquele dia foi levado às pressas novamente emergência e já ficou internado.

Desconfiança inicial

Ao ver os filhos com os primeiros sintomas ela conta que já desconfiava de se tratar da covid-19. "Quando comecei a ver os sintomas, e como já via como estava o mundo, comecei a desconfiar", explica.

"Mas isso não me fez ter medo de cuidar do meu filho. Fiz todos os cuidados dele até o fim: eu levava água a ele no quarto, limpava o quarto durante o banho, não botava luva, máscara, nada. Seja o que Deus quiser", diz.

Em nota, a Secretaria de Estado da Saúde Pública e a Secretaria Municipal de Saúde de Natal lamentaram e confirmaram que o paciente deu entrada em um hospital privado no dia 24 de março, "onde foi examinado e retornou para a residência para continuidade de medicações prescritas."

"Manteve-se isolado por dois dias, não apresentando melhora procurou o serviço público de saúde no dia 27 de março onde foi atendido e realizou o teste para a doença, sendo regulado para o serviço privado em seguida", diz o texto.

A mãe diz que não tem como saber exatamente onde o filho contraiu o coronavírus, mas tem uma suspeita. "Matheus foi para uma festa de formatura de direito no dia 14, um sábado. Foi também a outros eventos, como ato ecumênico, missa. Era muito festeiro, chamado para formaturas", lembra.

"Eu tenho séria desconfiança que foi nessa formatura, mas não posso ter certeza. Sei que ele não saiu de Natal dia nenhum."

Segundo o infectologista Fernando Maia, professor de infectologia da Ufal (Universidade Federal de Alagoas) e médico do serviço de Medicina Hiperbárica da Santa Casa de Misericórdia de Maceió, a obesidade é um fator que pode aumentar a gravidade da doença.

"Na verdade, qualquer comorbidade quer dizer situação clínica que altera a normalidade da pessoa e pode interferir e causar uma doença mais grave. Não é só por coronavírus, mas qualquer doença. Então a obesidade, hipertensão, diabetes, qualquer doença que baixa a imunidade pode ser fator de risco para desenvolver forma grave, não só da covid-19, mas de qualquer outra pneumonia, qualquer outra infecção respiratória desse tipo", explica o médico.

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