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Viviane Araújo quer congelar óvulos aos 44 anos; existe idade ideal?

Foto: Reprodução / Instagram
Imagem: Foto: Reprodução / Instagram

Priscila Carvalho

Do VivaBem, em São Paulo

04/02/2020 17h14

Durante o programa "Se Joga", da TV Globo, a atriz Viviane Araújo revelou que pretende congelar os óvulos. "Eu quero muito ter filhos, sim. Agora. Não precisa ser independente porque tenho uma pessoa", brincou a atriz. A artista disse ainda que já tentou ser filhos, mas não aconteceu.

O congelamento de óvulos se tornou uma prática comum para a mulher que deseja engravidar tardiamente. No entanto, o recomendado pelos especialistas é a que a técnica seja realizada até os 35 anos.

Sérgio Pereira Gonçalves, ginecologista com especialização em Reprodução Humana Assistida pela FEBRASGO e membro da ASRM (American Society for Reproductive Medicine) e ESHRE (European Society of Human Reproduction and Embryology), explica que no caso de Viviane Araújo, que já tem 44 anos, a reserva ovariana fica bem mais baixa, com qualidade bem inferior. "Nessa idade a qualidade dos óvulos fica bem inferior. Por isso o recomendado é congelar até 37 anos no máximo", diz.

O especialista ressalta ainda que, muitas vezes, ao congelar os óvulos a paciente fica com uma falsa impressão de que a fertilidade está garantida e preservada, mas nem sempre é assim. "Quando o congelamento de óvulos ocorre até os 35, a chance de sucesso do tratamento é de até 50%. Depois dos 40, esse número cai para quase 5%", ressalta.

Por que as mulheres perdem óvulos?*

As células germinativas de ambos os sexos são produzidas ainda no período fetal, na barriga da mãe. Lá elas escolhem se virarão testículos ou ovários. Enquanto as que escolhem virar testículos ficam se dividindo, produzindo espermatozoides pelo resto da vida do homem, as que escolhem os ovários se mantêm. Isso significa que as mulheres produzem óvulos imaturos uma única vez na vida (geralmente quando atingem a sexta semana da gestação), enquanto os homens ganham espermatozoides novos até a velhice.

Os números são um pouco assustadores para elas. Um feto de 20 semanas, por exemplo, tem cerca de sete milhões de óvulos. Uma recém-nascida tem dois milhões. Na puberdade, de 300 a 400 mil. E assim vai, perdendo óvulos e mais óvulos ao longo da vida. Uma vez por mês, um óvulo é liberado e mais ou menos mil morrem. É por isso que as mulheres têm dificuldade de engravidar quando se aproximam dos 40 anos, chegando aos 50 praticamente sem óvulos.

A chance de engravidar quando se tem entre 36 e 37 anos cai para 15%; aos 38 e 40 anos, é 10%; após essa idade, a chance é ínfima, não chegando a 1%. Além da quantidade de óvulos ser bem menor, assim como o que ocorre com os homens, a qualidade deles também diminui, prejudicando a fertilização. Na menopausa, essa fonte se esgota.

As mudanças socioculturais no mundo fizeram a gravidez se tornar um plano tardio, pelo menos para uma parte das pessoas. Não à toa, a idade em que há mais procura pelo congelamento de óvulos é 37 anos. As mulheres que têm esse poder de escolha, decidem "adiar" esse esgotamento. Quando o óvulo é congelado, as chances de engravidar são as mesmas da idade que a mulher tinha quando optou pelo método.

*Dados utilizados de matéria publicada em 29/01/2020.

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