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Pai e filho recebem liberação para cultivar maconha medicinal: "Temos paz"

Ivo Suzin e Filipe Suzin podem usar a planta de forma terapêutica  - Pedro Paulo Couto/UOL
Ivo Suzin e Filipe Suzin podem usar a planta de forma terapêutica Imagem: Pedro Paulo Couto/UOL

Pedro Paulo Couto

Colaboração para o UOL, em Goiânia

16/01/2020 09h45

Uma decisão liminar inédita em Goiás permite que pai e filho tenham acesso à cannabis medicinal com cultivo e porte liberados. O empresário Filipe Suzin, 29, que tem leucemia, e o pai dele, Ivo Suzin, 59, com Alzheimer, fazem uso de medicamento à base da maconha.

A ação foi protocolada na última sexta-feira (10) e foi deferida na noite de segunda (13). Com a decisão, eles podem usar a planta de forma terapêutica e não podem ser presos ou processados pelo plantio, uso ou transporte da maconha.

Segundo Filipe, o pai está doente há sete anos e em estado avançado. Ele relatou que a melhora só veio com o tratamento à base da planta, que iniciou em 16 de janeiro de 2019, com o auxílio da Associação Goiana de Apoio e Pesquisa à Cannabis Medicinal (Ágape), mas em quantidades que ainda eram insuficientes. Até por isso, o empresário importou sementes e começou o plantio em casa, mas com receio que fosse denunciado. Ele chegou a viajar ao Uruguai para se informar mais sobre o assunto.

"Nossa necessidade era maior, e não podíamos ficar sem o remédio. E em casa está disponível com facilidade. Com a medicação, meu pai melhorou muito. Hoje, temos paz, qualidade de vida. Ele dorme bem, se alimenta e não está mais agressivo. Agora é uma tranquilidade", afirmou.

O caso ganhou repercussão em um vídeo de Ivo Suzin agredindo o filho durante o banho, há um ano. Sobre a decisão judicial, Filipe afirmou que ela traz segurança, principalmente pelo porte, com a permissão de sair de casa com o medicamento.

Solange Suzin, esposa de Ivo e mãe do empresário, demonstrou certa resistência no início do tratamento com a cannabis, mas hoje defende o uso devido à melhora do filho e do marido.

"Estamos agora no paraíso, com os dois medicados e vivendo bem. Estávamos no limite antes, sem sossego. Que essa primeira decisão possa abrir às postas para tantas outras agora", disse.

O médico João Normanha Ribeiro, que conheceu os casos de Filipe e Ivo, e indicou o remédio, frisou que ainda existem barreiras para o tratamento com a cannabis, mas que a planta já está sendo usada com eficácia. "No caso do sr. Ivo, aconteceram tratamentos alopáticos e fitoterápicos sem resultado, porém agora o remédio à base da maconha é uma realidade, com melhora significativa do paciente", explicou.

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