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Pai de Isis Valverde morre após mal súbito em trilha; o que é o problema?

Isis Valverde e Rubens - Reprodução/GShow
Isis Valverde e Rubens Imagem: Reprodução/GShow

Gabriela Ingrid

Do VivaBem, em São Paulo

13/01/2020 11h46

O pai da atriz Isis Valverde, Rubens Valverde, morreu na tarde deste domingo (12), aos 65 anos, após sofrer um mal súbito enquanto fazia uma trilha de moto, em Baependi (MG). Ele foi encaminhado para o hospital na mesma cidade, onde já chegou sem vida, segundo reportagem publicada no UOL.

O mal súbito é uma parada cardíaca que pode ter diferentes causas (cardiológicas, neurológicas e até metabólicas). Ele é definido pela literatura médica como aquele quadro que acontece de repente, até uma hora dos primeiros sintomas ou 24 horas depois da última vez que a pessoa foi vista em suas atividades normais. Alguns indivíduos morrem instantaneamente; outros falecem após a manifestação de alguns sinais. Porém, dependendo do caso e quando o paciente é socorrido rapidamente, pode se salvar.

De acordo com a OMS (Organização Mundial da Saúde), a cada ano, ocorrem 17 milhões de óbitos por causas cardiovasculares em todo o mundo, e cerca de 4 milhões deles foram por morte súbita.

Por que o mal súbito acontece?

Em 80% dos casos, a morte súbita está relacionada a doenças cardiológicas, seguidas de doenças neurológicas como o acidente vascular cerebral (AVC) e a crise convulsiva aguda. Doenças herdadas e fatores genéticos também podem estar relacionados.

O mecanismo desse evento é o resultado de um distúrbio elétrico do coração (arritmia) que interrompe a função de bombeamento e, consequentemente, do fluxo sanguíneo para o corpo.

Causas cardiológicas mais comuns

Obstrução das artérias do coração: doença aterosclerótica coronariana, como a isquemia miocárdica e o infarto, especialmente após os 35-40 anos.

Doenças do músculo cardíaco: cardiopatia hipertrófica —doença genética em que o coração fica hipertrofiado, ou seja, aumenta sua espessura. Isso gera desarranjo muscular que propicia o surgimento de arritmias graves, especialmente durante a prática de atividade física. Geralmente acomete pacientes jovens, ou seja, abaixo dos 35 anos.

Distúrbios elétricos do coração: arritmias, o que inclui doenças dos canais iônicos, também chamadas de doenças de canais moleculares, que levam a anormalidades no funcionamento desses canais por onde passam esses íons (potássio e magnésio) —que tornam esses indivíduos mais vulneráveis às arritmias.

Causas neurológicas mais comuns

Crise convulsiva aguda: pode estar relacionada a doenças como a meningite e a epilepsia, ou mesmo um sangramento.

AVC hemorrágico: lesão do tecido cerebral provocado por uma hemorragia no interior do crânio.

AVC isquêmico: perda de fluxo transitório (ou permanente) na região cerebral, devido ao bloqueio do fornecimento de sangue e oxigênio. "Importante lembrar que o AVC está relacionado à aterosclerose. Assim como ocorre nos eventos cardiológicos, a depender da extensão da área cerebral infartada e da idade da pessoa, poderá ocorrer a morte súbita", destaca Carlos Alexandre Twardowschy, chefe da residência em neurologia da Faculdade de Medicina da PUCPR (Pontifícia Universidade Católica do Paraná).

Outras causas de morte súbita

  • Consumo de drogas
  • Doenças metabólicas, como o diabetes.

Quem está mais suscetível

Rubens Valverde está na faixa de maior risco: homens que têm entre 60 e 70 anos. Nessa fase da vida, 60% dos casos estão relacionados à doença arterial coronariana (obstrução das artérias do coração). Apesar disso, é importante saber que, na população em geral, a morte súbita pode ser o "primeiro (e último) sintoma" de um problema cardíaco.

O evento pode acontecer na infância, mas é raro. Na juventude, geralmente se manifestará durante a prática de alguma atividade esportiva.

Os grupos a seguir precisam ficar ainda mais atentos:

  • Pessoas que têm na família histórico de infarto ou doença genética do coração;
  • Pessoas que tiveram um infarto recentemente;
  • Pessoas com insuficiência cardíaca.

Como reconhecer os sintomas

A morte súbita é o estágio final de uma série de situações que levam à parada cardíaca. Ela pode ser precedida dos seguintes sinais:

  • Dor no peito
  • Falta de ar
  • Fraqueza
  • Tonturas
  • Palpitações
  • Desmaio
  • Paralisia do rosto e da perna num dos lados do corpo (sinal de AVC)
  • Dificuldade para falar ou compreender a linguagem (sinal de AVC)
  • Perda ou obscurecimento da visão -- em um olho só (sinal de AVC)
  • Perda do equilíbrio ou coordenação (sinal de AVC)
  • Dor de cabeça intensa (sinal de AVC)

É possível uma "recuperação" após esse evento?

Quanto mais rápido for o socorro, mais chances de sucesso. A depender da causa e do tempo decorrido até o início do atendimento e sua qualidade, as manobras de ressuscitação cardiopulmonar podem ser bem-sucedidas, evitando a morte ou sequelas.

A cada minuto passado sem o devido socorro, a chance de recuperação diminui em 7% a 10%. A morte cerebral ou permanente ocorre no período de quatro a seis minutos após a parada cardíaca. Após 10 minutos, poucas tentativas de ressuscitação serão bem-sucedidas.

Dá para prevenir?

Nas doenças neurológicas, que têm como fator de risco a idade avançada, a prevenção não é possível. Contudo, como o AVC também se relaciona com a aterosclerose e a hipertensão, a estratégia é colocar em prática os cuidados que garantem um estilo de vida saudável e previnem doenças cardiovasculares. Confira:

- Procure um médico todas as vezes que observar algum sintoma diferente. Eles podem ser um sinal de alerta e deve ser valorizado;

- Pratique atividade física ao menos 3 vezes na semana;

- Invista em uma alimentação rica em frutas, verduras, grãos, proteínas de qualidade;

- Capriche na hidratação;

- Evite alimentos ricos em gorduras, açúcares e sal;

- Controle os níveis de colesterol e doenças como hipertensão e diabetes;

- Livre-se do tabagismo;

- Adote medidas para reduzir os níveis de estresse psicossocial

- Invista em estratégias para dormir bem

- Reduza a obesidade visceral (gordura abdominal);

- Invista em um check-up cardiológico e acompanhamento com um cardiologista. A medida ajuda a prevenir doenças que podem ser silenciosas e levar ao mal súbito.

Informações de matéria publicada no dia 08/10/2019

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