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Clean label: o que quer dizer e como saber se o produto é mesmo 'limpo'

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Imagem: iStock

Chloé Pinheiro

Colaboração para o VivaBem

11/12/2019 04h00

Resumo da notícia

  • Alimentos clean label estão ganhando destaque nas prateleiras graças ao aumento na procura por uma alimentação mais saudável e limpa
  • O termo indica um produto feito apenas com ingredientes "reconhecíveis" pelo consumidor
  • Ainda não há regulamentação sobre o clean label, por isso é necessário ler bem a lista de ingredientes para saber se o produto é mesmo limpo

De um tempo para cá, aumentaram os produtos que se identificam como clean label, termo em inglês que significa rótulo limpo. Com poucos ingredientes e sem nomes complicados na lista, eles são a resposta dos fabricantes a uma demanda crescente da sociedade por uma alimentação mais natural.

"Nos últimos anos, houve um movimento muito intenso de urbanização, começamos a comer de forma mais processada e nos distanciamos da natureza, que é nossa grande provedora de saúde e criatividade", comenta Cynthia Antonaccio, nutricionista da Consultoria Equilibrium Latam. "Agora, o que vemos é uma busca por essa reaproximação", completa Cynthia.

A ideia é usar compostos extraídos da natureza para substituir os aditivos químicos, utilizados para preservar e melhorar as características sensoriais do alimento. Essas substâncias passam por um processo rigoroso de avaliação de segurança, mas passaram a ser vistos como não saudáveis pelo consumidor.

Qual é o problema dos aditivos?

Fora a imagem negativa, alguns deles são estudados por possíveis danos ao organismo. "Os aditivos de origem sintética têm potencial efeito toxicológico, e, em excesso, podem ser fatores de risco para desenvolvimento de doenças crônicas", comenta Carolina Pimental, nutricionista doutora pela Universidade de São Paulo (USP).

Não há motivo para pânico nem para demonização dos alimentos industrializados, pois essas substâncias estão presentes em quantidade pequena na produção. O problema é mais comportamental: muita gente exagera no consumo. Assim, algo que é inofensivo pode acabar tendo consequências para a saúde.

Como é feito um produto clean label?

Basicamente, substituindo os aditivos químicos por itens naturais. No caso dos sucos prontos, por exemplo, o suco concentrado de maçã pode entrar no lugar de adoçantes como o xarope de milho. Para a indústria, essa mudança exige uma série de ajustes e investimentos.
"Enquanto um quilo do iogurte tradicional leva um litro de leite, o nosso precisa de quatro litros", comenta Enrico Leta, cofundador da Yorgus, uma das primeiras a oferecer iogurtes gregos clean label no país. O produto leva só dois ingredientes, leite e fermento, por isso precisa de mais leite para manter sua cremosidade.

"Temos ainda que tomar cuidado com todas as etapas do transporte e armazenamento, pois, diferente do tradicional, ele não conta com conservantes como o sorbato de potássio, então não pode ficar na temperatura ambiente", comenta.

Além de não usar corantes, conservantes e espessantes artificiais, os produtos clean label podem ser produzidos dentro de uma lógica mais sustentável —com animais criados livres e vegetais orgânicos. Mas nem todo orgânico é clean label, e vice-versa.

Como saber se é clean label mesmo?

Não há regulamentação sobre o assunto no Brasil ou no exterior. Mas o último Guia Alimentar da População Brasileira, publicado em 2014 pelo Ministério da Saúde, já fala sobre usar poucos ingredientes nas formulações visando o consumo de alimentos menos processados.

Por enquanto, o único jeito de saber se um alimento é mesmo clean label é verificando a lista de ingredientes, que deve ser curta e conter apenas nomes compreensíveis. Nos Estados Unidos, alguns varejistas, como a rede Whole Foods, se organizaram para criar uma lista de mais de 200 aditivos proibidos nos itens comercializados em suas lojas.

No Brasil, algumas redes já começam a oferecer serviços do tipo, como o grupo de supermercados Mambo, que abriu a loja Super Saudável em novembro em São Paulo, onde só entram produtos sem conservantes, aromatizantes ou espessantes.

Produtos clean label são menos processados?

Não necessariamente. Embora a lista de ingredientes seja mais fácil de ler, optar pelos clean label não diminui a necessidade de inserir alimentos in natura na dieta. O açúcar refinado, por exemplo, é um nome simples de entender, mas se ele estiver presente em grande quantidade ainda será preciso maneirar no consumo daquele item.

Agora, uma coisa bacana é que esses produtos podem ser mais nutritivos. Isso porque substâncias extraídas de vegetais, frutas, ervas e especiarias têm sido estudadas como substitutas dos antioxidantes, corantes e espessantes utilizados atualmente, e elas tem valor nutricional enriquecido, o que traz benefícios para a saúde.

O preço pode ser um pouco salgado, por conta do processo de produção que exige mais tecnologia e pesquisa, mas, com a demanda crescente por mais naturalidade no prato, a tendência é que a indústria passe a privilegiar os rótulos simples e, assim, produtos do tipo fiquem mais acessíveis. Só fique atento às letrinhas pequenas para não levar gato por lebre.

Fontes: Carolina Pimental, nutricionista doutora pela USP (Universidade de São Paulo); Cynthia Antonaccio, nutricionista da Consultoria Equilibrium Latam, mestre em Nutrição Humana pela USP; Izabela Lorizola, nutricionista da Consultoria Equilibrium Latam, mestra em Ciências da Nutrição, do Esporte e Metabolismo; Júlia Coutinho de Oliveira, gerente técnica de assuntos regulatórios de alimentos na Visanco Consultoria