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Maisa ficou 15 dias sem fazer cocô; afinal, qual a frequência ideal?

A apresentadora Maisa Silva revelou que seu intestino melhorou após mudar a dieta e se tornar vegetariana - Reprodução/Instagram
A apresentadora Maisa Silva revelou que seu intestino melhorou após mudar a dieta e se tornar vegetariana Imagem: Reprodução/Instagram

Danielle Sanches

Do VivaBem, em São Paulo

21/10/2019 15h49

Resumo da notícia

  • Maisa Silva revelou que, quando criança, passou 15 dias sem ir ao banheiro e precisou ir ao médico
  • Especialistas dizem que a frequência ideal é de três vezes por semana, mas a sensação de satisfação e esvaziamento é mais importante
  • Uma dieta rica em fibras e ingestão de líquidos todos os dias pode ajudar quem sofre com intestino preso
  • Dados da Federação Brasileira de Gastroenterologia dizem que 20% da população mundial sofre de prisão de ventre
  • A constipação deve ser sempre investigada por um especialista; sinais de alerta incluem sangramentos, dor abdominal, febre e perda de peso

Maisa Silva agitou as redes sociais durante o fim de semana ao revelar que passou 15 dias sem fazer cocô. No início do ano, a apresentadora já havia compartilhado no Twitter que sofria bastante com a prisão de ventre.

A "confissão" veio durante uma conversa com uma seguidora após revelar que o intestino estava mais regrado depois que ela virou vegetariana. A fã então desabafou que já ficou quatro dias sem fazer cocô, e Maisa respondeu: "Já fiquei 15".

Mas, afinal, existe uma frequência ideal para se fazer cocô?

A resposta é: sim, existe. O consenso médico é de que a pessoa deve ir ao banheiro pelo menos três vezes por semana. Mas esse padrão nem sempre é seguido por todo mundo e isso não é necessariamente um problema. "Seja uma vez por dia, seja uma vez na semana, o importante é que a pessoa sinta que está satisfeita, ou seja, que conseguiu esvaziar o intestino", explica Ricardo Barbuti, gastroenterologista do Hospital Alemão Oswaldo Cruz.

O médico afirma que a forma como a evacuação ocorre também é importante. Se a pessoa vai todos os dias ao banheiro, mas precisa fazer muita força, sente dor, as fezes estão duras e ressecadas e/ou não se sente satisfeita, ela já pode ser considerada constipada. "A ida ao banheiro precisa ser fácil e indolor", diz o especialista.

De acordo com a Federação Brasileira de Gastroenterologia, a constipação intestinal acomete cerca de 20% da população mundial e tem como principais sintomas fezes endurecidas, esforço excessivo no ato evacuatório, evacuações infrequentes ou sensação de evacuação incompleta. É mais comum em mulheres e idosos e se encontra entre as doenças mais comuns do intestino.

Dieta tem grande influência

Grande parte das constipações é de causa primária, ou seja, provocadas por uma combinação de fatores comportamentais. "Uma dieta rica em proteínas e pobre em fibras, com pouca ingestão de líquidos, é uma das causas mais comuns do intestino preso", afirma Matheus Franco, gastroenterologista e coordenador médico da Endoscopia do Hospital Sírio-Libanês de Brasília.

Nesse caso, aumentar a ingestão de fibras e líquidos geralmente é suficiente para ver uma melhora em cerca de dois ou três dias. O médico também pode recomendar o uso de laxantes simples por um período para aliviar os sintomas.

Por incorporar um aumento na ingestão de alimentos com grande quantidade de fibras (frutas, verduras e legumes), a dieta vegetariana incorporada por Maisa de fato ajuda a melhorar o trânsito intestinal. Mas é importante conciliar essa ingestão com mais líquidos também, ou o acúmulo de fibras pode tornar as fezes mais duras e agravar o problema.

Franco recomenda ainda que a pessoa procure manter horários para ir ao banheiro, como após as refeições, quando o movimento da musculatura intestinal é estimulada. "É importante também não segurar a vontade de evacuar para que o corpo mantenha esse reflexo", diz.

Sinais de alerta

Maisa contou que os pais a levaram ao médico após 15 dias de constipação — tempo considerado excessivo pelos especialistas. Barbuti recomenda que toda constipação deve ser investigada por um médico para descartar outros problemas mais graves. "Há algumas doenças e mesmo o uso de certos medicamentos que interferem no funcionamento do intestino e precisam ser avaliados por um especialista", diz o médico.

Quando aparecem junto com a prisão de ventre, alguns sinais são considerados de alerta: dor no períneo, sangramentos (mesmo que você acredite ser de hemorroida), febre, perda de peso e caroço ou massa na região anal. Eles são indícios de que a causa da constipação é secundária, ou seja, é provocada por alguma doença que está gerando uma obstrução no intestino ou atrapalhando os movimentos feitos pela musculatura do órgão.

Uma das causas de obstrução é o câncer colorretal. De acordo com o Inca (Instituto Nacional do Câncer), é o terceiro tipo de câncer mais frequente em homens e o segundo mais comum entre as mulheres no Brasil. Os sintomas mais comuns são justamente alteração de hábito intestinal (o que inclui prisão de ventre), dor abdominal e sangue nas fezes.

O que funciona para a prisão de ventre?

Confira seis mitos e verdades sobre as táticas mais conhecidas para soltar o intestino preso:

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Imagem: Getty Images

Comer mamão com aveia: verdade

Essa é a fruta mais falada quando o assunto é se livrar da prisão de ventre. E, neste caso, os fãs de Maisa têm razão. O mamão possui a enzima papaína, que auxilia na digestão e na melhora do trânsito intestinal. Se você quer uma bomba para facilitar o trânsito intestinal, combine-o com aveia, que é rica em fibras, ou seja, ajuda na formação das fezes.

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Evite maçã: mito

Apesar de ser recomendada para "prender" o intestino, a maçã é rica em petcina, uma fibra solúvel que também vai ajudar no trânsito intestinal. Comê-la (ou qualquer outra fruta) com a casca e tudo também é mais uma maneira de absorver o máximo de fibras possível.

Comer fibras: verdade

Como as fibras não são absorvidas pelo organismo, elas fazem parte da "sobra" que o intestino precisa eliminar. Quando em contato com a água, eles têm um efeito esponja, sugam o líquido e agem como um "gel". Isso faz com que as fezes fiquem mais amolecidas, facilitando o trânsito intestinal. Apesar de sempre associarmos as fibras a cereais, elas também estão presentes em diversos tipos de alimentos.

Os legumes e as verduras são boas alternativas para alcançar o consumo de 25 a 30 gramas de fibra por dia. Dê preferência a consumir os alimentos in natura, assim, todas as fibras são preservadas, já que o processo de cozinhar faz com que o alimento perca um pouco delas. Opte também pelas frutas com bagaço e casa.

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Probióticos: semi-verdade

Uma das novas tendências para se manter saudável é consumir alimentos probióticos, principalmente os feitos em casa, como o kefir e o kombuchá. Entretanto, pesquisadores da Universidade de Sorbonne, na França, e da Universidade de Columbia, nos Estados Unidos, afirmam que as reações desses produtos no organismo ainda não foram comprovadas cientificamente.

Outros estudos, no entanto, mostraram que as bactérias que chegam vivas ao intestino equilibram a população dos microrganismos que lá habitam. Se consumido diariamente, esses alimentos poderiam auxiliar na recomposição e manutenção da microbiota, contribuindo para uma boa digestão, melhor aproveitamento de nutrientes e funcionamento do intestino.

Enquanto os cientistas não chegam num consenso, é melhor perguntar para seu nutricionista de confiança qual a melhor decisão a tomar.

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Beber água: verdade

O líquido é essencial para melhorar o trânsito intestinal, pois ajuda as fibras a formarem esse "gel" que ajuda no tráfego intestinal. Por isso, é importante consumir, em média, dois litros de água e associar esse hábito ao consumo de fibras.


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