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Não adianta lavar vegetais com limão e vinagre: veja como higienizá-los

A higienização também vale para os orgânicos  - iStock
A higienização também vale para os orgânicos Imagem: iStock

Sibele Oliveira

Colaboração para o VivaBem

02/10/2019 04h00

Resumo da notícia

  • Substâncias contidas em alguns produtos químicos podem ser absorvidas em frutas, verduras, legumes e precisam ser higienizados
  • O hipoclorito de sódio é a única solução recomendada para essa finalidade
  • Só fazer a higienização com o produto à base de cloro não resolve. Se as mãos não estiverem limpas, elas podem contaminar os alimentos
  • Vegetais e frutas não devem ficar muito tempo fora da geladeira, nem serem guardados úmidos
  • Alimentos orgânicos e não orgânicos precisam dos mesmos cuidados
  • Frutas, verduras e legumes não higienizados podem causar diarreia, verminoses e parasitoses

Você já parou para pensar no caminho que frutas, verduras e legumes percorrem até chegar à sua mesa? Eles estão expostos a todo tipo de micro-organismos e sujeiras durante o cultivo, nos locais onde ficam armazenados, no transporte e quando são manipulados por feirantes ou funcionários de supermercados e hortifrútis. A única forma de se livrar do quer que tenha contaminado esses alimentos é fazendo uma boa higienização.

O problema é que algumas pessoas preparam receitas caseiras ou seguem sugestões da internet para remover sujeiras, fungos e bactérias de vegetais e frutas. Tem gente que usa detergente, sabão, água oxigenada, tintura de iodo, carvão ativado, argila, vinagre, limão e até castanha-da-índia, embora essas substâncias não sejam recomendadas por especialistas ou pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).

Utilizar certos produtos químicos para desinfetar os alimentos não é uma boa ideia. "Isso pode trazer riscos à saúde porque dependendo da tipologia do produto, ele pode ser absorvido de forma mais intensa no alimento. E depois no enxague, não ser completamente liberado", explica Juliano De Dea Lindner, professor do departamento de ciência e tecnologia de alimentos da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina). Ou seja, as substâncias tóxicas acabam sendo ingeridas.

Por outro lado, receitas inofensivas à saúde, como as preparadas com vinagre e limão, não retiram os microrganismos. Para essa finalidade, a solução mais indicada é o hipoclorito de sódio. Primeiro os alimentos devem ser lavados em água corrente e depois mergulhados num recipiente com uma colher de sopa de hipoclorito de sódio para cada litro de água.

Após 15 minutos, é só enxaguar bem. Se você ainda assim se sentir inseguro com a limpeza, há quem repita o procedimento, deixando os vegetais e frutas de molho por mais cinco minutos.

Muita gente confunde o hipoclorito de sódio com a água sanitária e de fato ela contém esse mineral (NaClO), no entanto, o produto de limpeza pode conter outras substâncias em sua composição.

Cuidados além da substancia de limpeza

O hipoclorito de sódio não faz milagres se a higienização for malfeita. "É importante que a seleção das frutas e hortaliças seja feita com cuidado e atenção, descartando as partes estragadas, sujeiras, larvas e insetos", orienta Márcia Terra, nutricionista membro da diretoria da SBAN (Sociedade Brasileira de Alimentação e Nutrição). No caso das folhas, elas precisam ser lavadas uma por uma.

E a limpeza deve ser mais caprichada nos alimentos que serão consumidos crus ou com a casca. Lembrando que é fundamental usar água potável ou tratada nesse processo.

Os cuidados também incluem o uso de uma escova de cerdas macias —exclusiva para a limpeza de frutas e vegetais — que consegue remover a terra e outras sujeiras que ficam grudadas.

Depois que os alimentos são higienizados com o hipoclorito de sódio, é necessário secá-los bem em uma centrífuga ou com o auxílio de um pano limpo. "A água pode ser um suporte com substrato para o melhor desenvolvimento de bactérias ou fungos. Por isso, o alimento precisa ser guardado com o menor volume de água possível", afirma Lindner.

Só então eles estão prontos para serem guardados na geladeira, embalados em um saco plástico ou recipiente hermeticamente fechado. E é bom que eles não fiquem muito tempo fora dela, principalmente em dias quentes, para não estragar. Outra dica é nunca cortar frutas, legumes e verduras com a mesma faca que antes foi utilizada em carnes cruas, por exemplo, pois o utensílio pode levar microrganismos para esses alimentos e causar uma contaminação cruzada. O mesmo vale para a tábua de corte, que precisa estar lavada e seca.

Lave bem as mãos

O perigo não está apenas nas bactérias e fungos que podem estar nos alimentos que compramos. A contaminação pode vir das nossas mãos, que frequentemente tocam em celulares, torneiras, maçanetas de portas e outras superfícies e objetos onde microrganismos costumam estar presentes. Por esse motivo, a recomendação é tirar os acessórios e lavar bem as mãos antes de higienizar verduras, legumes e frutas.

Como os micróbios também podem acumular debaixo das unhas, é aconselhável mantê-las curtas. "A mão é um vetor extremamente importante de contaminação cruzada, que pode encontrar no alimento uma estrutura muito rica do ponto de vista de nutrientes para se desenvolver", salienta Lindner. Em outras palavras, o microrganismo encontra a condição perfeita para se instalar no alimento.

Orgânicos X não orgânicos

Uma dúvida que muitas pessoas têm é se as frutas e vegetais orgânicos e não orgânicos precisam dos mesmos cuidados. "Não é porque o alimento é orgânico que ele está livre de contaminação. A contaminação pode ocorrer por diversos fatores como sujidades, insetos, larvas, lesmas ou manuseio impróprio no transporte e na comercialização", ressalta Terra. A única diferença entre os dois é que os orgânicos não têm agrotóxicos.

Por falar nos defensivos agrícolas, a internet está cheia de receitas para eliminá-los. Mas não é bem assim. Tanto a higienização convencional à base de cloro quanto a feita com outras substâncias apenas reduzem a quantidade de inseticidas, fungicidas e herbicidas.

Uma das receitas mais famosas contra eles é o bicarbonato de sódio. Um estudo feito na Universidade de Massachusetts, nos Estados Unidos, mostrou que maçãs lavadas por 15 minutos em uma solução de bicarbonato de sódio a 1% diluído em água (10mg/mL) ficaram praticamente livres de dois tipos de agrotóxicos. Mas os que penetraram na casca não foram removidos.

Saúde em risco

Vegetais e frutas podem conter microrganismos patógenos e deteriorantes, que são responsáveis por várias doenças transmitidas por alimentos. Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), existem mais de 200 tipos de doenças como essas, sendo que a maioria são infecções causadas por bactérias, vírus e parasitas, que costumam causar náuseas, vômitos, dores abdominais, diarreia, falta de apetite e febre.

O risco começa quando o alimento ainda está no campo, onde animais circulam e podem transmitir doenças, o que ocorre com uma frequência ainda maior em hortaliças que são cultivadas no quintal de casa. "Podem ser causadas diarreia, verminoses, parasitoses e toxoplasmose", enfatiza Jean Gorinchteyn, infectologista do Instituto de Infectologia Emilio Ribas.

Se a pessoa que vai manusear o alimento não estiver com as mãos limpas, ela também contribui para essa contaminação. "Uma das grandes preocupações que a gente tem é com as mãos porque algumas verminoses, como a oxiuríase, podem ter passado por aí", acrescenta o especialista. Portanto, a melhor forma de manter as doenças longe é higienizar bem as mãos e os alimentos.

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