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Além do arroz com feijão: 9 plantas não convencionais para variar o prato

Serralha é uma das panc e pode ser usada em diversas receitas como salada ou mesmo refogada e cozida - iStock
Serralha é uma das panc e pode ser usada em diversas receitas como salada ou mesmo refogada e cozida Imagem: iStock

Renata Turbiani

Colaboração para o UOL VivaBem

17/07/2019 04h00

Quando pensamos em plantas comestíveis, logo vem à cabeça arroz, feijão, milho, farinha... No entanto, cada vez mais tem se estudo e discutido o conceito de "panc" (acrônimo para plantas alimentícias não convencionais).

"Neste termo guarda-chuva estão inclusas todas as espécies que produzem uma ou mais partes comestíveis, como raiz, caule, folha, flor, fruto, bulbo, tubérculo e pólen, e não são comuns, corriqueiras, ou seja, não estão nos mercados, nas feiras, nos restaurantes, na merenda escolar, nos empórios... com a frequência que deveriam estar", comenta Valdely Kinupp, biólogo, criador do acrônimo e professor do IFAM-CMZL (Instituto Federal do Amazonas, Campus Manaus-Zona Leste).

Muitas delas já foram bastante conhecidas e consumidas no país, mas caíram no desuso --por conta das mudanças no estilo de vida e nos hábitos alimentares, da perda das referências socio-culturais e por serem consideradas "comida de pobre". Outras nunca chegaram a ser populares.

Ascensão das "panc"

Flávio Bertin Gandara Mendes, professor do Departamento de Ciências Biológicas da ESALQ-USP (Escola Superior de Agricultura "Luiz de Queiroz" da Universidade de São Paulo), afirma que, aos poucos, as pessoas estão começando a olhar para as "panc" de uma forma diferente. Até restaurantes de alta gastronomia têm introduzido algumas em seus pratos.

As PANC, em sua maioria, são nativas ou tropicais, bem adaptadas ao clima e ao solo brasileiros, o que torna a sua produção mais simples e barata e ainda faz com que sejam mais resistentes a pragas, doenças e seca e recebam menos ou nenhum agrotóxico. "Isso tudo as tornam mais saudáveis e melhores para o meio ambiente. E precisamos destacar suas vantagens nutricionais, já que várias delas têm teores de proteínas, vitaminas e fibras bem maiores do que os alimentos que consumimos tradicionalmente", complementa Mendes.

Saiba mais sobre algumas delas abaixo:

Azedinha (Rumex acetosa)

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Imagem: iStock

Planta herbácea perene, da família Polygonaceae, nativa da Europa e do norte da Ásia. Tem folhas simples, de formato arredondado ou lanceolado, e coloração que vai do verde-claro ao verde-escuro. As inflorescências são longas e avermelhadas.

Nutrientes: tem propriedades antioxidantes e é rica em minerais, como potássio, magnésio e ferro.

Como consumir: suas folhas de sabor levemente ácido podem ser consumidas cruas, em saladas e sucos, ou cozidas em sopas e molhos. Também são indicadas para o preparo de doces e geleias.

Bertalha (Basella alba)

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Original da Índia e do Sudoeste Asiático, a bertalha é uma trepadeira pertencente à família Basellaceae. Possui ramos e folhas verdes, inflorescências em cachos, com flores pequenas e brancas, e frutos purpúreos e brilhantes. Suas folhas têm sabor que lembra o da folha da beterraba.

Nutrientes: é boa fonte de fibras, vitaminas (A e C), minerais, em especial o cálcio e o ferro, e antioxidantes.

Como consumir: o ideal é preparar os ramos da bertalha crus ou refogados, para uso em farofas, tortas, quiches, sopas e omeletes, entre outros pratos. Os talos podem ser picados e refogados, e o fruto utilizado como corante alimentar.

Capuchinha (Tropaeolum majus L.)

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É uma planta rasteira e rústica, pertencente à família Tropaeolaceae e originária da América Central e da América do Sul. Tem folhas arredondadas e flores com cores que variam do amarelo-claro ao vermelho.

Nutrientes: é rica em carotenoides, especialmente luteína, um composto importante para a prevenção de doenças relacionadas à visão como catarata e glaucoma.

Consumo: as folhas e as flores, de sabor levemente picante, parecido com o agirão e a rúcula, são consumidas cruas, em pratos quentes e frios, e como tempero de maioneses, pestos e molhos. As sementes são usadas como conserva.

Jambu (Spilanthes oleracea)

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Hortaliça herbácea e perene, é pertencente à família Asteraceae, nativa da região amazônica. É bastante usada no Pará e no Amazonas, nos famosos tacacá e tucupi. Suas folhas são simples, de cor verde-intenso, e as flores são pequenas e amarelas. Tem uma característica peculiar: por conta da presença da substância espilantina, causa leve dormência na boca.

Nutrientes: o jambu é rico em vitamina C e antioxidantes.

Como consumir: o mais usual é consumir as folhas cozidas, especialmente em caldeiradas de peixe. Mas também é possível utilizar a planta para fazer chás e saladas.

Ora-pro-nóbis (Pereskia aculeata)

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Trata-se de uma hortaliça de porte arbustivo perene, da família Cactaceae, nativa da América Tropical. Mais conhecida e utilizada em Minas Gerais e em Goiás, tem brotos que vão do arroxeado ao verde-claro, folhas do verde-claro ao verde-escuro, e espinhos dos menos aos mais agressivos.

Nutrientes: as folhas têm teor de proteína que varia de 28% a 32% na matéria seca, e apresentam quantidades consideráveis de minerais, como potássio, magnésio, zinco, cálcio e ferro, além de fibras e substâncias mucilaginosas.

Como consumir: folhas jovens e brotos podem ser consumidos crus, mas o mais comum são cozidos, servidos com diferentes tipos de carnes. Também podem ser utilizado como ingredientes no preparo de pães, tortas e bolos.

Peixinho (Stachys byzantina)

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Pertencente à família Lamiaceae, é uma hortaliça herbácea perene originária da Turquia, da região do Cáucaso e da Ásia Central. Ela recebeu este nome por ter um sabor que remete ao peixe. Suas folhas são "peludinhas", macias e de um tom verde-prateado.

Nutrientes: é fonte de minerais, em especial potássio, cálcio e ferro, e de fibra, com um teor de até 13% na matéria seca.

Como consumir: as folhas, comumente, são empanadas e fritas, servidas como petiscos. Outra opção é cozinhá-las.

Serralha (Sonchus oleraceus)]

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É uma folhosa herbácea da família Asteraceae, originária da Europa. Tem folhas verdes, de bordas serrilhadas ou dentadas, como se tivessem sido recortadas, e flores amarelas. Tem sabor levemente amargo.

Nutrientes: é boa fonte de fibra e apresenta consideráveis teores de proteína (2g a 3g/ 100g de folhas frescas), carotenoides (provitamina A) e minerais, com destaque para potássio, fósforo, magnésio, ferro e zinco.

Como consumir: refogada ou cozida, em omeletes e massas, ou como salada.

Taioba (Xanthosoma taioba)

Instituto PLantarum / Divulgação
Imagem: Instituto PLantarum / Divulgação

Nativa da América Tropical e Equatorial, é uma planta herbácea tuberosa perene, pertencente à família Araceae. Mas, atenção, a taioba brava (Colocasia antiquorum Schott) é tóxica e não deve ser consumida. Ela possui talo e folhas verde-arroxeadas - a espécie comestível tem folhas e talos verde-claros.

Nutrientes: é rica em proteína, com um teor de até 3% quando fresca, e também em minerais (potássio, cálcio, fósforo, ferro e zinco). O rizoma é uma fonte alternativa de carboidrato.

Como consumir: as folhas são usualmente consumidas como a couve, refogadas ou cozidas - nunca cruas -, e como acompanhamento de pratos à base de carnes ou farinhas de milho ou mandioca. Os rizomas podem ser preparados como pequenos inhames, bem cozidos, fritos ou processados na forma de farinha.

Vinagreira (Hibiscus sabdariffa)

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Da mesma família do quiabo e do algodão, a Malvaceae, e natural da África, é um arbusto ereto de caule arroxeado, folhas verdes, com nervuras púrpura, e flores amarelas com o centro roxo. Também dá frutos. No Brasil, é bastante consumida no Maranhão, no prato típico arroz de cuxá.

Nutrientes: o cálice é rico em antocianinas, substância antioxidante, e as folhas em ferro - o consumo de 100g representa a ingestão de 57,14% das necessidades diárias do mineral. Também é fonte de fibras e tem baixo valor calórico.

Como consumir: as folhas, de leve sabor ácido, são preparadas com arroz; os cálices (secos ou frescos) são usados na produção de doces, sucos, geléias, licores e chás, e as sementes maduras são torradas ou moídas.

Fontes: Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) e Instituto Kairós