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"Morte besta", diz mulher ao perder amiga em fila de transplante do coração

Tatiane foi diagnosticada com doença congênita e hereditária - Arquivo pessoal
Tatiane foi diagnosticada com doença congênita e hereditária Imagem: Arquivo pessoal

Priscila Carvalho

Do UOL VivaBem, em São Paulo

03/04/2019 19h28

Resumo da notícia

  • Após a perda da amiga, Patricia Fonseca fez um post nas redes sociais alertando sobre a importância de doar os órgãos
  • Tatiane Ingrid Penhalosa, 32, tinha miocardiopatia hipertrófica e precisava de um coração novo
  • O problema só foi piorando e rotinas simples como andar e falar se tornaram muito difíceis
  • Penhalosa faleceu na última segunda-feira (03) sem conseguir receber o coração novo

"Tem gente que atravessa a rua e morre, pega um resfriado e morre, engasga e morre. Tudo morte besta. Mas morrer porque alguém disse 'não' é a mais besta de todas". Foi assim que a economista Patricia Fonseca, 33, definiu a perda da amiga, Tatiane Ingrid Penhalosa, 32, em um post nas redes sociais. Tatiane estava na fila de transplante de coração há dois anos e morreu na última segunda-feira (01).

Diagnosticada com miocardiopatia hipertrófica, doença congênita que aumenta a espessura do coração e altera o funcionamento do órgão, Tatiane conseguiu controlar o problema com remédios por anos, mas teve uma arritmia, precisou colocar marcapasso e necessitava de um coração novo para tentar voltar à rotina e ter uma vida normal.

Ela atingiu um estágio bem grave da doença e estava fazendo hemodiálise para melhorar o funcionamento dos rins. Mesmo sabendo da gravidade da condição, ainda tinha esperança de receber o órgão de algum doador. Segundo Patricia, Tatiane acreditava que o coração viria esse ano.

Ninguém precisava estar ali, nem eu. Ver o velório dela tão jovem, me fez imaginar como teria sido o meu velório se o coração não tivesse chegado"
Patricia Fonseca

Hoje, a economista, que também foi receptora de um coração três anos e meio atrás, luta para conscientizar as pessoas sobre a importância de doar de órgãos. "Fiquei muito inconformada com essa perda e morrer dessa forma faz com que essa morte seja em vão. Todos nós temos que ter essa voz", ressalta Patricia.

Eu sempre tive medo de virar uma estatística. Um dígito a mais na planilha de 'pessoas que morreram na espera'. Ano que vem, quando saírem os dados de 2019, não verei um número "x", mas um "x - 1 + Tatiane Penhalosa"
Patricia Fonseca

Por que as pessoas não doam órgãos no Brasil?

Um levantamento da ABTO (Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos) mostra que, nos dois últimos anos, 5.493 famílias disseram não à doação de órgãos. No ano passado, foram feitos 353 transplantes de coração, sendo que esse número poderia ter sido 1600, se as famílias dissessem sim e se os órgãos estivessem em condições adequadas de doação.

Segundo Carolina Casadei dos Santos, cardiologista especialista em insuficiência cardíaca e transplante cardíaco do Instituto Dante Pazzanese e Hospital do Coração, a mortalidade pela espera de um transplante cardíaco ainda é muito alta devido a dois fatores: muitas vezes, os médicos recebem órgãos ruins e que não podem ser aproveitados numa doação. E também porque no nosso país as famílias têm medo de doar, ainda existe tabu sobre o tema.

Também faltam campanhas efetivas que debatam e alertem sobre o assunto, acredita Andre Ibraim David, professor de cirurgia da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) e membro do departamento de fígado da ABTO.

Quem pode doar?

Quando a pessoa tem morte cerebral e os familiares próximos autorizam o transplante, é possível fazer a doação. O coração ainda deve estar batendo e em condições de saúde adequadas para a cirurgia.

O doador não pode ter morrido de infarto ou ter doenças coronarianas. Além disso, coração de tabagistas e usuário de drogas precisam passar por uma avaliação maior de exames para verificar a qualidade do órgão. Depois da análise, desde a retirada do órgão do doador até o implante no receptor, o processo deve demorar no máximo quatro horas.

Quando a pessoa recebe o órgão, ele passa por uma adaptação com remédios e a média de expectativa de vida do novo coração é cerca de oito anos. Depois desse período, o paciente pode fazer um novo transplante e entra na fila novamente.

É muito importante que a pessoa, ainda em vida, diga que deseja ser um doador de órgão. Alguns familiares tendem a dizer não, já que nunca souberam se esse era desejo da pessoa antes de morrer.

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