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Ela descobriu que estava ficando cega de um olho ao se maquiar

Aline Peach descuidou do diabetes e levou um susto - Arquivo pessoal
Aline Peach descuidou do diabetes e levou um susto Imagem: Arquivo pessoal

Vivian Ortiz

Do VivaBem, em São Paulo

06/04/2018 04h10

Convivendo com o diabetes desde os dois anos de idade, a publicitária Aline Peach, 41, levou um grande susto em 2007, época em que trabalhava para uma indústria farmacêutica e estava no meio de uma viagem à trabalho. "Ao fechar o olho esquerdo para passar maquiagem na pálpebra, percebi que estava enxergando uma grande nuvem branca na minha frente."

Era a retinopatia diabética dando seus sinais. Trata-se de um acúmulo de material anormal nos vasos sanguíneos das camadas internas da retina que compõe a mácula --região rica em fotoreceptores. "Foi como se eu estivesse com uma piscina de sangue dentro do meu olho, mas que só era visível por meio de um exame médico específico", conta Aline.

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Em um período de dois anos, ela passou por uma vitrectomia --procedimento cirúrgico que faz a remoção do vítreo, o fluido que preenche o interior do olho-- e ainda por uma cirurgia de catarata, ambas na vista direita. "Precisei me afastar do mercado de trabalho, porque não podia fazer movimentos bruscos ou me estressar", conta. "Na segunda cirurgia, inclusive, tive de ficar um mês olhando para baixo, pois ocorreu um descolamento de retina. De tanto mexer nesse olho, fiquei com 50% de visão."

De acordo com a Sociedade Brasileira de Diabetes, a retinopatia diabética é uma das principais complicações relacionadas ao diabetes e a principal causa de cegueira em pessoas com idades entre 20 e 74 anos--muitas ainda ativas e bastante produtivas. Exatamente por isso, pacientes que receberam o diagnóstico da doença devem também fazer um acompanhamento regular com um especialista em retina. 

Controle glicêmico é fundamental

O oftalmologista Dr. Matías Iglicki, cirurgião e clínico que atua na Universidade de Buenos Aires (UBA), Argentina, esteve em São Paulo (SP) no final de março para falar sobre as novas opções de tratamento para o problema. Ao VivaBem, ele explicou que a doença é evolutiva, em função do diabetes. Para controlá-la, uma das principais atitudes é cuidar da glicemia --nível de açúcar no sangue.

"Esse excesso de açúcar no sangue pode causar um aumento no fluxo sanguíneo, que leva a um espessamento na membrana do olho, impedindo que o fluxo de fluidos essenciais saia e entre na retina, normalmente. As células danificadas começam, então, a libertar químicos especiais que encorajam a formação de novos vasos sanguíneos. Esses neovasos têm tendência para libertar mais fluido", explica.

Caso não sejam tratados a tempo, esses vasos em crescimento começam a interferir na visão, podendo levar a complicações dentro do olho e até a uma cegueira irreversível. Por isso, ressalta Iglicki, além de acompanhamento com um especialista em retina, é fundamental o paciente fazer o controle da glicemia e adotar hábitos saudáveis.

Novo tratamento faz com que injeções nos olhos sejam semestrais, em vez de mensais 

Quanto mais cedo a retinopatia for diagnosticada, maior a chance do tratamento ser eficazes. Até o momento, injeções mensais do fator de crescimento endotelial antivascular (VEGF) eram consideradas a terapia mais adequada.

No entanto, entre as mais recentes inovações em tratamento está a liberação controlada de medicamento por implante intravítreo por um maior período de tempo (de quatro a seis meses), que é feito diretamente dentro do olho, em um procedimento realizado em centro cirúrgico, com anestesia local e cujo processo de aplicação leva cerca de 30 segundos.

"O implante à base de dexametasona tem o tamanho de um grão de arroz e composição que vai liberando a medicação gradativamente naquela retina por um período que pode chegar até seis meses, quando o processo precisa ser repetido para se obter continuidade nos resultados", explica o especialista, que comparou pacientes utilizando as duas terapias ao longo de dois anos, encontrando resultados animadores.

Para Aline, a nova opção de tratamento é ótima, pois preserva muito a qualidade de vida do paciente. "A rotina de uma cirurgia é complicada, tem que internar, ficar com o olho aberto, depois andar com o tampão, permanecer em recuperação, é bem invasiva, acho ótimo que dá para ser evitada", diz. A publicitária ainda ressalta que tudo poderia ter sido diferente se tivesse sido mais "caxias" no controle da doença.

"Vivia minha vida como se não tivesse o diabetes, sem cuidados com a dieta e ainda tendo um estilo de vida bastante estressante", conta ela, que até criou um blog para falar sobre tudo o que passou, o Clube do Diabetes

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