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Não tem orgasmo? Sente dor no sexo? Entenda as disfunções sexuais femininas

Priscila Barbosa
Imagem: Priscila Barbosa

Do VivaBem, em São Paulo

16/02/2018 04h01

Sexo tem de ser prazeroso, algo que faça você se sentir em uma montanha-russa que termina no fim do arco-íris, com um grande “pote de ouro” -- bom, pode chamar isso de orgasmo, se preferir... A questão é que, em determinados momentos da vida, as mulheres podem sofrer com problemas físicos ou psicológicos que impedem a satisfação sexual. 

“Os homens são mais diretos no sexo, focam no físico, se ejaculam é sucesso. Já a sexualidade feminina depende de um todo. Ela é afetada por questões do ambiente, pela situação do relacionamento, pelo amor do parceiro, por estresse...”, afirma Alexandre Faisal, ginecologista do departamento de medicina preventiva da Universidade de São Paulo.

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Quando há uma disfunção?

Nem sempre as mulheres deixam de alcançar a satisfação máxima por fatores do dia a dia ou do relacionamento. Se a dificuldade em atingir o prazer ou até de iniciar a transa forem constantes, você pode estar sofrendo de uma disfunção sexual, quadro em que há alteração em ao menos um domínio da função sexual, como excitação ou orgasmo.

Isso não é raro. Estudo feito pela Universidade Estadual de Santa Catarina mostra que o problema ocorre com cerca de dois terços das brasileiras. A pesquisa aponta que até 75% das mulheres sofrem com falta de desejo; 41% têm dificuldade de lubrificação; e 55% não chegam ao orgasmo. 

Uma dica para diferenciar uma disfunção sexual de uma falta de vontade momentânea é verificar se os entraves sexuais persistem por até seis meses. No entanto, você não precisa ficar tanto tempo sem sentir prazer. Segundo Maíta Poli de Araújo, ginecologista do Fleury Medicina e Saúde, após quatro semanas com dificuldade para ter relações já é necessária uma avaliação médica. 

Como identificar (e tratar) as disfunções sexuais

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    Nenhum estímulo desperta seu desejo

    Você e o parceiro trocam beijos, carícias, assistem a alguns vídeos... Só que a vontade não aparece. Essa disfunção é chamada de desejo sexual hipoativo. Ela ocorre quando não existe vontade de aproximação sexual, mesmo com estímulos.

    O problema geralmente ocorre devido a uma trava psicológica, mas é importante procurar um ginecologista para identificar se a falta de desejo não está sendo causado por questões hormonais ou uso de determinados medicamentos.

    A disfunção pode ser resolvida com fisioterapia e tratamento psicológico. "Nas sessões de fisioterapia trabalhamos a parte do autoconhecimento. Estimulamos a mulher a se tocar, se masturbar, a usar um espelho para observar a vagina e conhecê-la. Isso vai trazer melhoras quando associado ao trabalho de autoestima e autoconhecimento realizado pelo psicólogo", explica Tatiana Rodarte, fisioterapeuta especializada em saúde da mulher pela Unifesp.

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    Você tem vontade, mas não há lubrificação

    O problema é chamado de disfunção de excitação. Você até sente vontade de fazer sexo, mas o corpo não responde de forma adequada, tendo ausência ou diminuição da lubrificação da vagina.

    "Mesmo com sintomas físicos é difícil separar essa disfunção do emocional. O cérebro pode gerar uma reação fisiológica no órgão sexual da mulher, devido a um trauma emocional. O ideal é descobrir a origem do bloqueio na cabeça da pessoa, para compreender seus receios e ajudá-la a relaxar, para conseguir ter a relação", diz Faisal.

    Às vezes, principalmente na menopausa, a causa pode ser deficiência hormonal. Nesse caso, a reposição dessas substâncias no organismo traz excelentes resultados. Como há o desejo por sexo, usar lubrificante vaginal a base de água também pode ser uma solução, de acordo com Araújo.

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    Você tenta de tudo e não chega ao clímax

    Na disfunção do orgasmo a transa ocorre como manda o figurino: você e o parceiro trocam carícias, rola o desejo, a lubrificação, a penetração e o sexo é prazeroso. Só que não tem nada que faça você chegar ao ápice do prazer.

    O mais provável aqui é que o problema ocorra por questões psicológicas. "Pode ser um trauma, um impasse relacionado às primeiras transas, ou algo ligado à parte cultural e social. Depende de como a mulher foi criada, se sua saúde sexual foi reprimida etc. Padrões de comportamento são fortes influências", afirma Rodarte. É raro, mas má formação vaginal também pode gerar a disfunção.

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    Você sente dor ao ser penetrada

    Nas disfunções dolorosas ocorrem grande desconforto durante a penetração, seja pelo pênis, seja pelos dedos ou seja por objeto. O incômodo pode surgir no início, durante ou mesmo após o ato sexual. Em alguns casos, ele é tão grande que impossibilita a penetração.

    Um exemplo comum é o vaginismo. Nele, a mulher tem contrações involuntárias da musculatura da vagina, que impedem a entrada do pênis. Isso pode acontecer por medo (especialmente na primeira vez) ou experiências experiências anteriores com dor ou outros traumas.

    A coisa se torna um ciclo: "O medo gera tensão, a tensão contrai a região e com isso vem a dor. Na fisioterapia a mulher pode ser ajudada com a massagem perineal, que libera a tensão da musculatura vaginal", aconselha Rodarte. Também existem dilatadores vaginais, objetos com diâmetros distintos que a paciente testa a penetração, aumentando os tamanhos com o passar do tempo.

    "Podem existir outras causas como endometriose, que gera dor, ou até candidíase, que se for intensa deixa a vagina com cortes e machucados. É indicado ir ao médico para diagnosticar o problema, uma vez que ao tratar essas doenças a dor acabar", aconselha Faisal.

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