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Dr. Kalil

REPORTAGEM

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Síndrome de Takotsubo ou síndrome do coração partido: conheça a doença

Getty Images
Imagem: Getty Images
Roberto Kalil

Roberto Kalil Filho é médico cardiologista, professor titular da disciplina de Cardiologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), presidente do Instituto do Coração (inCor/HCFMUSP) e diretor do Centro de Cardiologia do Hospital Sírio-Libanês. É responsável pelo portal de saúde Dr Kalil Coração & Vida, consultor do quadro Bem Estar, do programa ?Encontro?, da Rede Globo, e estreou o programa Minuto do Coração, na Jovem Pan.

Colunista do UOL

13/12/2021 04h00

A morte inesperada de uma pessoa querida, a perda do emprego, o rompimento de um relacionamento afetivo ou o diagnóstico de uma doença grave são situações que em comum envolvem uma alta carga de estresse emocional ou físico. Essa descarga pode estar por trás da síndrome de Takotsubo, ou cardiomiopatia induzida por estresse, também chamada de síndrome do coração partido.

Seus sintomas logo remetem ao infarto: dor ou aperto no peito, dificuldade para respirar, palpitações, queda de pressão, alterações dos sentidos como tonturas e arritmias. Mas enquanto no infarto ocorre a obstrução de uma artéria coronária por placas de gordura que aderem a sua parede, na síndrome de Takotsubo as artérias permanecem normais. O problema está em uma disfunção normalmente transitória do ventrículo esquerdo do coração que provoca falhas no bombeamento de sangue e pode inclusive muito raramente levar à morte.

A síndrome do coração partido é mais comum em mulheres, geralmente com mais de 50 anos e na pós-menopausa. Alguns estudos apontam que elas são mais suscetíveis devido à queda na produção de estrogênio, hormônio feminino que entre suas funções age na proteção interna dos vasos sanguíneos.

Durante a pandemia de Covid-19, médicos da Cleveland Clinic, em Ohio, nos Estados Unidos, detectaram um aumento da incidência da síndrome de Takotsubo. O estudo, publicado na revista médica Jama Network Open, aponta um aumento de 1,7% para 7,8% nos diagnósticos desta cardiopatia.

Por aqui, a Sociedade Brasileira de Cardiologia realizou um estudo até então inédito sobre a doença. O REMUTA - Registro Multicêntrico de Takotsubo, foi pioneiro ao incluir dados dessa natureza para conhecer o perfil epidemiológico e mostrou que a síndrome apresenta riscos de complicações e mortalidade e por isso inspira cuidados.

A ação aos primeiros sintomas deve ser urgente, com exames clínicos, ecocardiografia e cateterismo cardíaco conduzidos por médico habilitado, capaz de identificar a diferença entre o Takotsubo e o infarto. O tratamento para a síndrome do coração partido geralmente é feito com medicamentos que reduzem a pressão arterial e controlam a frequência cardíaca, mas a equipe médica é que vai definir o melhor caminho.

Nesse contexto, vale mais uma vez insistir na manutenção de hábitos saudáveis, como a prática regular de exercícios físicos, principalmente com foco na redução do estresse.