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Larissa Cassiano

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

É possível ter um parto humanizado e com respeito com equipe de plantão?

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Imagem: istock
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Larissa Cassiano

Larissa Cassiano é médica ginecologista e obstetra, especializada em gestação de alto risco pela USP (Universidade de São Paulo). Fez residência médica na Maternidade de Vila Nova Cachoeirinha (SP), uma das maiores do Brasil, referência em parto humanizado no SUS e em gestação de alto risco.

Colunista do UOL

20/04/2022 04h00

No Brasil, a assistência ao parto tem muitas possibilidades, e para alguns pacientes o parto com equipe do plantão particular ou público será a única opção, mas nesse cenário é possível humanizar o parto? É possível ter um acompanhamento respeitoso com a equipe do plantão?

Um desafio para algumas pessoas, ao ser assistida por uma equipe do plantão, é que essa equipe será composta de pessoas diversas e na sua maioria desconhecidas da pessoa gestante, mas não podemos ignorar essa possibilidade tão frequente para tantos: então como reduzir as possibilidades de atitudes violentas, cesáreas indesejadas ou, em alguns casos, cesáreas desejadas que não são realizadas?

Algumas dicas:

Informação: Busque conhecimento sobre gestação, parto, pós-parto e cuidados imediatos ao recém-nascido em meios diferentes, mas que sejam confiáveis, além disso, caso exista alguma condição ou doença, informe-se sobre esta.

Um exemplo é a hipertensão que, durante a gestação, pode ocorrer de formas diferentes, mas que em alguns casos pode ter indicação de antecipação do parto com 37 semanas, por exemplo, mas sem que essa antecipação tenha que ser necessariamente por cesárea, outra condição é um feto em apresentação pélvica, quando está com os pés para baixo. Nesse caso, a maioria dos locais realiza o agendamento da cesárea acima de 39 semanas de gestação, mas cada um segue sequências diferentes e para quem deseja o parto vaginal, como essa não é uma via de parto que todas as equipes acompanham, ter informações de como a condução deste, caso é geralmente feita no hospital, saber com outras pessoas que passaram por condições parecidas no local pode ajudar.

Além disso, caso esse acompanhamento não seja feito, é possível realizar o procedimento de versão cefálica externa, um movimento feito ao final da gestação com anestesia e ultrassom, sempre que possível, para mobilizar o feto até que ele assuma a posição cefálica, ampliando as possibilidades do parto vaginal.

Tenha um plano de parto: o plano de parto é um documento em que a pessoa gestante expressa seus desejos relacionado ao acompanhamento de parto, recém-nascido e pós-parto imediato ao parto. Nele é possível expressar desejo sobre posições para o parto, presença de acompanhante, uso de ocitocina, momento do corte do cordão entre tantos outros pontos.

Ele pode ser tanto elaborado diretamente pela pessoa gestante, ou também pode seguir o modelo da instituição com adaptações para que a pessoa leia e defina o que deseja. Com o documento em mãos é possível conversar com uma pessoa responsável pelo hospital para que eles tenham ciência, respondam às dúvidas e alinhem as expectativas.

Tenha um plano B e C também, algumas vezes na gestação os planos precisam ser ajustados porque nem sempre o parto evolui como foi programado. Por esse motivo, pense em situações extremas como um trabalho de parto que evolui muito rápido e impossibilita chegar em um hospital X ou Y. Ficando sujeito a um hospital superlotado e até mesmo uma conduta discordante do que você deseja. Tenha outra opção de local, pois se alguma dessas coisas ocorrer, ter uma segunda opção de hospital é a melhor opção.

Se o desejo for uma cesárea agendada, por alguma condição ou desejo materno, mesmo após ter todas as informações possíveis sobre as vias de parto e seus riscos, vá ao hospital e informe-se se é possível realizar esse agendamento.

Já no caso de parto vaginal, pense na sua distância até o hospital, converse com o profissional que acompanha o pré-natal sobre aguardar até o momento mais avançado do parto, pois sabemos que quanto mais precoce a internação, maiores as possibilidades de intervenção e cesárea.

Em um cenário obstétrico tão diverso como do Brasil não é possível em um texto criar um caminho perfeito para que todos tenham um parto adequado, porém o conhecimento adquirido por uma pessoa gestante pode auxiliar para que o parto ocorra da melhor forma possível.

Gostou deste texto? Dúvidas, comentários, críticas e sugestões podem ser enviadas para: dralarissacassiano@uol.com.br.