PUBLICIDADE

Topo

Fernanda Victor

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Novembro Diabetes Azul: a conscientização precede o agir

iStock
Imagem: iStock
Conteúdo exclusivo para assinantes
Fernanda Victor

Fernanda Victor é médica endocrinologista e metabologista. É titulada pela SBEM (Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia) e mestre em ciências da saúde pela UPE (Universidade de Pernambuco)

Colunista do UOL

25/11/2021 04h00

O novembro Diabetes Azul é uma campanha mundial que tem como objetivo conscientizar sobre o Diabetes. O Dia Mundial do Diabetes foi definido pela IDF (sigla do inglês para Federação Internacional do Diabetes) e pela OMS (Organização Mundial da Saúde) como 14 de novembro, desde 1991, em resposta às crescentes preocupações sobre o avanço da doença.

O tema da campanha esse ano, "Acesso ao Cuidado para o Diabetes", alerta para a urgente necessidade de implementar políticas públicas com foco na prevenção da doença, bem como viabilizar o acesso a um tratamento eficaz.

Dados preliminares da 10ª Edição do Atlas de Diabetes da IDF não são nada animadores. Os números apontam um aumento global contínuo na prevalência de diabetes, com um incremento de 16% desde a última estimativa em 2019. Nada menos que 74 milhões de casos em um intervalo de dois anos!

Atualmente, já contabilizamos aproximadamente 537 milhões de adultos convivendo com diabetes em todo o mundo, o que representa uma a cada 10 pessoas. No Brasil, os dados são semelhantes ao que vem sendo observado no restante do mundo: cerca de 10% da população portadora de diabetes, com a maioria destes (90%) apresentando o diabetes tipo 2.

Outro dado impressionante: quase metade dos adultos que apresentam diabetes (240 milhões de pessoas) desconhece o diagnóstico. Isso acontece porque a doença age de forma silenciosa, com pouco ou quase nenhum sintoma, provocando elevações da glicose (açúcar no sangue) geralmente anos antes do problema ser detectado.

Diante de estatísticas tão assustadoras, prevenir é melhor (e mais eficiente) do que remediar, além de ser mais barato. As despesas relacionadas ao diabetes já somam US$ 65 bilhões em 2021, com um custo médio para o sistema de saúde de US$ 2,8 mil ao ano para cada brasileiro com diabetes.

Além disso, a garantia de acesso ao cuidado integral e ao arsenal terapêutico é o foco da atual campanha, visando ao controle satisfatório da glicemia e evitando as temíveis complicações da doença. Isso contribuiria para onerar menos o sistema de saúde e direcionaria mais recursos para ações estratégicas de prevenção.

Observamos também inovações tecnológicas surpreendentes na medicina que contribuem para melhorar o controle da doença e fornecer maior qualidade de vida aos pacientes, mas infelizmente o acesso às medicações de última geração, sistemas de monitorização contínua de glicose e bombas de infusão de insulina permanece restrito a uma pequena parcela dos portadores.

Quanto mais informação disseminarmos, melhor! Assim como o tratamento precisa ser contínuo, o fluxo de informação também. A conscientização empodera o paciente e precede o agir. Já está mais do que na hora de transformar esse cenário!

Referências

1. 10ª Edição do Atlas de Diabetes da IDF (International Diabetes Federation), 2021. https://diabetesatlas.org

2. https://novembrodiabetesazul.com.br

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL