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Taise Spolti

No Limite: por que podemos passar muito mal após atividades intensas?

No Limite: Ariadna tem mal-estar e quase desmaia - Reprodução/Globoplay
No Limite: Ariadna tem mal-estar e quase desmaia Imagem: Reprodução/Globoplay
Taise Spolti

Taise Spolti é formada em educação física e, atualmente, estuda nutrição. Já foi fisiculturista profissional e hoje tem interesse em aliar sua rotina alimentar à gastronomia. Costuma dizer que não se satisfaz com pratos pequenos ou sabores comuns. Participou do programa ?Masterchef?, da Band, onde pode mostrar em rede nacional suas receitas.

Colunista do UOL

16/05/2021 04h00

Nos últimos dias teve uma grande repercussão o fato de participantes de "No Limite" terem passado mal. Uma das mais comentadas foi a participante Ariadna, que logo no primeiro dia e na primeira prova já deu sinais de que o sedentarismo e o despreparo iriam ser fatores de grande dificuldade dentro do programa.

Na primeira prova, já com as divisões de times, a participante mostrou sinos de exaustão, e para quem é treinadora como eu, sabemos prever quais participantes estão em situação de exaustão e despreparo. Ariadna teve exaustão, seguida de hipoglicemia e ânsia de vômito. Isso é bem comum de acontecer a pessoas que participam de programas intensos de emagrecimento ou então por atletas que desempenham treinamento de alta intensidade.

Mas por que isso acontece e qual a diferença entre o perigo e o que os atletas querem, que é a alta intensidade?

O corpo possui uma adaptação aos estímulos que são dados: quanto mais estímulos, mais fácil se torna se adaptar às circunstâncias. Isso vale para treinamentos de alto nível, para quem começa a caminhar e logo está correndo ou para quem levanta 10 kg em um agachamento e logo está com 50 kg.

Essa adaptação é o que buscamos, afinal todo resultado de exercícios físicos, sejam estáticos ou de performance, só se dá por meio da quebra da zona do repouso (ou zona de conforto, ou quebra da homeostase). Seja causando inflamação ou promovendo um déficit calórico além do planejado, até chegarmos em um perfil ativo, ou seja, um metabolismo mais avançado e que suporta intensidades mais altas de exercícios ou rotinas, será necessário adaptação, será necessário treino e treino, dia após dia, semana após semana.

Quando algum indivíduo, como a Ariadna do "No Limite", sai "do zero" para, imediatamente, uma atividade mais intensa, o organismo não tem tempo de reação para a exigência metabólica que está acontecendo.

Por exemplo, mover o estoque de glicose para gerar energia que está no fígado, mas que tem capacidade limitada. Quando essa capacidade cessa, imediatamente começam outras ações e ciclos para gerar energia, aumentar a temperatura do corpo para melhorar a dilatação e levar essa energia para todas as regiões do organismo, fazer os músculos contraírem e também o coração e pulmões se sincronizarem para que tudo funcione em sintonia.

É muito trabalho!

E isso funciona cada vez melhor quando o corpo se adapta, fica mais eficiente, mais forte, mais econômico. Mas existe um limite, de onde é mais tranquilo se recuperar mesmo para atletas ou para iniciantes, e onde é uma zona perigosa de chegar, inclusive para atletas.

Essa zona mais perigosa pode causar convulsões ou até mesmo mal súbito. Obviamente não é o caso da participante Ariadna, mas em atletas de elite já aconteceu e provavelmente você já deve ter visto imagens circulando pela internet de corredores deitados.

O que fazer para prevenir o mal-estar da atividade física intensa?

Primeiramente você deve ser uma pessoa preparada, ou seja, não ser sedentária. Sempre que possível faça reposição hídrica e também de eletrólitos (aquelas bebidas que parecem suco, são repositores de eletrólitos com sabor uva, morango, limão e outras).

Não faça em jejum, mas também não ingira alimentos pesados ou grandes refeições próximo ao momento do exercício. Acontece muitas vezes de o organismo pausar a digestão pois a demanda de sangue periférico está sendo alta, ou seja, a temperatura e o fluxo de sangue para as extremidades são maiores do que o exigido na digestão de uma refeição. Essa má digestão causa o temido mal-estar durante a atividade física, causando vômitos, e vômitos ácidos, já que o ácido liberado para a digestão não foi usado ou absorvido corretamente.

O que fazer se você tiver um mal-estar?

Esteja com um profissional por perto, esse é o ideal. Mas como sei que isso pode acontecer em pessoas que estão realizando exercícios em casa sem orientação, existem algumas manobras para minimizar o mal estar:

  • Deite-se e abrace as duas pernas ou eleve-as em um sofá ou parede. Isso faz com que o fluxo sanguíneo das extremidades volte ao centro do corpo, inclusive para a cabeça, fazendo com que a tontura diminua;
  • Tenha sempre por perto algo com açúcar simples, como bala, suco de fruta;
  • Ingira a bebida açucarada devagar, em goles pequenos;
  • Respire fundo pelo nariz e solte pela boca, acalmando o ritmo respiratório;
  • Espere o mal-estar passar para começar a levantar o corpo. Caso você faça antes movimentos bruscos, corre o risco de imediatamente aumentar a tontura e você cair e se machucar, ou desmaiar.

Cabe ressaltar que você não deve fazer exercícios em condições extremas sem acompanhamento profissional, no caso do programa "No Limite", eles obviamente tem muitos profissionais por perto.

No seu caso, sempre tenha um número de emergência ou alguém perto para pedir auxílio caso perceba que a situação está se agravando.