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Aviação comercial já foi cheia de luxo e conforto. Relembre a era de ouro

Área conhecida como "upper deck lounge" de avião Boeing 747 da United, em 1972 - Divulgação/Boeing
Área conhecida como "upper deck lounge" de avião Boeing 747 da United, em 1972 Imagem: Divulgação/Boeing

Marcel Vincenti

Colaboração para o UOL

20/09/2019 04h00

Olhe bem para a foto acima e responda rápido: este lugar não parece um bar intimista ou o espaço social de um hotel grã-fino?

Pois bem: trata-se, na verdade, de um lounge que existia, nos anos 70, dentro de aviões da companhia norte-americana United, onde os passageiros se sentavam em confortáveis poltronas acolchoadas, comiam e bebiam do bom e do melhor e eram atendidos com pompa pelos comissários de bordo.

E este luxo não se restringia à United: naquela época, diversas empresas possuíam aeronaves que constituíam verdadeiros recantos do conforto, com assentos espaçosos, áreas sociais equipadas com sofás e aeromoças servindo refeições para lá de saborosas.

Nos anos 70, passageiros encontravam este estiloso espaço em aviões 747 da Avianca - Divulgação/Boeing
Nos anos 70, passageiros encontravam este estiloso espaço em aviões 747 da Avianca
Imagem: Divulgação/Boeing

A Air France, por exemplo, tinha modelos Boeing 707-320 em cuja traseira existiam lounges que lembravam a sala de uma casa, com um sofá de canto, cortina e uma decoração feita com plantas.

Já a Avianca trabalhava com modelos 747, também da Boeing, onde foram montados espaços com sofás semicirculares, poltronas enormes e tecidos vermelhos, em ambientes que remetiam ao lounge de uma balada, perfeitos para que os passageiros relaxassem e interagissem durante longos voos.

Espaço de um Boeing 707-320 da Air France nos anos 60: conforto para socializar durante o voo - Divulgação/Boeing
Espaço de um Boeing 707-320 da Air France nos anos 60: conforto para socializar durante o voo
Imagem: Divulgação/Boeing

Um lugar parecido era encontrado em aviões 747 da companhia australiana Qantas, também com a presença de sofá semicircular e cara de antecâmara de um restaurante chique.

Diversas destas áreas eram reservadas apenas a viajantes da primeira classe.

Área de avião da Qantas nos anos 70; já imaginou relaxar em um lugar assim durante um voo? - Divulgação/Boeing
Área de avião da Qantas nos anos 70; já imaginou relaxar em um lugar assim durante um voo?
Imagem: Divulgação/Boeing

A classe econômica de muitas empresas, porém, apresentava amplo espaço entre os assentos e serviço de bordo de primeira linha.

Para curtir tudo isso, os passageiros colocavam suas melhores roupas, como se estivessem indo a um evento de gala: os homens frequentemente vestiam ternos e as mulheres exibiam indumentárias que poderiam figurar em um desfile de moda.

Foto dos anos 50 mostra como as pessoas se vestiam para fazer uma viagem aérea - Divulgação/Boeing
Foto dos anos 50 mostra como as pessoas se vestiam para fazer uma viagem aérea
Imagem: Divulgação/Boeing

"Naquela época, a experiência de voar era quase tão legal quanto visitar o destino da viagem", conta Michael Lombardi, historiador corporativo sênior da Boeing. "Os assentos tinham tamanho maior e as pessoas comiam mais e melhor. Mas viajar de avião era também bem mais caro do que é hoje. Não era algo que todo mundo podia fazer. Por causa disso, os passageiros recebiam um tratamento diferenciado".

Como as coisas mudaram

Segundo Michael Lombardi, o glamour e a exclusividade dos voos começaram a diminuir nos próprios anos 70. "Nesta época, por exemplo, ocorreu uma desregulamentação no mercado de viagens aéreas comerciais nos Estados Unidos, o que motivou o surgimento de novas companhias aéreas e permitiu que as empresas vendessem passagens por preços mais baixos e colocassem mais passageiros nos aviões".

"Com isso, os serviços de bordo decaíram", avalia ele. "Porém, olhando pelo lado positivo, mais pessoas começaram a ter a chance de voar".

Imagem mostra classe econômica de um Boeing 707 em 1962 - Divulgação/Boeing
Imagem mostra classe econômica de um Boeing 707 em 1962
Imagem: Divulgação/Boeing

Para Lombardi, "os passageiros atualmente encaram as viagens aéreas apenas como um meio de chegar a um destino desejado. Já quase não se pensa no voo como uma experiência de entretenimento".

E, mesmo com as aeronaves mais lotadas, o historiador da Boeing vê outros pontos positivos no mercado de aviação atual.

"Hoje, os aviões têm autonomia de voo bem maior do que no passado, permitindo que as pessoas atravessem grande parte do mundo sem precisar fazer escalas. E acredito que, com a competição atual das companhias aéreas, os clientes terão mais ofertas de passagens baratas, o que ajudará a democratizar as viagens aéreas".

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