Topo

Viagem


Gramado e Canela: conheça hotéis sustentáveis para curtir as Serras Gaúchas

As Serras Gaúchas são o destino de inverno preferido de 63% dos brasileiros segundo pesquisa da Booking.com - Getty Images/iStockphoto
As Serras Gaúchas são o destino de inverno preferido de 63% dos brasileiros segundo pesquisa da Booking.com Imagem: Getty Images/iStockphoto

Mariana Gonzalez

Do UOL, em Gramado (RS)*

09/07/2019 04h00

Arquitetura com inspiração europeia, temperaturas abaixo da média brasileira e boa gastronomia. É por essas e outras que as cidades de Gramado e Canela, no Rio Grande do Sul, são o destino preferido de 63% dos viajantes brasileiros nas férias de inverno, segundo pesquisa da Booking.com.

Mas, nos últimos anos, a região vem atraindo turistas não só pela sensação de estar fora do país, mas pelo turismo sustentável -- fator que pesa cada vez mais entre os brasileiros na hora de planejar uma viagem.

Segundo a plataforma de reservas, as Serras Gaúchas estão entre os destinos brasileiros com maior número de acomodações preocupadas com os três pilares da sustentabilidade: responsabilidade ambiental, socialmente justa e economicamente viável. É de lá também o hotel considerado o mais sustentável do Brasil pelo Sebrae, o Bangalôs da Serra.

A propriedade tem placas de energia solar e uma turbina de energia eólica, que ajudam a economizar boa parte dos recursos naturais que seriam gastos no local. Trocar a energia hidráulica por estes equipamentos pode parecer coisa de outro mundo, mas a sócia do Bangalôs Marilu Kern garante que dá para chegar lá com medidas bem mais simples (e baratas): separação de lixo reciclável, redução do uso de plástico, preferência por produtos biodegradáveis na limpeza e itens orgânicos na alimentação, entre outros.

"No começo, quando estabelecemos as metas [de sustentabilidade], os hóspedes reclamaram. Mas é um processo lento. Hoje eles encaram essas práticas com muito mais naturalidade", conta.

Em junho, o UOL Viagem passou quatro dias em Gramado e Canela conhecendo hotéis que trabalham para gerar pouco ou nenhum impacto negativo para o meio ambiente ou a comunidade local.

Todos têm o ar condicionado com sistema inverter (com climatização quente e fria, faz com que os hotéis não precisem ter sistema de calefação a diesel), fazem a separação de lixo reciclável e usam redutores de vazão nos pontos de consumo de água -- detalhes que pouco interferem no conforto do hóspede, mas que mostram que sustentabilidade pode fazer toda a diferença numa viagem.

Hotel Bangalôs da Serra

Divulgação
Imagem: Divulgação

Quem se hospeda na acomodação considerada a mais sustentável do Brasil percebe o cuidado dos sócios Marilu e Lineu Kern em todos os ambientes, do restaurante onde é servido o café da manhã aos banheiros dos bangalôs.

Entre os 48 chalés da propriedade, é difícil não notar um gerador de energia eólica e placas de energia solar, que também servem para aquecer parte da água utilizada pelos hóspedes -- juntas, as duas estruturas são responsáveis por 55% da energia utilizada no hotel, o que gera redução das despesas e, principalmente, economia de recursos naturais.

Divulgação
Imagem: Divulgação

Divulgação
Imagem: Divulgação

As frutas e as geleias do café da manhã são orgânicas e vêm direto do pomar dos Kern -- que é adubado com o lixo orgânico do hotel e irrigado com parte dos mais de 40 mil litros de água da chuva armazenados todos os meses na propriedade. A reserva serve, ainda, para lavar as calçadas e os tapetes.

Enquanto isso, dentro dos bangalôs (que têm sistema de aquecimento), compostos por quarto principal, sala de estar e banheiro, a sustentabilidade fica por conta da redução do plástico e dos utensílios feitos com material reciclado. Foi uma surpresa para a reportagem, que se hospedou no local durante um frio de 2ºC, notar que o edredom era feito de garrafa PET.

Outro detalhe na área privativa: no banheiro, as tradicionais amenities têm um formato diferente. No lugar de oferecer xampu, condicionador e sabonete, o hóspede encontra um único produto biodegradável que cumpre as três funções e, de quebra, fica acondicionado em um dispenser dentro da cabine de banho, que é reabastecida com refil para reduzir os resíduos plásticos.

Mais informações no site do Bangalôs da Serra.

Hotel Blumenberg

Divulgação
Imagem: Divulgação

O terceiro pilar do turismo sustentável é a responsabilidade social, ou seja, "manter e ampliar a dignidade da comunidade local". Isso é levado a sério neste hotel, no centro de Canela.

Por lá, boa parte do que o hóspede consome retorna investimento para os produtores locais, desde o suco aos ovos e embutidos e à louça da cozinha, que é feita por artesãos gaúchos.

Ditmar Bellmann, um dos fundadores do hotel, conta que o custo de comprar laranjas no mercado mais próximo, que são plantadas em São Paulo -- vendidas na Ceagesp (Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo), transportadas até Porto Alegre e, por fim, chegam a Gramado -- é o mesmo que comprar de famílias produtoras vizinhas. "Com isso, o investimento fica na nossa região e eu tenho frutas mais frescas, sem agrotóxicos", acredita.

Divulgação
Imagem: Divulgação

A arquitetura do hotel, construído em 1994 por Ditmar e Isabel Bellmann, que são arquitetos, favorece a economia de recursos naturais. O prédio foi projetado com madeira reflorestada, reservatório para aproveitar a água das chuvas e janelas que permitem a entrada durante o maior período possível.

Novos elevadores, instalados em 2012, tem um "detalhe" especial: só usam energia para subir e, na hora de descida, utilizam a força da gravidade. O sistema que reduz pela metade a energia que seria gasta com o sobe e desce dos hóspedes.

Mais informações no site do Hotel Blumemberg.

Pousada Encantos da Terra

Divulgação
Imagem: Divulgação

A água é uma das principais preocupações nesta hospedagem, que fica em Canela. Entre 2010 e 2018, o proprietário Mauro Salles conseguiu reduzir o consumo diário de água por hóspede em 23%. O número diminuiu de quase 217 litros para 168 litros.

Como? Armazenando mais de 130 mil litros de água da chuva por ano, instalando máquinas econômicas de lavar roupa e louça e desligando equipamentos sem ocupação, como frigobares em quartos sem ocupação e caldeiras de aquecimento quando a água já está aquecida -- sistema que foi desenvolvido pelo próprio Mauro em parceria com uma empresa de engenharia da cidade.

"São ações com investimento baixíssimo, mas que dão retorno. O pessoal pensa que sustentabilidade é instalar placas de aquecimento solar, mas tem coisas muito mais simples e com custo menor que dão retorno", explica Salles. Ele cita, como exemplo, o custo dos redutores de vazão que instala nos chuveiros dos 23 quartos da pousada. Segundo ele, os equipamentos custam cerca de 25 reais e reduzem o consumo de água de 25 litros por minuto para apenas 8.

Divulgação
Imagem: Divulgação

Outro detalhe que ganha bastante atenção: o lixo. Na pousada, todo o material descartado pelos hóspedes e funcionários é pesado todos os dias e separado entre orgânico (que pode virar adubo na composteira da propriedade), reciclável e eletrônico.

"Estimulamos os hóspedes da pousada a utilizarem apenas uma garrafa de água e reabastecê-la gratuitamente em um filtro fornecido pela pousada. Assim, o hóspede economiza e gera menos lixo", explica Salles. Eles notaram que, com essa ação, reduziram pela metade o lixo de garrafas de água mineral no hotel.

Mais informações no site da Pousada Encantos da Terra.

*A jornalista viajou a convite da Booking.com

Viagem