Conteúdo publicado há 3 meses

Vereador de Votorantim acusado de tentar beijar prefeita à força é afastado

O vereador e presidente da Câmara Municipal de Votorantim (SP), Thiago Schiming (PSDB), foi afastado do cargo por 60 dias. Decisão entra em vigor nesta quarta (3). Em dezembro de 2023, a prefeita de Votorantim, Fabíola Alves (PSDB), o acusou de tentar beijá-la à força. Ele nega a acusação.

O que aconteceu

Decisão é da Comissão Permanente de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara de Votorantim. O relatório final foi divulgado nesta terça-feira (2) após reunião da comissão.

Cinco votos favoráveis e dois contrários. O relatório final apresentado pelo relator, o vereador Rogério Lima (PP), recebeu cinco votos favoráveis e dois contrários.

Vereador é investigado por quebra de decoro. Thiago Schiming teria infringido diversos pontos do Código de Ética. Consta no relatório que o objetivo da comissão não é entrar no mérito relativo à "denúncia de tentativa de estupro", fator esse que está sendo investigado pela Polícia Civil. "A questão é relativa a quebra de decoro, principalmente pelos atos realizados pelo presidente a frente da mesa diretora da Câmara Municipal", diz nota enviada pela Câmara.

Comissão determinou suspensão proporcional do salário. O UOL procurou Thiago Schiming para comentar o afastamento do cargo, mas o vereador não respondeu. O espaço segue aberto para manifestação.

O vereador já foi notificado sobre o afastamento. O vice-presidente Cirineu Barbosa será conduzido ao cargo.

Relembre o caso

A prefeita acusou presidente da Câmara de tentar beijá-la à força. O caso teria ocorrido em junho de 2023, mas o boletim de ocorrência só foi registrado em dezembro, na Delegacia de Defesa da Mulher da cidade.

Fabíola disse que Schiming tentou beijá-la dentro do gabinete dela. Em entrevista à TV Tem, afiliada da Globo na região de Jundiaí e Sorocaba, a prefeita afirmou que o episódio ocorreu em junho, no dia do aniversário dela, após uma reunião com o presidente da Câmara e outros dois vereadores.

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A prefeita relatou que Schiming voltou ao gabinete dela logo depois da reunião. "Eu já fiquei próximo da porta, não quis sentar e ficar à vontade com ele. Eu já estava nervosa. Ele começou a pegar na minha mão, falar que eu era muito importante para ele e a chegar perto. Eu falei que, para mim, ele era um amigo muito especial", contou.

O presidente da Câmara tentou beijá-la ao menos três vezes, segundo a prefeita. "Daí fui me despedir, ele tentou me beijar e eu virei o rosto. Depois da terceira tentativa, ele começou a pegar no meu queixo, encostar o corpo e forçar para me beijar realmente. Eu consegui soltar e apertar um botão da minha porta. Ele soltou e falou 'calma'. Eu fiquei bem nervosa. Aí ele saiu", disse Fabíola.

Fabíola disse que não denunciou a situação antes por ser alvo de processo de cassação. "Eu estava no meio de um processo de cassação onde, se eu externasse algo nesse sentido, ia parecer que eu estava fazendo algo para desviar atenção de alguma coisa. Eu queria que esse processo fosse arquivado. Eu queria provar que eu era inocente naquele processo para eu poder, então, ficar livre para realmente denunciar aquilo que eu senti naquele momento", afirmou.

Após o ocorrido, a prefeita disse que recebeu mensagem pelo WhatsApp com pedido de desculpas. Nessas mensagens, Schiming teria pedido perdão à prefeita e dito que a amava. Fabíola afirma que registrou boletim de ocorrência sobre o caso. Procurada pelo UOL, a Secretaria de Segurança Pública disse que o caso é investigado pela Delegacia de Defesa da Mulher de Votorantim, mas que detalhes serão preservados por se tratar de crime sexual.

Schimming nega que tenha tentado beijar a prefeita. "Nesse dia, nós levamos um presente de aniversário para ela, sentamos à mesa e demos feliz aniversário. Depois os vereadores saem, eu permaneço na sala e toco no assunto em relação à política, sobre a questão do vice para 2024. Havia uma discordância do que eu pensava e do que ela pensava. Feito isso, nós nos cumprimentamos e eu fui embora", disse o presidente da Câmara, à TV Tem. Ele alega que o pedido de desculpas foi por essa discussão.

"Não é fácil lutar contra o sistema", postou o presidente da Câmara. Após a revelação do caso, Schiming foi às redes sociais para se manifestar. "Às vezes o preço que se paga é alto demais, mas minhas convicções eu não mudo", escreveu ele em publicação no Instagram.

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Em caso de violência, denuncie

Ao presenciar um episódio de agressão contra mulheres, ligue para 190 e denuncie.

Casos de violência doméstica são, na maior parte das vezes, cometidos por parceiros ou ex-companheiros das mulheres, mas a Lei Maria da Penha também pode ser aplicada em agressões cometidas por familiares.

Também é possível realizar denúncias pelo número 180 — Central de Atendimento à Mulher — e do Disque 100, que apura violações aos direitos humanos.

Para receber atendimento ou fazer denúncias pelo WhatsApp, é possível enviar mensagem para o número (61) 99611-0100; ou pelo Telegram, basta digitar "Direitoshumanosbrasil" na busca do aplicativo. Após uma mensagem automática inicial, o atendimento será feito pela equipe do Disque 100 ou do Ligue 180.

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