Zentai: fetiche japonês tem roupas coladas e adeptos no Brasil

Ter a possibilidade de ser anônimo e se exibir ao mesmo tempo é um dos prazeres que move os adeptos do zentai. O fetiche consiste em usar uma roupa feita de elastano que cobre o corpo inteiro, dos pés à cabeça.

O traje surgiu no Japão, como parte do figurino de performances de dança e teatro, e vem ganhando adeptos pelo mundo, inclusive no Brasil. No programa "Amor & Sexo", da Rede Globo, a apresentadora Fernanda Lima chegou a ter um assistente de palco chamado Zentai, caracterizado com as típicas vestimentas colantes.

Nero Salazar, alter ego de Pedro (nome fictício), 21 anos, morador do Rio de Janeiro, teve sua primeira experiência com o zentai há quatro anos e diz que, além do anonimato, gosta do seu visual quando veste o traje. "O prazer é de se conhecer, esquecer seus defeitos físicos e imaginar que eles fazem de você algo único, perfeito", explica ele.

"A malha modela o corpo e me dá uma aparência de homem parrudo. Eu me sinto mais sexy", explica

Prazer sexual

Embora as relações nem sempre se efetivem, prazer e sensualidade fazem parte do jogo
Embora as relações nem sempre se efetivem, prazer e sensualidade fazem parte do jogo Imagem: Divulgação

Apesar de a forma ser um atrativo importante para os praticantes do zentai, não é apenas essa característica que os seduz. Paradoxalmente, criar uma identidade secreta por meio da roupa permite ir além do físico no contato com os outros. "Ficar anônimo faz com que a gente seja uma pessoa diferente ou mais real", diz Tamura, praticante de zentai.

Uma das motivações para a prática é justamente ser reconhecido pelo que se tem a oferecer emocional e afetivamente, e não somente pela aparência. A pessoa é notada, mas não identificada. E, por esse motivo, as sensações podem ser tornar mais intensas.

Mesmo que as relações sexuais nem sempre se efetivem entre os adeptos do zentai, o prazer e a sensualidade fazem parte do jogo. "O apelo sexual faz parte da brincadeira, mas há várias sensações e prazeres que são diferentes para cada um", conta o integrante do Tokyo Zentai Club.

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Seja qual for a motivação, o comportamento fetichista está associado a algum tipo de prazer sexual, mesmo que não envolva o coito.

Segunda pele

Integrantes do Tokyo Zentai Club durante encontro
Integrantes do Tokyo Zentai Club durante encontro Imagem: Divulgação

O zentai esconde o corpo todo, inclusive o rosto, e funciona, simbolicamente, como se fosse outra camada de pele. A roupa colada remete à ideia de segunda pele. Seria uma maneira de recobrir a primeira identidade com característica estética e de higienização.

Como em qualquer fetiche, a busca centra-se na obtenção do prazer imediato por meio do objeto escolhido. As pessoas podem estabelecer uma relação fetichista com qualquer coisa: roupa, tecnologia, não apenas chicote ou máscara. E, para elas, esses objetos se tornam indispensáveis.

No caso dos fãs do zentai, são as sensações provocadas pelo uso dessa "segunda pele", por meio do toque através do elastano, que tornam a prática tão viciante para eles. "A sensibilidade da pele é acentuada. E essa é uma sensação sem precedentes", diz Tamura.

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Pedro concorda com o adepto japonês. "A malha dá uma sensibilidade que multiplica seu prazer sensorial", reforça. Nos encontros entre os apreciadores do zentai, é bastante comum que os participantes passem grande parte do tempo apenas acariciando uns aos outros e roçando seus corpos.

Para quem nunca experimentou, a roupa dá uma impressão de ser muito quente ou atrapalhar a respiração. Segundo Pedro, o tecido tem um bom conforto térmico e não sufoca. Entretanto, é possível customizar a vestimenta com uso de zíper na região do nariz, olhos, boca ou onde interessar. No Brasil, não há lojas especializadas em zentai. Os adeptos costumam comprar em sites internacionais e os preços começam a partir de R$ 50 para os trajes mais simples.

Fontes: Diego Henrique Viviani, psicólogo especialista em psicoterapia com enfoque na sexualidade; e Luiz Antonio Calmon Nabuco Lastória, psicólogo e professor, com matéria publicada em 21/11/2014.

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