Como você chega lá? Orgasmo tem 4 fases claras que você pode explorar

Pioneira nos estudos sobre a sexualidade, a dupla Master & Johnson (formada pelos ginecologistas norte-americanos Virginia E. Jonhson e William Master, que já morreram) descobriu entre as décadas de 1950 e 1960 como funciona a fisiologia do orgasmo e mapeou a resposta sexual de homens e mulheres em quatro fases: excitação, platô, orgásmica e resolução.

Nos anos 1970, porém, esse modelo foi questionado pela sexóloga austríaca Helen Kaplan (1929-1995), que defendia a relevância do desejo, o apetite sexual desencadeado no cérebro, como uma espécie de gatilho para as etapas seguintes rumo ao clímax.

A partir dos anos 1980, a APA (Associação Psiquiátrica Americana) passou a considerar que o ciclo de resposta sexual é formado por quatro fases: desejo, excitação, orgasmo e resolução.

Trata-se de um modelo que orientou várias classificações diagnósticas atuais e é seguido pela maior parte dos especialistas.

Veja, a seguir, como são as características de cada etapa e como tirar o máximo de prazer possível de cada uma delas:

Desejo: É uma etapa mais subjetiva, principalmente porque tem caráter psicológico. Pode começar, principalmente, com estímulos externos: ver um filme com cenas que "acendem" o tesão, escutar uma música que propicia lembranças quentes, dançar e por aí vai. Pensar em sacanagem também ajuda a se preparar para o prazer, o que inclui rememorar certas passagens das suas transas mais incríveis, relembrar o cheiro ou o toque do par ou fantasiar com algo ou alguém que gostaria muito de experimentar. Outra boa opção é o sexting. O cérebro, então, começa a responder a esses estímulos...

Excitação: ... enviando mensagens para todo o corpo, da cabeça aos pés, mas com maior dedicação à região genital. Há um aumento dos batimentos cardíacos e da pressão arterial, os mamilos ficam intumescidos, a vagina começa a ganhar lubrificação e o clitóris se torna mais duro e gordinho. Essa fase inclui, obviamente, o começo das preliminares. As coisas, então, vão esquentando, com a intensificação das carícias e o começo da penetração. Quanto maior o investimento nesse período delicioso, melhor fica a fase seguinte, que se emenda nessa.

Orgasmo: É o ponto alto da relação sexual. O clitóris fica ainda mais sensível e os tecidos vaginais aumentam. As contrações dos músculos pélvicos indicam que o gozo chegou, marcado ainda por uma espécie de torpor dos sentidos e sensação de leveza. A pressão arterial, claro, aumenta.

Resolução: Após o clímax, o corpo vai pouco a pouco retornando ao estado prévio. Os pequenos lábios começam a perder sua intensa coloração arroxeada e o clitóris geralmente retoma a posição normal em 10 segundos. Há o relaxamento da musculatura e uma deliciosa sensação de bem-estar. Toda a alteração volta para o estado normal. Dica valiosa: como a resposta orgásmica feminina não é acompanhada por um período muito resistente (ao contrário dos homens), a mulher é imediatamente capaz de gozar de novo se a estimulação sexual continuar.

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Um novo olhar sobre o prazer feminino

Desde 2001, a psiquiatra canadense Rosemary Basson, associada ao centro de sexualidade da Universidade de British Columbia, em Vancouver, vem publicando artigos nos quais argumenta que a sexualidade feminina não é tão certinha e linear conforme os padrões vigentes, principalmente entre aquelas que vivem relações de longa duração.

Para ela, nem sempre a mulher é guiada puramente por um impulso biológico ou por fatores internos e/ou externos para iniciar uma transa.

Aumentar a proximidade emocional com o par, investir no vínculo e no comprometimento entre o casal, vontade de se sentir sexy para o cara e de dividir e sentir prazeres sexuais são alguns dos motivos.

Sabe aquele velho conselho de iniciar uma sessão de preliminares ou começar a transar para "entrar no clima"?

É isso que Rosemary prega: para as mulheres, é possível partir de um estado de neutralidade, entrar em ação e aí, sim, deixar que a excitação e o desejo se surjam e, claro, se mantenham.

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Ou seja, não só as etapas conhecidas se superpõe, num esquema mais circular do que linear, como é possível viver momentos quentes que sequer foram despertados por um desejo inicial.

É uma busca inconsciente por "recompensas" - maior cumplicidade, por exemplo - que a torna mais receptiva àquilo que vai despertá-la: sexo oral, massagem, beijos, palavras carinhosas, etc.

Em suas pesquisas, a psiquiatra também aponta a importância dos aspectos psíquicos (autoimagem, experiências anteriores ruins e satisfação conjugal, entre outros) para o ciclo do orgasmo feminino ocorrer de uma maneira muito mais complexa do que nos homens.

Fontes: Cristiane Moraes Pertusi, doutora em Psicologia do Desenvolvimento Humano pela USP (Universidade de São Paulo); Cristina Carneiro, ginecologista e obstetra, de São Paulo (SP); Erica Mantelli, ginecologista, obstetra e pós-graduada em sexologia humana pela USP, e Tatiana Presser, psicóloga, sexóloga e autora do livro "Vem Transar Comigo" (Ed. Rocco)

*Com matéria publicada em 31/05/2020

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