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Mais seguidores, convites, publis: influencers são alvo de golpes digitais

A influenciadora Janaína Alcântara, do Rio de Janeiro, foi convidada para participar de uma campanha e perdeu R$ 1.500 - Arquivo pessoal
A influenciadora Janaína Alcântara, do Rio de Janeiro, foi convidada para participar de uma campanha e perdeu R$ 1.500 Imagem: Arquivo pessoal

Roseane Santos

Colaboração para Universa

09/01/2022 04h00

Ganhar mais seguidores, ter engajamento e receber convites para produzir conteúdo publicitário é o sonho de muitas mulheres que decidiram investir na carreira de influenciadoras. Em busca do sucesso nas redes, muitas delas acabam caindo em golpes digitais que atraem as blogueiras com a promessa de selos de verificação e visibilidade.

Foi o que aconteceu com Syllvia, Janaína e Talita, influencers de diferentes áreas que acabaram perdendo dinheiro e ganhando muita dor de cabeça por causa de golpistas. Elas compartilham suas histórias com a reportagem de Universa, que também ouviu uma especialista em posicionamento digital para dar dicas de como evitar golpes. Leia a seguir.

'Ele usava fotos de famosos para atrair blogueiras'

"Contratei um serviço de marketing digital com a promessa de ter engajamentos, seguidores, selo de verificação e visibilidade. Eu trabalhava em um evento de MMA e, como modelo, participava de alguns programas de TV no Brasil. Vim morar na Argentina em 2017 para estudar. Abri uma loja de roupas virtuais e contava com o serviço da tal empresa para ter a visibilidade que precisava para engajar.

O dono usava várias fotos e vídeos de celebridades que, soube depois, eram publicadas sem a autorização delas. Após o pagamento ele não mandou o contrato, passou a não atender as ligações e não compareceu às audiências. Foram R$ 7 mil perdidos. Minha loja entrou em falência.

Syllvia  - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
Syllvia Andrade, de Cachoeiro de Itapemirim, ES, pagou por serviços que nunca recebeu
Imagem: Arquivo pessoal

Estamos há mais de três anos na tentativa de fazê-lo pagar o que me deve e ele simplesmente desaparece. Além do golpe, sofri ameaças do dono da empresa, que gerou muitas fake news com o objetivo de me frear na mídia.

Acredito que esteja aplicando golpes até hoje, pois outras pessoas me procuram constantemente para reclamar. Ele vive mudando de plataformas. Instagram, Facebook, Telegram e agora, ao que parece, está no Clubhouse. É um estelionatário com mais de 20 processos na Justiça em diferentes estados, mas continua livre."

Syllvia Andrade, 32 anos, Cachoeiro de Itapemirim, ES

'Recebi convite pelo Instagram, paguei por fotos e tive prejuízo'

"Em julho de 2021, uma pessoa que se identificou como assistente artística me chamou pelo Instagram depois de ver uma foto minha. Ela falou que era de uma agência e que estava precisando de um perfil exatamente como o meu para uma campanha do Dia dos Pais. Marcamos uma entrevista e ela insistiu muito falando que eram os últimos dias para participar. Fui apresentada para a agência por outra funcionária e fiz umas fotos de teste, sendo muito elogiada.

Essa moça falou que conversaria com o produtor, saiu da sala e logo voltou dizendo que eu havia sido aprovada. Só que para ser agenciada teria de fazer fotos profissionais. Perguntou se eu tinha o valor de R$ 3.500. Falei que não tinha. Eles insistiram muito, afirmaram que eu iria ganhar o dobro logo na semana seguinte. Fiquei com medo de perder a oportunidade e fechamos as fotos por R$ 1.500. Marcamos o ensaio e quando liguei de novo para essa funcionária, ela falou que não trabalhava mais lá. Percebi então que tinha caído em um golpe.

Tornei a ligar para a agência procurando o produtor e sempre falavam que ele estava em horário de almoço. Depois de eu tanto insistir, o meu telefone era recusado, como se estivesse bloqueado. Fiz um boletim de ocorrência e soube que outras pessoas também passaram pelo mesmo problema."

Janaína Alcântara, 39 anos, Rio de Janeiro, RJ

'Recebi um link falso pelo WhatsApp'

Talita - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
Talita Mendonça, de São Paulo: 'Oferecem até jantar em troca de divulgação'
Imagem: Arquivo pessoal

"Entrei no Instagram em 2017. No início era só uma válvula de escape, algo para me distrair. Mas as pessoas foram gostando do meu conteúdo e acabei me tornando influenciadora. Participo de muitos eventos de beleza, que é o ramo em que atuo. Recentemente, quase caí em um golpe pelo WhatsApp. Entraram em contato comigo oferecendo um convite de uma marca de cosméticos famosa. É comum eu fazer parcerias com empresas desse tipo, mas estranhei. Eles pediam que eu baixasse um link para pegar esse convite. Por pouco não baixei, mas lembrei que meu marido entrou em um link e o celular dele foi clonado.

Como a minha conta é aberta, deixava meu celular exposto. Só que começaram a chegar mensagens estranhas como essa. Eles oferecem até jantar em restaurante em troca de divulgação, mas sempre tem um link para baixar. Recebo também pacotes de promoção com venda de seguidores, mas nunca aceitei. Quando essas ofertas começaram a incomodar, cheguei até a colocar um telefone errado para escapar desses golpistas."

Talita Mendonça, 34 anos, São Paulo, SP

Saiba como evitar golpes nas redes sociais

Ao ser abordado por direct por uma empresa ou marca, esteja atento a alguns detalhes:

  • As empresas, geralmente, entram em contato por e-mail. Até existe uma primeira abordagem por direct, mas, muitas vezes, é para pedir um contato de e-mail. Desconfie de perfis não oficiais de marcas, perfis de possíveis produtores com poucos posts e observe as marcações daquele perfil, pois, na maioria dos casos, perfis fake não têm nenhuma.
  • Não clique em links sem ter certeza da veracidade das informações e não passe seus dados pessoais. Na dúvida, peça ajuda para alguém com mais experiência ou até mesmo um advogado.
  • Cuidado com os golpes de reembolso: muitos golpistas tentam coagir as vítimas a comprar passagens aéreas que serão reembolsadas, reservar hotéis e até mesmo arcar com custos de produção sempre com a desculpa de que o valor será reembolsado no cachê. Fuja! Nenhuma empresa séria fará o "influenciador digital" arcar com o custo de produção.

Mais seguidores?

Além dos golpes das publicidades, existem os da "fama fácil": empresas profissionais que oferecem seguidores e engajamento. Essa prática, além de ilegal, pode configurar crime de estelionato. Essas práticas são consideradas ilegais porque tais perfis são robôs. Comprar seguidores pode inflar o ego do dono da conta, mas não traz retorno de imagem.

Patrocínio de sorteio

Outro golpe comum é o patrocínio de sorteio. Mais uma vez a promessa é ganhar seguidores. Só que, neste caso, as pessoas que começam a seguir o perfil estão atrás de um prêmio, seja ele um iPhone ou maquiagem. Quando o sorteio acaba, muitos desses perfis dixam de seguir a página. O resultado disso é a redução do alcance, porque o algoritmo entende os unfollows como algo errado com o conteúdo e acaba reduzindo a entrega.

Golpe do selo azul

Por último, há o golpe do selo azul, em que um suposto funcionário do Instagram aborda a pessoa por direct na promessa de ajudar com a tão sonhada verificação. Importante: o Instagram não aborda nenhum perfil por direct, muito menos para oferecer selo azul. Se receber algum contato com essas descrições, ignore e denuncie o perfil.

Fonte: Kamila Garcia, CEO da HelevaBrand agência de posicionamento digital