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Direitos da mulher

Passeata pede prisão de professor acusado de importunação sexual no RS

Comissão de estudantes quer justiça no caso de professor acusado de importunação sexual no Rio Grande do Sul - divulgação
Comissão de estudantes quer justiça no caso de professor acusado de importunação sexual no Rio Grande do Sul Imagem: divulgação

Franceli Stefani

Colaboração para Universa

30/11/2021 14h34

Estudantes de São Leopoldo, no Rio Grande do Sul, realizaram um protesto na segunda-feira (29) pela prisão de um professor investigado por importunação sexual no Instituto Estadual de Educação Professor Pedro Schneider, o Pedrinho. A passeata, que reuniu cerca de 100 manifestantes, partiu da instituição e foi até a Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (Deam).

"Precisamos pressionar a Justiça e os órgãos públicos. Se não fizermos nada, o assediador pode voltar a dar aulas. Pode ser que não no Pedrinho, mas em outras escolas, colocando outras alunas e até mesmo alunos em risco", afirma a diretora da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes), Gabriela Affonso Frison.

O crime de importunação sexual foi cometido por um professor de história e ensino religioso, de 52 anos, e o caso está sendo investigado pela Polícia Civil. No dia 24 de novembro três alunas denunciaram o educador, que teria mostrado a genitália para uma garota e passado a mão nas nádegas de outra. Uma comissão de estudantes foi formada para organizar novas ações e cobrar providências da Justiça. O educador chegou a ser preso pela Brigada Militar, mas foi liberado em uma decisão do judiciário.

Gabriela diz que alunos de outros colégios da cidade se identificaram com o movimento. "Queremos, a partir do Pedrinho, combater o assédio em outras escolas, envolvendo os estudantes, e marcar uma reunião com a delegada [Michele Arigony] responsável pela Delegacia da Mulher", frisa a diretora, que ressalta a importância da ação. "O professor usou da hierarquia para assediar as meninas. Elas, por sua vez, não souberam num primeiro momento a quem recorrer. Esse tipo de situação é sempre algo que deixa marcas psicológicas e difíceis de tratar."

'É importante denunciar'

A Ubes, segundo Gabriela, realiza campanhas educativas para incentivar as denúncias em caso de abuso ou importunação sexual. "Quando a violência não é física, muitas não sabem se podem ir até uma delegacia. Nós temos campanhas, como Tire seu Machismo da Escola, que ensinam as vítimas como e onde devem recorrer, caso seja preciso. Em São Leopoldo nós temos a Delegacia da Mulher. Não devemos nos calar", reforça. Ela acredita que o medo da incompreensão, da impunidade e a falta de informação faz muitas vítimas se calarem.

Manifestação - reprodução - reprodução
Comissão de estudantes quer Justiça no caso de professor acusado de importunação sexual no Rio Grande do Sul
Imagem: reprodução

O fato que ocorreu no Pedrinho pode incentivar outras jovens a denunciar, na visão da diretora. De acordo com ela, há muitos casos que não são denunciados por receio de quem vive situações de abuso. "É preciso combater a violência antes que ela chegue ao estupro, ao feminicídio. Não é preciso esperar chegar às consequências mais graves. É necessário combater aqui, agora, quando a fala é constrangedora, quando o toque não foi legal. É importante denunciar", enaltece. Gabriela enfatiza que a luta é para mostrar que elas não devem se calar. "Muitas têm a visão de que só é grave quando há marcas, quando são agredidas fisicamente, mas não é assim. Os danos psicológicos são para toda a vida."

O número para denunciar, 24 horas por dia, é o 180 da Central de Atendimento à Mulher, que funciona em todo território nacional. O canal presta escuta e acolhida qualificada às mulheres em situação de violência. A central atende todo o território nacional, gratuitamente, 24 horas por dia.

Manifestação - reprodução - reprodução
Comissão de estudantes quer Justiça no caso de professor acusado de importunação sexual no Rio Grande do Sul
Imagem: reprodução

Violência contra mulheres no Rio Grande do Sul

Dados do Departamento de Planejamento e Integração da Secretaria da Segurança Pública do Rio Grande do Sul mostram que 26.309 mulheres foram ameaçadas no Estado até o dia 5 de novembro deste ano. Outras 1.676 foram vítimas de estupro, incluindo casos envolvendo vulneráveis. Oitenta e três mulheres foram mortas e 210 sofreram tentativa de feminicídio. O mês com maior incidência de todos os crimes relativos a violência contra a mulher, até o momento, foi janeiro.

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