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Após burnout, elas fundaram healthtech com aporte de mais de R$ 3 milhões

Giovanna Zattar, 26 anos, e Tuly Iavorsky, 30 anos, fundadoras da healthtech Serena - Arquivo pessoal
Giovanna Zattar, 26 anos, e Tuly Iavorsky, 30 anos, fundadoras da healthtech Serena Imagem: Arquivo pessoal

Caroline Marino

Colaboração para Universa

12/11/2021 04h00

Um olhar atento às demandas do mercado fez com que as catarinenses Giovanna Zattar, 26 anos, e Tuly Iavorsky, 30 anos, fundassem a healthtech Serena no meio da pandemia. Trata-se de uma startup que busca promover a saúde de maneira integral e personalizada. "Percebemos que havia uma boa oportunidade, pois todos começaram a olhar muito mais para a saúde e a prevenção e também houve a regulamentação da telemedicina. Foi a união do momento certo para a gente e da demanda do mercado", diz Tuly.

Depois de uma jornada no mundo corporativo e de terem sofrido um burnout em uma época que pouco se falava disso, as duas amigas começaram a pesquisar o mercado para encontrar maneiras mais completas e integradas de cuidar da saúde. "Passamos por vários especialistas, tanto os que olhavam para a nossa saúde física quanto para a emocional, mas não conseguimos ter um diagnóstico que unisse as duas esferas", conta Tuly.

Assim, elas começaram a estudar as inovações que estavam acontecendo nos Estados Unidos, no Canadá, no Reino Unido e em Israel para encontrar algo com resultados mais efetivos em relação à saúde e trazer ao Brasil. Foi quando elas conheceram o lifestyle medicine (medicina do estilo de vida, em tradução livre), uma abordagem que nasceu na Califórnia, em Loma Linda, conhecida como uma das Blue Zones, regiões no mundo que têm os maiores índices de qualidade de vida e onde as pessoas vivem mais.

Tuly explica que trata-se de uma abordagem dentro da medicina que entende que a saúde é o resultado do balanço entre seis esferas: alimentação saudável, atividade física, saúde do sono, controle de tóxicos, saúde mental e relacionamentos. Ou seja, o tal equilíbrio entre o físico e o mental tão procurado hoje em dia. "Nossa solução é baseada não somente no tratamento, mas também na prevenção da doença e na promoção de saúde", explica Tuly.

Giovanna Zattar, 26 anos, e Tuly Iavorsky, 30 anos, fundadoras da healthtech Serena - Arquivo pessoal  - Arquivo pessoal
"Tuly e eu somos tipo yin e yang, uma complementa a outra", diz Giovana
Imagem: Arquivo pessoal

Tecnologia e acompanhamento personalizado

Hoje, a empresa conta com 15 especialistas parceiros, como gastroenterologistas, ginecologistas e psicólogos, e tem como liderança médica a especialista Silvia Lagrotta, que trouxe a abordagem do estilo de vida para o Brasil. Com um modelo de negócios baseado em assinaturas, as chamadas jornadas de 12 meses, a ideia é oferecer um cuidado personalizado e contínuo, aliado à tecnologia, para entender as necessidades e metas de saúde dos membros e criar um plano de tratamento e acompanhamento personalizado. O plano anual dá direito a uma health coach e uma médica e custa o equivalente a cerca de 5 reais por dia.

Com essa estrutura e o crescimento acelerado dos últimos meses, a empresa chamou a atenção de investidores-anjos. Recentemente, o negócio recebeu um aporte de mais de US$ 600 mil (mais de R$ 3 milhões) que será usado para ampliar a equipe, aprimorar os serviços, investir em tecnologias como inteligência artificial e levar a empresa a outro patamar. A perspectiva é atender 20 mil pessoas até o próximo ano.

A ideia é trabalhar com uma medicina cada vez mais preditiva e baseada em dados e com acompanhamento contínuo dos membros. Essa é a medicina do futuro. Giovanna Zattar

Trabalho de educação e conscientização

O maior desafio foi lançar um serviço que ainda é incipiente no Brasil. "A Serena é a primeira startup de saúde do país a trabalhar com a medicina do estilo de vida e isso traz obstáculos adicionais. É mais difícil conseguir investidor, parceiro e cliente", diz Giovana. Segundo ela, o modelo tradicional da medicina ainda está muito enraizado na cultura brasileira e foi preciso um trabalho estruturado de educação e conscientização.

Por conta disso, antes de lançar a marca, as duas trabalharam na geração de conteúdo em um blog e no Instagram para disseminar o conhecimento sobre o assunto. Recentemente, elas ampliaram esse pilar com o lançamento de um podcast.

Para iniciar a empresa, além de consolidar o time médico e estruturar a metodologia, elas usaram algo comum no mundo das startups, o MVP, Produto Mínimo Viável, para testar a solução e fazer ajustes. Foram 100 pessoas pagantes usando o serviço e, segundo elas, as respostas foram positivas. "Alguns conseguiram diminuir o nível de estresse, outros reduziram as medicações e perderam peso", conta Tuly. A empresa, que começou atendendo apenas pessoas físicas, hoje trabalha também levando a solução para empresas.

Pilares de sucesso

Além de trazer algo inovador ao Brasil, Tuly e Giovanna atribuem o sucesso da empresa a dois pilares. O primeiro é a resiliência. Elas não deixaram as dificuldades e os "nãos" recebidos a abalarem, nem o fato de serem mulheres jovens. "Lógico que vimos todos os tipos de olhares e comentários e, até mesmo, pessoas que não nos retornaram. Mas é muito difícil a Tuly e eu chegarmos no patamar de 'poxa, não aguento mais'", diz Giovanna.

Cada não recebido em reuniões para fechar investimentos serviram para que elas reavaliassem o plano de negócio para fazer os ajustes necessários. "A resiliência vem também da paixão que temos pelo que fazemos. Começamos sem dinheiro, sem produto e cada uma em sua casa em meio a uma pandemia. Mas a paixão não nos deixou desistir", afirma.

O segundo pilar é a complementaridade que existe entre as duas, aspecto essencial quando se pensa em um sócio para uma empresa. "Tuly e eu somos tipo yin e yang, uma complementa a outra", diz. "Eu sempre fui uma pessoa de comunicação, de vendas e de relações institucionais, e a Tuly tem uma uma trajetória voltada ao mercado financeiro, mais analítica e de construção da estratégia. A gente conseguiu unir nossas forças a favor da empresa."

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