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Pausa com gatos: após viagem ao Japão, ela abriu primeiro pet café do RJ

Gato café, no Rio, é uma espaço de uma casa que serve como lar temporário para gatos resgatados e vende cafés e produtos alimentícios personalizados com desenhos de gatos. - divulgação
Gato café, no Rio, é uma espaço de uma casa que serve como lar temporário para gatos resgatados e vende cafés e produtos alimentícios personalizados com desenhos de gatos. Imagem: divulgação

Fabiana Batista

Colaboração para Universa

23/03/2021 04h00

"Eu não abriria uma cafeteria, eu só abri porque é o Gato Café". Giovanna Bernardo Molinaro, 26, é arquiteta, mas deixou a profissão de lado ao conhecer um modelo de negócio inovador em uma viagem no Japão. "Eu visitei diferentes pet cafés e cafés temáticos. Já em casa, pesquisei sobre eles, e me apaixonei ao descobrir que era possível unir o modelo de negócio à adoção dos pets".

A empreendedora lembra, em conversa com Universa, que depois dessa descoberta sentia-se angustiada ao se deparar com gatos em situação de rua e foi esse sentimento que acelerou a decisão em abrir o estabelecimento. Assim, criou o Gato Café, uma casa que serve como lar temporário para gatos resgatados pela ONG Bigodes do Bunker, e vende cafés e produtos alimentícios personalizados com desenhos de gatos.

Giovanna e os sócios, um deles a própria mãe, investiram R$ 190 mil para abrir uma loja em Botafogo, bairro do Rio de Janeiro. Segundo ela, o retorno desse investimento aconteceu oito meses depois de abertos. Sócia majoritária com 70% do negócio na mão, não precisou pedir empréstimo: "Eu tive muita sorte, porque na época que saí do antigo trabalho como arquiteta de cenário na TV Globo, ainda morava com meus pais, e pude guardar parte do salário que recebia".

Sem adoção, o negócio não existiria

Giovanna Bernardo Molinaro, 26, é arquiteta e dona do primeiro Pet café do RJ - divulgação - divulgação
Giovanna Bernardo Molinaro, 26, é arquiteta e dona do primeiro Pet café do RJ
Imagem: divulgação

Depois de decidir realmente abrir um pet café que contribuísse na adoção de gatos, Giovanna foi atrás para descobrir como fazê-lo. "A minha mãe é veterinária, e foi fundamental em todas as etapas. Me ajudou a criar o ambiente onde eles ficam hoje, e é a médica responsável pela saúde de todos os gatos que chegam".

Preocupada com o bem-estar dos bichinhos, a empreendedora procurou que seu negócio não explorasse os gatos como entretenimento dos seus clientes. E, "caso a adoção não fosse possível, a ideia não caminharia". Diante disso, filha e mãe, pesquisaram as diferentes instituições de adoção de gatos, e conheceram a ONG Bigodes do Bunker, que topou a parceria, e propôs que o Gato Café fosse um lar temporário.

"O 'Bigodes' resgata os gatinhos, e cuida deles em um local separado. Eles são vacinados, castrados, e fazem testes de doenças contagiosas antes de serem levados até nós. Para ajudar a instituição, nós cuidamos 100% dos gatinhos enquanto estão no Café. Têm assistência veterinária, alimentação e areia por nossa conta".

A casa onde está o Gato Café é separada em dois ambientes. Um está a cafeteria, enquanto o outro é exclusivo para os animais. Pois, de acordo com as normas da vigilância sanitária não é permitido animais em áreas de alimentação.
O processo de adoção é feito pela ONG. "Eu interfiro o mínimo. Quando o cliente demonstra interesse na adoção, nós entregamos um formulário. Assim, a instituição analisa e entra em contato com o adotante. Dado tudo certo, o interessado volta à loja para buscar seu novo companheiro".

Ao relembrar de uma das adoções, Giovanna explica a possibilidade de um gato adulto, segundo ela incomuns nas escolhas virtuais, de ser adotado: "Uma vez uma mulher chegou em busca de um gato jovem que viu nas nossas redes sociais. Ao chegar e entrar na área dos gatos, o dito cujo não deu a menor bola para ela. Ao contrário dele, um gato mais velho desceu de onde estava e se esfregou em suas pernas. Ela se apaixonou de imediato, e o adotou"

Mas e quem não quer adotar, e mesmo assim passar um tempo com os residentes do Gato Café? A empreendedora também pensou nessa possibilidade. "O público pode passar o tempo que quiser com os gatinhos mediante o pagamento de uma taxa que é calculada pelo tempo de visita, tal qual como acontece em estacionamentos de carro".

A pandemia não inibiu a clientela

O Gato Café fica localiado no bairro de Botafogo, no Rio de Janeiro. - divulgação - divulgação
O Gato Café fica localizado no bairro de Botafogo, no Rio de Janeiro.
Imagem: divulgação

Antes de abrir o Café, Giovanna estudou sobre empreendedorismo, e fez a reforma do local. Foram ao todo um ano de preparação, os seis primeiros meses para estudar e montar o plano de negócios, e os outros seis para encontrar o lugar. "Eu mesma desenhei o projeto, e toquei a obra. Quis projetar um lugar ideal para dar o máximo de conforto aos gatinhos".

Quando a pandemia chegou no Brasil, a arquiteta já tinha alugado a casa, estava no meio da obra, e não teve a alternativa de desistir. Diante disso, aditou a inauguração, e aproveitou para aperfeiçoar o projeto. Depois de adiarem três vezes, em julho de 2020 ela, e seus sócios, abriram o primeiro pet café do Rio de Janeiro.

"Com o vírus ainda em circulação, tive cautela no início. Contratei o mínimo de funcionários necessários, aluguei a menor máquina de café, e pedi um número pequeno de produtos para os fornecedores". Entretanto, foi surpreendida com o alto número de clientes já no primeiro final de semana, e precisou reformular essa ideia.

"Mesmo em meio a pandemia, sempre tivemos clientes". A empreendedora atribui o sucesso à inovação do negócio, mas não só, "toda nossa decoração foi pensada para ser um lugar instagramável, e com isso o marketing é feito pelos próprios clientes". Segundo ela, deu certo, e as pessoas que vão até o Gato Café, tiram foto do cappuccino e dos doces que são decorados com desenhos de gatos.

Os sócios não têm uma média de lucratividade por mês, e Giovanna justifica: "Vamos fazer essa conta ao completarmos um ano". De uma coisa eles já têm certeza: "Nossa loja é a primeira no ramo do Rio de janeiro, e nosso principal objetivo com a marca é, sobretudo, que sejamos sinônimo de pet cafés no Brasil. Para isso, já temos o capital inicial para abrir a segunda loja no Rio até o final do ano, e queremos abrir muitos outros até fora do Estado.

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