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Ela criou biquíni fio dental para plus size e apostou em redes para crescer

Cátia Cristina Rodrigues do Santos, da Maria Chickinha - Arquivo pessoal
Cátia Cristina Rodrigues do Santos, da Maria Chickinha Imagem: Arquivo pessoal

Deborah Bresser

Colaboração para Universa

27/02/2021 04h00

Ela faz moda praia para quem não tem medo de suas curvas ou de sua idade. Cátia Cristina Rodrigues do Santos, 52, comanda a Maria Chickinha, marca que oferece biquínis e maiôs para o público plus size, 50+ e quem mais vier. É moda inclusiva e ecologicamente correta, com produção que chega a 2.000 peças por mês.

Técnica têxtil, a hoje empresária atuava na área desenvolvendo cores e fazendo análise têxtil. "Há 20 anos, meu marido e eu resolvemos fazer moda praia", lembra Cátia. A princípio, sua fábrica funcionava apenas prestando serviços para outras marcas. "A gente recebia o tema, montava a coleção, confeccionava", conta.

Com pouco capital, ela tentou emplacar um modelo de "semi private label", em que a empresa cliente comprava o tecido para as peças e ela produzia. Alguns toparam, outros queriam o pacote completo. Apesar do risco, e de algumas vezes tomar calote, Cátia não desistiu.

Durante esse período, Cátia chegou a exportar para países como Portugal, Reino Unido e Itália.

Apostando em cadeia de mulheres para produção

Durante uma crise no câmbio brasileiro poucos anos depois, a empresária viu que era hora de mudar e decidiu investir em uma marca própria. Nascia assim, em 2005, a Maria Chickinha, sempre com peças customizadas, com técnica manual de macramê, fuxico, entre outros materiais artesanais.

Cátia usou os saberes e a mão de obra de mulheres das comunidades carentes no entorno da fábrica, que fica no Jardim Rina, em Santo André, na região metropolitana de São Paulo. "O reaproveitamento do material é feito por moradoras da comunidade, gerando renda. Elas produzem, montam equipes e fazem bolsas, xuxinha de cabelo, tapetes, chaveiro, gerando renda para elas", explica Cátia. "Fico feliz de ajudar."

Hoje, com maquinário de ponta para finalizar as peças, a empresária conta com uma equipe de mulheres de baixa renda que pode trabalhar tanto de casa quanto na fábrica. Todas são da comunidade. "A maioria é mãe e prefere trabalhar em casa, elas têm máquina, são rápidas."

Cátia também busca técnicas que reduzam o impacto ambiental do que produz. "Dou preferência para estampa digital, que gasta 95% menos água do que a estamparia convencional. Procuro tecidos que dão mais conforto. Há um tecido biodegradável, que é caro, mas se deteriora em cinco anos", explica a empresária.

Redes sociais ajudaram a crescer na pandemia

Na contramão da maioria, Cátia viu seu negócio crescer na pandemia. "Por incrível que pareça, consegui aumentar minhas vendas em 20% usando redes sociais como o Facebook e o Instagram", diz.

Outro segredo da Maria Chickinha foi fazer adaptações na modelagem das peças para atender a um público mais diverso, como mulheres plus size ou mais velhas. "Estou fazendo moda inclusiva. Criei um fio dental para modelos plus size, garantindo conforto e segurança. Sou modelista, eu sei fazer, é mais fácil entender que o cliente quer."

Cátia também atende em sua loja de fábrica, onde o contato com público final é rico em dicas para que ela faça mudanças nos produtos. Mesmo crescendo, ela quer mais. Seu desejo é voltar a exportar, já que biquíni é um produto sazonal e as estações do Brasil são inversas às dos outros países. Desta forma, ela pode garantir vendas o ano inteiro.

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