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Empresária superou doença e hoje fatura milhões no mundo dos games

Arquivo pessoal
Imagem: Arquivo pessoal

Renata Turbiani

Colaboração para Universa

08/03/2021 04h00

A empresária Pathrícia Rahyanne Cardoso, 41, vem de uma família abastada do Distrito Federal. Ainda assim, desde pequena demonstrou o desejo de ter o próprio dinheiro. Ela conta que, aos 8 anos, ao invés de usar os R$ 20 semanais que recebia do pai para se alimentar na escola, "investia" o valor e revendia salgadinhos para os colegas.

"Sempre fui uma menina atípica. E acredito que muito disso seja por conta da minha avó. Ela foi uma das primeiras advogadas de Brasília. Também teve uma empresa de equipamentos agrícolas e ousou se separar em uma época em que isso era mal visto. Foi a minha grande inspiração, e me ensinou a ser uma mulher que dita as próprias diretrizes", conta.

Precoce, Pathrícia se casou aos 16 anos. Nessa época, foi vendedora em outras lojas de roupas e em uma concessionária de carros de luxo. Também preparava sanduíches naturais - quase 2.000 por semana - para vários estabelecimentos da cidade onde mora.

Primeiro negócio: uma arara de lingeries dentro da OAB

No final dos anos 1990, foi trabalhar na Ordem dos Advogados do Brasil do Distrito Federal e lá criou seu primeiro negócio, a venda de peças íntimas sofisticadas. "A minha mesa ficava perto do banheiro feminino, então todas as mulheres do local passavam por mim. Vi ali uma oportunidade para fazer uma renda extra, mas não sabia muito bem em qual produto focar, até que me veio a ideia das lingeries", conta.

Ela, então, montou uma arara dentro do banheiro e iniciou as vendas, com a autorização da chefe, ressalta. A lojinha improvisada fez tanto sucesso que a levou ao mundo do empreendedorismo, com a criação da La Luna Lingeries, que operou por 10 anos. A decisão de fechar, explica a brasiliense, foi motivada pela necessidade de ficar mais perto dos filhos. "Me dediquei à família e não me arrependo. Mas, depois de um tempo, sentia que faltava algo", diz.

Depois de se separar, viveu pela primeira vez uma situação de incerteza financeira. "Mudei com as crianças para a casa da minha mãe e entrei em depressão, mas aos poucos reconstruí a minha vida", acrescenta.

Vício dos filhos em games levou à oportunidades

Ao se casar novamente, investiu com o marido em outros negócios. Mas foi a dificuldade de um de seus filhos, que passava várias horas por dia jogando no computador, que abriu oportunidades para seu maior sucesso.

"Érick, hoje com 15 anos, tem TDHA (Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade) e dislexia. Ele sempre adorou jogos, mas eu confesso que não enxergava que essa afinidade dele era, na verdade, uma habilidade. Procurei vários médicos até entender que eu devia dar apoio."

Aconselhada por um psicólogo, ela o matriculou em um curso de desenvolvimento de game, mas a experiência foi frustrante. "Não era nada do que tinham me vendido. Fiquei arrasada quando soube, mas pensei 'se não tem uma escola como queremos, vamos criar uma'."

Ela foi em busca de especialistas e pedagogos e, junto com o marido, começaram o negócio. Assim nasceu a MK + Academy, uma escola de desenvolvimento de games. O primeiro investimento foi para a compra de equipamentos, de R$ 50 mil. Do galpão passaram para uma unidade em um shopping de Brasília.

Revés durante a gravidez do quarto filho

Os negócios prosperavam até que, em 2017, a empresária sofreu um revés. Grávida do quarto filho, foi acometida pela síndrome de Guillain-Barré, uma doença autoimune que ataca o sistema nervoso. Ela diz que começou sentindo uma dormência nos pés e que rapidamente subiu pelo corpo. Em poucos dias, não conseguia mais andar e nem engolir.

"Foram 15 dias até o diagnóstico. Fiquei completamente paralisada, só mexia os olhos. Passei quatro meses na UTI, até quase o nascimento do Enzo, e foram oito meses para me recuperar totalmente. Os médicos diziam que eu nunca mais ficaria em pé, mas eu não aceitava isso, sempre acreditei que iria superar", afirma.

A ausência nos negócios provocou o fechamento dos negócios criados por ela e pelo marido. Sobrou a escola de games. Vendo o seu potencial, o casal focou as atenções nela e trabalhou sua expansão. Reestruturam tudo, mudaram de endereço e aumentaram o número de cursos. Lançaram a Ultimate Arena, para a prática de e-sports, e a MK+ Party, para a realização de festas com a temática gamer.

Em 2019, o faturamento da MK + Academy foi de R$ 2,3 milhões

No mesmo ano, a empresária decidiu transformá-la em franquia. Com o apoio de uma aceleradora, foram vendidas 17 novas unidades em várias regiões do país e quatro estão em funcionamento. Em 2020, a receita da rede foi de R$ 5 milhões, e ela diz que a pandemia não atrapalhou os bons resultados.

"Nos desdobramos nesse período, como todas as empresas, para buscar soluções. Utilizamos os mecanismos digitais para dar suporte para os alunos que já tínhamos e para alcançar novos. Trabalhamos todos os dias, mesmo com as escolas fechadas, focando em estratégia e planejamento, e iniciamos os cursos online. Conseguimos crescer", diz Pathrícia. Para 2021, o objetivo da marca é chegar a 120 unidades no país.

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