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"Qual máscara?": casal reúne dicas de proteção contra covid no Instagram

A divulgadora científica Beatriz Klimeck e o gestor de redes sociais Ralph Holzmann criaram perfil no Instagram para falar sobre proteção contra covid - Arquivo pessoal
A divulgadora científica Beatriz Klimeck e o gestor de redes sociais Ralph Holzmann criaram perfil no Instagram para falar sobre proteção contra covid Imagem: Arquivo pessoal

Nathália Geraldo

De Universa

06/03/2021 15h12

Se você esbarrou nos últimos dias em mensagens informativas sobre como escolher máscaras de proteção contra covid-19 nas redes sociais com o desenho dos acessórios mais recomendados e textos sobre a segurança de cada modelo, é possível que esse material seja originalmente do "Qual máscara?", um perfil criado no Instagram e no Twitter pelo casal Beatriz Klimeck e Ralph Holzmann.

No Instagram, a informação produzida por eles sobre tecidos, formas de uso ou de limpar as máscaras chegam a, até agora, mais de 64 mil seguidores. Mas o público pode ser bem maior, já que a ideia é que o conteúdo seja compartilhado em outras plataformas e conversas virtuais, diz uma das criadoras.

"Nossa intenção sempre foi ajudar as pessoas a tomarem decisão informada sobre as máscaras e produzir um material que fosse baixado para ser visto no WhatsApp, porque quando chega lá, é mais fácil de convencer no grupo da família", explica Beatriz, que é antropóloga, doutoranda em Saúde Coletiva pelo Instituto de Medicina Social da UERJ (Universidade do Estado do Rio de Janeiro) e Mestranda em Divulgação Científica e Cultural pela Unicamp.

Máscara contra covid: perfil traz informações nas redes sociais

Criado em dezembro do ano passado, o "Qual máscara?" surgiu depois que Beatriz fez um vídeo em seu perfil no Instagram sobre as máscaras que escolhia para se proteger durante a pandemia e que gerou repercussão, já que o uso do acessório é um dos métodos para minimizar a taxa de transmissão direta do coronavírus.

"Eu tinha passado por várias máscaras de pano e comecei a usar a PFF2 [o modelo começou a ser recomendado por países europeus no final de janeiro] e fiz um vídeo sobre isso. Começaram a chegar muitas pessoas no meu perfil, e resolvi criar outro para separar da pessoa física", conta. O conteúdo também está no Twitter.

A antropóloga, que fez dissertação de Mestrado sobre transtornos alimentares, como anorexia nervosa, e já atuava na divulgação científica no Youtube, resolveu mudar os temas e se aliou ao namorado para pesquisar e reunir o máximo de informações sobre as máscaras faciais.

O cocriador da página é o namorado de Beatriz, Ralph Holzmann, administrador público, mestrando em comunicação pela UFF, fotógrafo e gestor de mídias sociais. Segundo a dupla, eles não têm nenhuma relação com autoridades, órgãos públicos ou conflito de interesses.

No Instagram, o casal avisa que não é especialista na atuação do vírus. Beatriz prepara o material lendo os guias da OMS sobre medidas de proteção contra a covid-19, a opinião consensual de cientistas em revistas internacionais e informações de profissionais da Ciência confiáveis que também dividem conhecimento nas redes sociais. Parte do conteúdo precisa ser traduzido do inglês para o português, e ela e Ralph organizam as orientações de forma mais simplificada nos posts do Instagram.

Vale dizer que, segundo especialistas ouvidos por VivaBem, a recomendação do uso das máscaras profissionais (a PFF2 ou a N95) é para pessoas que frequentam locais muito aglomerados ou de alto risco, como hospitais.

"Na verdade, se a pessoa quiser utilizar [a PFF2 sempre], tudo bem, mas não tem tanta necessidade. Eu a deixaria para locais de maior risco para economizar e também não faltar para quem precisa", afirmou Vitor Mori, pesquisador da Universidade de Vermont, nos EUA, e membro do Observatório Covid-19. Se você ainda tiver dúvidas, a Anvisa tem uma cartilha sobre os cuidados com as máscaras faciais não profissionais, de onde, por exemplo, o "Qual Máscara" retirou informações para produzir o informativo abaixo.

Busca por informação

Na última semana, segundo Beatriz, o número de seguidores do "Qual Máscara?" dobrou. "A maioria das pessoas que chega ao nosso material se impressiona sobre as máscaras que usa, achando que estava protegida. O bom é que estão procurando se informar e, em um mundo de tanta gente equivocada, a informação é proteção", explica. "O interesse vem crescendo frente ao aumento de casos de mortes por covid, e quando se vê que a máscara é a forma de proteção, além das outras medidas e de ficar em casa, por exemplo, que é responsabilidade do indivíduo."

Para Beatriz, é fundamental que o conhecimento científico sobre as máscaras circule entre a população neste momento "em que o poder público, o maior chefe do país diz para não usar" e que "marcas vendem máscaras de tecido sem a Anvisa regular".

Confiança e divulgação da Ciência

Beatriz explica que desde 2016 fala de forma acessível sobre assuntos científicos, por ser a criadora da página "Você não é seu transtorno alimentar", no Facebook. Apesar de travar essa batalha pela informação correta, verificada e estudada por cientistas, pontua que não tem mais tanta crença na valorização da Ciência como o início da pandemia havia inspirado.

"Todo mundo está desesperado por vacina, mas ainda vemos cortes no financiamento da Ciência... Eu acredite mais no início que teria a valorização dessa área; mas, pelo menos, as pessoas estão mais cientes de procurar as informações corretas sobre o covid".

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