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"Dizem que não queriam alguém da minha cor", diz prefeita eleita de Bauru

A jornalista Suéllen Rosim (Patriota) foi eleita prefeita em Bauru - Rogério Lopes/Divulgação
A jornalista Suéllen Rosim (Patriota) foi eleita prefeita em Bauru Imagem: Rogério Lopes/Divulgação

Luiza Souto

De Universa

01/12/2020 04h00

"É um grande avanço político", responde de bate-pronto a prefeita eleita de Bauru (SP), ao ser questionada sobre a sensação de ser a primeira mulher a comandar a cidade.

Suéllen Rosim (Patriota), jornalista, 32, que nasceu em Dourados (MS) e se mudou para o interior de São Paulo pela profissão há 20 anos, foi eleita no último domingo (29), com 55,98% dos votos válidos na disputa com o médico Dr. Raul (DEM).

Em entrevista a Universa, Suéllen conta que resolveu deixar o cargo de repórter e produtora da TV TEM, afiliada da Rede Globo em Bauru, em 2018, para atender a convites para ingressar na carreira política. Por ser mulher —e ter como uma de suas propostas levar uma delegacia da mulher para a cidade—, ela diz que, a todo momento durante sua campanha, foi questionada se estava mesmo preparada para ser prefeita da cidade, que tem 379.297 habitantes, segundo estimativa do IBGE.

Mas foram comentários racistas num aplicativo de mensagens que levaram a hoje prefeita eleita a procurar a polícia.

"Fizeram comentários referentes à minha cor. Falaram que não queriam uma pessoa como eu governando a minha cidade."

Leia os principais trechos da entrevista:

Universa: Como é ser a primeira mulher eleita prefeita em Bauru?

Suéllen Rosim: Significa um grande avanço político, por conta da nossa participação feminina no meio. É uma honra e também uma grande responsabilidade. Sei que existem muitas mulheres engajadas, que são líderes em casa, em empresas e em outras áreas, e representá-las abre portas.

Você enfrentou situações de machismo até chegar onde queria?

Sim. Por ser mulher, a sensação era a de ter que provar duas vezes que podia administrar a cidade. Porque comentavam: "Poxa, mas você tem 32 anos, nunca teve experiência na prefeitura. Dificilmente encontramos alguém questionando um homem dessa maneira. As primeiras perguntas eram sempre se eu tinha condições.

E que situações de racismo você enfrentou?

Recentemente, num grupo de WhatsApp, fizeram comentários referentes a minha cor. Falaram que não queriam uma pessoa como eu governando a minha cidade. Fiz um boletim de ocorrência, para que haja punição. Quero que tenhamos o mesmo espaço, e vou lutar por isso. Acham que é mimimi, mas não é.

Como entrou para a política?

Entrei por conta da minha profissão. Enquanto repórter, a gente vai muito pra rua e, consequentemente, vai tendo contato com as pessoas, reportando os problemas da cidade. E minha família sempre foi politizada, meu pai já foi candidato a vereador na cidade dele, Biriqui. Então veio o convite para me filiar.

A senhora se define como conservadora. Dá para ser conservadora e feminista?

Dá. Tenho prazer em ser mulher, defendo nossas causas, mas carrego princípios, e eles são administráveis. Acredito no potencial da mulher e do homem. Cada um tem um jeito de enxergar e pode se ajudar. O fato de estar num partido conservador tem a ver com meus princípios, mas não me enxergo governando só para a metade. A gente pode ser diferente, mas consegue fazer a união entre duas frentes. Sei que, enquanto prefeita, a gente acaba nem discutindo assuntos como aborto, mas sou aberta ao diálogo. Estou aqui para representar a família, e essas pessoas serão ouvidas. Sou evangélica de berço [Suéllen frequenta o Ministério Produtores de Esperança], mas encontro junto às pessoas um ponto de equilíbrio.

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