PUBLICIDADE

Topo

"Demorei para enxergar beleza no meu corpo", diz modelo Letticia Muniz

Lia Rizzo

Colaboração para Universa

07/11/2020 04h00

"Tive uma vida de transtornos alimentares e de luta contra quem eu era. Só me libertei quando escolhi entre ser magra e ser feliz": assim a modelo e humorista Letticia Muniz começou o depoimento que precedeu o painel "Meu Corpo, Minha História" na terceira edição do Universa Talks.

Letticia se tornou um fenômeno nas redes sociais, onde contabiliza mais de 711 mil seguidores, ao propagar mensagens sobre amor-próprio e orgulho de suas formas - muitas vezes acompanhadas de suas fotos modelando. "Sou modelo hoje, mas levou tempo para enxergar a beleza além do que me foi ensinada e entender que não tinha um corpo errado".

A história da influencer é comum a muitas mulheres, famosas ou não. E o desconforto com a imagem nem sempre diz respeito a anatomia corporal apenas. Dolores Orosco, editora-chefe de Universa que conduziu o painel, introduziu a conversa compartilhando a angústia que sente eventualmente em relação às estrias que ficaram de herança após a gravidez de seu filho.

A história em cada corpo

Estilista e colunista de Universa, Ana Paula Xongani, que é mãe de uma menina, viveu mudanças parecidas em seu corpo: "adorei assistir a criança sendo gerada. Mas, claro, com ela vieram cicatrizes, estrias e outros sinais que já estavam ali e sutilmente começaram a ganhar mais protagonismo".

Dolores Orosco, editora-chefe de Universa, conversa com a empresária e colunista de Universa Ana Paula Xongani sobre cicatrizes e estrias - Mariana Pekin/ UOL - Mariana Pekin/ UOL
Dolores Orosco, editora-chefe de Universa, conversa com a empresária e colunista de Universa Ana Paula Xongani sobre cicatrizes e estrias
Imagem: Mariana Pekin/ UOL

No entanto, para Xongani as marcas viraram papo bonito e sensível com a filha, quando a criança questionou a existência delas. "Ela gosta muito de desenhar, então disse que fazia isso já dentro da barriga, onde não tinha papel. E que eu gostava muito de cada um daqueles desenhos".

Para a influencer Nina Gabriella, a magreza por muito tempo foi a grande meta. Aceitar e olhar suas formas com delicadeza levou tempo. "Foi um caminho longo e difícil. É um trabalho árduo e diário", contou. "Agora consigo me ver com mais amor e abraçar isso.", afirmou ela que, com frequência, divide com seguidores mais de 300 mil seguidores fotos sem maquiagem ou filtro, com espinhas e imperfeições a mostra. O que em nada compromete sua beleza, aliás.

Aceitação, o único caminho
Esconder sinais nem sempre é uma possibilidade. Desde os 9 anos, a modelo Giulia Dias, 22, convive com cicatrizes na face e na barriga em decorrência de um grave acidente de carro. Embora tenha vivenciado alguns conflitos internos momentâneos, sobretudo na adolescência, ela considera lidar bem com as marcas: "sempre me aceitei e hoje entendo o quanto é importante que gente como eu esteja exposta. O processo é lento, muitas vezes doloroso, mas a desconstrução de padrões é bonita".

Pioneira entre as blogueiras que abordaram body positive e conteúdo plus size, Juliana Romano lembro que "esconder" era a especialidade da moda para mulheres gordas. "Sempre gostei de moda, mas tinha uma relação complicada com isso. Antigamente mulheres fora dos padrões não tinham escolha que não fosse ocultar as características dela", afirmou.

Racismo, cicatriz social
Como em muitas outras esferas, é preciso observar também na jornada de aceitação, as interseccionalidades. "O racismo é uma grande cicatriz social e é preciso compreender que tudo passa por esse lugar", pontuou Ana Paula Xongani. A estilista e a influencer Nina Gabriella, duas das principais referências negras que falam sobre autoestima, lembraram que a diversidade ainda não contempla em totalidade as raças e etnias ou as populações minorizadas.

"E não tem como falar de pluralidade sem que as intersecções estejam acontecendo", disse Xongani. Nina lembrou ainda que os espaços de representatividade dessas mulheres não podem se restringir a debates sobre racismo. "Há negras gordas, especialistas em pele, conhecedoras de moda. Mas seguimos quase sempre chamadas para falar somente de negritude, quando podemos estar ali para muitos assuntos além de racismo".

::O evento Universa Talks - Conversas sobre autoestima, reuniu mulheres incríveis para falar de beleza, quebra de padrões e aceitação, em 4 de novembro de 2020::

Confira, aqui, o que rolou de mais legal na programação.

Discurso de abertura: Joice Berth.

A jornada do corpo gordo
Mediação: Maqui Nóbrega (colunista de Universa). Convidadas: Alexandra Gurgel (fundadora do @movimentocorpolivre), Dani Lima (criadora de conteúdo), Marcela Kotait (nutricionista) e Flávia Durante (criadora da feira Pop Plus).

Cicatrizes: meu corpo, minha história

Discurso: "Amor próprio é o novo sexy", com Letticia Munniz Mediação: Dolores Orosco (editora-chefe de Universa). Convidadas: Giulia Dias (modelo), Juliana Romano (criadora de conteúdo digital), Nina Gabriella (influenciadora digital) e Ana Paula Xongani (empresária e colunista de Universa)

A coisa mais moderna que existe nesta vida é envelhecer
Mediação: Silvia Ruiz (colunista do UOL). Convidadas: Carolina Ferraz (atriz e apresentadora), Zezé Motta (atriz e cantora) e Rosana Hermann (jornalista).

Os caminhos da autoaceitação

Bate-bola entre as colunistas de Universa Xan Ravelli (colunista de Universa) e Fabi Gomes (maquiadora e colunista de Universa).

Movimentos que constroem a autoestima

Mediação: Débora Miranda (editora de Splash e colunista de Universa). Convidadas: Yara Achoa (maratonista), Suelen Naraísa (surfista) e Ellen Valias (criadora do perfil @atletadepeso)

Assista aqui a íntegra do evento: