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A relação de amor das mulheres negras com óleos para pele e cabelos

Getty Images
Imagem: Getty Images

Silvia Nascimento

Da Mundo Negro, em colaboração para Universa

30/09/2020 04h00

Desde os tempos das nossas avós, os óleos sempre foram usados como um recurso acessível e natural para cuidar da beleza da pele e cabelos. O óleo de babosa, muito antes de cair nas graças da indústria cosmética, já fazia parte do arsenal de beleza para hidratar e ajudar no crescimento do cabelo das mulheres negras, que durante muitos anos alisavam seus fios por meio de métodos muito agressivos.

Com a fama de fazer cabelos crespos crescerem de forma mais rápida, o óleo de tutano é extraído da medula óssea do boi e contém substâncias ricas em colágeno, que selam as cutículas dos fios, deixando-os muito mais fortes.

Um outro queridinho das antigas que virou produto indispensável das crespas é o óleo de coco. A dermatologista Nandara Paiva explica por que ele funciona tão bem. "O óleo de coco é muito famoso para o uso nos cabelos, mas ele também funciona na pele. A gente recomenda que compre ele puro, porque tem muitas substâncias, como vitamina E, um antioxidante que é ótimo tanto para pele como para o cabelo", diz Nandara.

A dermatologista explica que o óleo de coco também tem ácido láurico. "É uma molécula que tem muita afinidade com o fio de cabelo, o que ajuda a penetrar no fio e manter a hidratação, deixando o cabelo mais brilhoso e fácil de pentear."

Na pele, o óleo de coco apresenta outras vantagens. "Alguns estudos falam bastante sobre o uso desse óleo na dermatite atópica. Quem tem esse problema tem uma pele com a barreira enfraquecida e aí fica mais suscetível à perda de líquidos, invasão de bactérias, agressões por raios ultravioletas, então acaba sendo uma pele que irrita muito facilmente. Com o óleo de coco, essa desidratação diminui", recomenda Dandara.

Esses óleos podem ser usados diretamente nos fios ou aliados a produtos de tratamento. Também podem ser borrifados nas pontas, como finalizadores.

Receitinhas com óleos essenciais

Os óleos essenciais são utilizados em diversos tratamentos estéticos e também em terapias holísticas. Eles são extraídos das flores, folhas, cascas e sementes. As características de cada óleo essencial dependem do clima, do cultivo, da extração e da concentração da verdadeira essência, o que determina a fragrância, a cor e a volatilidade.

Arina Gabriela, Carla Nunes e Silvana Fontoura são esteticistas especializadas em pele negra e juntas escreveram o livro "Pele Negra Segredos Revelados". O trio compartilha alguns truques em que os óleos essenciais podem ser usados com outros produtos que já tem em casa.

Cabelos

Óleo de alecrim, cedro conhecido por aumentar a circulação do couro cabeludo, favorece o crescimento capilar. Você pode adicionar 2 gotas no seu xampu, condicionador ou máscara de hidratação e massagear por de 5 a 10 minutos.

Pele

A melaleuca é indicada para peles acneicas por sua ação bactericida, antifúngica e cicatrizante. Adicione 2 gotinhas no seu sabonete líquido facial ou gel hidratante.

Já a mirra tem ação rejuvenescedora, antisséptica; o gerânio é rejuvenescedor, e a hortelã estimulante e também rejuvenescedora. Para usá-los, adicione 2 gotas de um deles no seu creme facial para potencializar os resultados.

Se sua pele é seca, os óleos essenciais indicados são camomila, lavanda e palmarosa, que devem ser diluídos no seu hidratante. Nunca use esses três diretamente na pele para não causar irritações, o que na pele negra pode significar manchas.