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Elas investiram R$ 50 mil e criaram serviço de aluguel de roupas para bebê

Gabriela Miranda, do Circulô - Divulgação
Gabriela Miranda, do Circulô Imagem: Divulgação

Marcelle Souza

23/09/2020 04h00Atualizada em 23/09/2020 11h48

Amigas há mais de 20 anos, as mineiras Luanda Oliveira, 38, e Gabriela Miranda, 42, decidiram empreender juntas depois de viverem uma experiência transformadora para ambas: a maternidade. Luanda acabara de ter o primeiro filho e Gabriela já tinha três meninas quando tiveram a ideia de criar um negócio com o objetivo de ajudar as famílias a encararem a velocidade com que bebês crescem (e perdem roupas) no primeiro ano de vida.

"Com a maternidade, a gente precisou pensar em novas possibilidades, achar uma opção de trabalho que se encaixasse nas limitações de tempo e de foco, mas explorando o nosso potencial criativo. A saída foi o empreendedorismo materno", conta Luanda.

As duas tiveram a ideia quando estavam voltando ao Brasil depois de um período na Europa. Gestada por elas durante dois anos, a Circulô foi lançada em novembro de 2019 com a proposta de oferecer aluguel de roupas para bebê.

"A gente se inspirou em iniciativas que existem em outros países da Europa e decidimos inovar no Brasil. Por aqui, muitas famílias já conheciam um modelo parecido, de aluguel de acessórios para crianças. Achamos que podia funcionar também com roupas", diz Luanda.

A empresa oferece kits para cinco fases do primeiro ano de vida: recém-nascidos, de 1 a 3 meses, de 3 a 6, de 6 a 9 e de 9 a 12 meses. Em cada caixa há um conjunto com 16 ou 18 peças, que servem de base para o guarda-roupa do bebê. Assim, cada família usa as roupas pelo tempo determinado, devolve e recebe um novo kit para os meses seguintes. Tudo passa por um processo de higienização na empresa antes de ser enviado a outra criança.

A ideia é garantir o mínimo para que a família possa investir em outras peças ou produtos que a criança realmente precise, valorizando a economia circular e o minimalismo, e reduzindo o impacto ambiental.

"Eu vejo que a sociedade está se preocupando mais com questões de ecologia, sustentabilidade, e sinto que é um momento muito propício para buscarmos novas ferramentas para reduzir um nosso impacto no planeta", diz Gabriela.

As estampas são exclusivas, as roupas não têm gênero e são feitas com algodão orgânico com certificado produção sustentável. "O que a gente quer é que as crianças sejam mais livres, com o mínimo de preconceito, que tenham conforto e não sejam rotuladas pela roupa", afirma Luanda.

"Optamos por usar apenas fibras naturais. Antes de lançar a marca, fizemos vários testes para saber como cada tecido reage a um número alto de lavagens, e escolhemos apenas os mais duráveis", diz Gabriela.

A modelagem é baseada em itens que elas usaram em casa e avaliaram que funcionava melhor para a correria do primeiro ano de vida dos pequenos. Assim, no lugar do body que passa pela cabeça, elas adotaram um modelo kimono. As calças só são fechadas no pé nos primeiros meses, porque depois podem dificultar a mobilidade das crianças.

A assinatura mensal do serviço básico custa R$ 232 e as empresárias garantem que é possível economizar entre 40% e 60% com o enxoval feito com produtos da mesma qualidade. Elas também destacam que o aluguel reduz o espaço necessário para armazenagem das peças.

Recentemente, a Circulô passou a disponibilizar uma plataforma para chá de bebê e as empresárias pretendem lançar em breve kits para gestantes.

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Imagem: Divulgação
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Imagem: Divulgação

Empreendedorismo materno

O investimento inicial do negócio foi de R$ 50 mil, e elas contam que ainda não recuperaram o valor.

Luanda conta que sempre foi atenta a questões de sustentabilidade, mas que a maternidade tornou esse tema emergente para ela. "Eu nunca pensei tanto sobre como cada ação minha impacta o mundo. Desde que a gente vira mãe, percebe que vale a pena cada esforço para deixar um lugar melhor para os nossos filhos", diz a empresária que tem um filho de 3 anos.

A Circulô tinha apenas alguns meses quando a pandemia surpreendeu as duas amigas. No começo, as vendas tiveram um leve aumento, mas a confecção responsável pelas peças teve que fechar temporariamente.

"O nosso negócio já estava pronto [para a pandemia], porque já funcionava online, e as pessoas não podiam sair para comprar roupas. Mas, como o nosso conceito é novo, perdemos a oportunidade de ir a feiras, que é o momento de explicar a proposta e de trocar mais com os clientes", explica Luanda.

Só que, com o isolamento social, difícil mesmo foi adaptar a demanda do negócio à dos filhos. "No meu caso, com três meninas fora da escola, fazendo tudo em casa, o meu grande desafio tem sido o tempo", diz Gabriela. Suas filhas têm 2, 6 e 9 anos.

Em toda a cadeia produtiva, elas priorizam o trabalho de mulheres, desde a confecção até a logística e entrega dos kits. "A gente optou por contratar apenas mães, porque sabemos o quanto o mercado de trabalho é difícil para nós. Então essa é uma pequena contribuição para ver um mundo com a participação de mais mulheres e mães", diz Gabriela.

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