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Maithuna: 9 curiosidades sobre o poderoso ritual sexual do Tantra

Maithuna, no idioma sânscrito, é um termo usado no Tantra para definir a união sexual num contexto ritualístico. - Prostock-Studio/Getty Images/iStockphoto
Maithuna, no idioma sânscrito, é um termo usado no Tantra para definir a união sexual num contexto ritualístico. Imagem: Prostock-Studio/Getty Images/iStockphoto

Heloísa Noronha

Colaboração para Universa

15/07/2020 04h00Atualizada em 17/07/2020 16h03

Maithuna, no idioma sânscrito, é um termo usado no Tantra para definir a união sexual num contexto ritualístico. Sim, "união sexual" em vez de simplesmente "sexo", porque os parceiros se conectam não só fisicamente, mas energeticamente e espiritualmente nessa vivência.

Tantra é um conjunto de práticas criadas há milênios pelos dradivianos, povo que vivia no norte da Índia. Essas práticas não visam somente a satisfação do corpo, mas melhorias no estilo de vida como um todo. Saiba mais sobre o ritual, que costuma ser realizado apenas por já iniciados nas artes do Tantra:

9 curiosidades sobre o Maithuna:

1. o Maithuna pode levar horas ou dias. A duração varia conforme as filosofias e escolas tântricas, que vão das mais tradicionais às modernas. Em geral, a cerimônia demora cerca de duas horas ou pode prosseguir por 21 dias, no caso de etapas mais complexas que incluem cuidados com o sono e a alimentação. O ideal é fazer tudo sem pressa e com 100% de dedicação.

2. O ritual é composto por outros ritos. Meditação, Pranayamas (respirações específicas), posturas de ioga, recitação de mantras (sons sagrados), invocação de divindades e visualização de yantras, diagramas de linhas e cores que representam o cosmos. Mudras, posições feitas com as mãos que nos permitem entrar em sintonia com certas frequências energéticas, também fazem parte do pacote.

3. E também é formado por diferentes práticas. O Maithuna é uma espécie de auge ou grand finale dessas experiências - isso não exclui a possibilidade de as pessoas sentirem muito prazer durante o processo. O clímax nem sempre envolve ejaculação, mas os chamados orgasmos "secos", mais potentes. Para a mulher, a onda de êxtase é intensa. Entre os estágios fundamentais estão as massagens Yoni, direcionada à vulva , e a Lingam, voltada ao pênis. Não se trata de masturbação, mas de estímulos mais completos e que visam o autoconhecimento.

4. Os envolvidos assumem papéis. O homem encarna o deus Shiva e a mulher, Shakti (sua contraparte feminina), unidos em Purusha (a consciência cósmica). A prática eleva a Kundalini, a energia vital que todo ser humano carrega dentro de si segundo a tradição hindu e que percorre o corpo como se fosse o movimento de uma serpente.

5. O ambiente é importante. Seja no chão forrado de edredons ou na cama arrumada com lençóis limpos e macios, o cenário é um ponto crucial do Maithuna. Tapeçarias, cortinas, óleos aromáticos, velas e imagens de Shiva e Ganesha costumam fazer parte da ambientação. Cores também são primordiais, em especial o vermelho e o laranja, estimulantes. O local também pode ter plantas, flores e música.

6. Massagem para despertar os sentidos. Outra técnica significativa é a Sensitive, também conhecida como massagem tântrica. Sua função é trabalhar o sentido do tato. O casal, simultaneamente, deve passar as pontas dos dedos devagarinho pelo corpo um do outro. A proposta é percorrer cada zona erógena sem pressa e sentir regiões que costumam ser negligenciadas durante as preliminares.

7. Olhos abertos, boca fechada. A troca de olhares - que deve durar no mínimo 10 minutos, com um sentado diante do outro - é um dos pilares básicos do sexo tântrico e tem papel importante no Maithuna para fortalecer o vínculo afetivo. Palavras não costumam ser pronunciadas durante o ritual. A ideia é estarem conectados pelo sentir, sem muita fala.

8. Respiração conectada. É mais uma forma de promover a ligação do ar. O ponto de partida é o abraço tântrico, posição também chamada de Yab Yum. O homem se senta com as pernas cruzadas e a mulher se posiciona em seu colo, envolvendo o quadril dele com suas pernas. É importante que passar algum tempo assim posição sem que haja penetração. O ar expirado pelo homem é inspirado pela mulher e vice-versa, formando uma respiração circular. O homem também deve se movimentar para frente e para trás, em círculos. Os batimentos cardíacos também se regulam. Segundo os preceitos do Tantra, a Yab Yum trabalha as polaridades feminina e masculina, aumentando o vínculo do casal . Essa etapa da respiração conjunta deve durar uns 15 minutos.

9. A penetração "passiva" é o último estágio do ritual. Existem várias posições sexuais, sendo que na maioria delas a mulher fica por cima ou na frente do homem. A penetração passiva funciona assim: a mulher introduz o pênis do parceiro em seu canal vaginal e se encarrega de fazer as contrações. Nessa hora, dominar a técnica do pompoarismo pode fazer uma boa diferença, pois os movimentos são mais amplos e fortes. O homem permanece quieto por um tempo, desfrutando as sensações. Quando o corpo feminino estiver pronto, lubrificado naturalmente, o parceiro pode se mexer com ele. Só que será diferente: em vez do "soca-soca" do sexo convencional, o Tantra ensina a fazer movimentos mais lentos e suaves. Todos os pontos internos da vagina são massageados e o clímax é arrebatador.

Fontes consultadas: Deva Geeta, terapeuta tântrica, de São Paulo (SP); Juliana Bonetti Simão, psicóloga especializada em sexualidade, de São Paulo (SP), e Tiago Brumatti, terapeuta tântrico e diretor do Paraíso Tantra - Centro Especializado em Massagem Tântrica, em São Paulo (SP).

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