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Após entrevista de ex abusivo de Rowling, organizações trans a defendem

A escritora J.K. Rowling, em Londres; ex-marido confirmou que a agrediu durante o casamento - Reprodução
A escritora J.K. Rowling, em Londres; ex-marido confirmou que a agrediu durante o casamento Imagem: Reprodução

De Universa, em São Paulo

12/06/2020 10h27Atualizada em 12/06/2020 13h00

Várias organizações beneficentes voltadas para a causa transgênero saíram em defesa de J.K. Rowling, a autora de "Harry Potter", após o tabloide britânico "The Sun" publicar uma entrevista com o ex-marido dela.

Na matéria, que apareceu na primeira página do jornal, o ex de Rowling admitiu que a agredia e disse que "não lamenta por isso". Ele afirmou que os incidentes, revelados por Rowling em um ensaio em seu site pessoal, foram fatos isolados, e disse que o relacionamento não tinha "um padrão de abuso".

A organização Mermaids, que trabalha apoiando crianças transgênero, escreveu no Twitter: "Nós condenamos a capa do jornal 'The Sun' de hoje. Como uma caridade trans, a nossa equipe lida com casos de abuso doméstico regularmente, e temos solidariedade inquestionável com todas as vítimas desta violência. Nenhuma vítima, ou grupo vulnerável, deveria ser usado para vender jornais".

A Gendered Intelligence, que busca dar melhor qualidade de vida para adultos trans no Reino Unido, seguiu a mesma linha: "Solidariedade com J.K. Rowling neste momento em que um jornal de circulação nacional deu voz a seu abusador. Estamos unidos em condenar isso — não vamos ser transformados em inimigos nesta luta. As pessoas trans sofrem com os mesmos sistemas de opressão, e nós somos contra todas as violências, contra todas as mulheres".

Os comentários da autora

A polêmica em torno de Rowling começou na noite do último dia 6 de junho, quando ela fez uma "brincadeira" no Twitter sobre um artigo do site Devex que mostrava como o novo coronavírus afeta desproporcionalmente "pessoas que menstruam". Rowling ironizou que já havia um termo mais simples para pessoas que menstruam: mulheres.

Os seguidores da autora logo apontaram, no entanto, que homens trans também menstruam, e que mulheres trans não menstruam — e nem por isso não são mulheres. Rowling continuou tuitando sobre o assunto depois.

"Respeito o direito de toda pessoa trans de viver da maneira que lhe parecer autêntica e confortável. Eu marcharia com você se fosse discriminado por ser trans. Ao mesmo tempo, minha vida foi moldada por ser mulher. Não acredito que seja odioso dizer isso", escreveu.

Ela explicou ainda que é "empática com pessoas trans há décadas" e que pensar que ela odeia pessoas trans porque considera questões de gênero "é absurdo".

O ensaio

Em resposta à polêmica sobre suas declarações inicias, a autora assinou um extenso ensaio postado em seu site oficial, onde disse se preocupar com o bem estar de pessoas trans, mas criticou uma "explosão de ativismo" que, no ponto de vista dela, está ameaçando a segurança de mulheres.

Neste mesmo texto, ela falou sobre o seu casamento abusivo, e disse que por isso se solidariza com pessoas trans que sofrem violências.

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