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Viúva pediu PF no caso Marielle, mas recuou: "Como esta PF vai investigar?"

Marielle Franco (à esq.) e Monica Benicio: "Como a PF que Bolsonaro quer controlar vai investigar?" - Reprodução/Instagram/@monicaterezabenicio
Marielle Franco (à esq.) e Monica Benicio: "Como a PF que Bolsonaro quer controlar vai investigar?" Imagem: Reprodução/Instagram/@monicaterezabenicio

Elisa Soupin

Colaboração para Universa

27/05/2020 04h00

A votação no Superior Tribunal de Justiça que decidirá hoje (27) pela federalização ou não da investigação do assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes acontece em meio a muita controvérsia. Uma campanha da família de Marielle, que circula nas redes sociais com a #FederalizaçãoNão, já conta com mais de 120 mil assinaturas, e pede que o caso permaneça na esfera estadual, sendo investigado pela Polícia Civil do Rio de Janeiro.

Ativistas, famosos, influenciadores e familiares da vereadora, morta no dia 14 de março de 2018, acreditam que a federalização do caso pode afetar as investigações de maneira definitiva, já que quem passaria a investigar seria a Polícia Federal. "A gente cobra uma investigação imparcial. O problema é que, caso haja federalização, a Polícia Federal que vai fazer a investigação é a Polícia Federal que o Bolsonaro quer controlar e fazer intervenção. De que forma esta PF vai investigar o caso?", questiona a viúva de Marielle Franco, Monica Benicio.

O problema apontado pela campanha é a afirmação, por parte do ex-ministro da Justiça Sérgio Moro, de que o presidente Jair Bolsonaro demonstrou interesse em intervir na Polícia Federal do Rio de Janeiro.

A operação deflagrada pela PF no Rio para investigar supostos desvios de recurso no combate à Covid-19, que mandou apreender e quebrar sigilo de celulares e computadores do governador Wilson Witzel nesta terça (26), é criticada justamente por isso.

Irmã também é contra federalização

"Acredito que a família deveria ter um peso e uma voz nesse tipo de situação. Não dá para decidir a vida de uma pessoa sem consultar a família. E nós, da família e do Instituto Marielle Franco, acreditamos que a federalização não é o caminho mais viável", diz Anielle Franco, irmã da vereadora.

"Porque a gente não tem nenhuma prova técnica de que as investigações em âmbito estadual não estejam ocorrendo bem. Tirar a investigação daqui agora é mexer com toda uma estrutura que já está montada, quando a gente está vendo uma bagunça muito grande nas esferas federais", diz.

Viúva queria PF, mas voltou atrás

Nesta quarta completam-se 805 dias sem respostas sobre quem são os mandantes do crime que tirou a vida de Marielle e do motorista Anderson. No passado, a ex-mulher de Marielle chegou a pensar que a federalização do caso poderia ajudar a chegar a um desfecho mais rápido.

"Eu pedi a federalização do caso ao Raul Jungmann [ministro da Defesa no governo Temer]. Na ocasião, não havia nem um ano do crime e o Ronnie Lessa e o [Élcio de] Queiroz [PM reformado e ex-PM que vão à júri popular pelo crime] não tinham sido presos ainda. A investigação da Polícia Civil do Rio acontecia em sigilo, e a família ficava sem notícia. Era tudo muito vedado, eu ficava agoniada e achava muito desrespeitoso a gente não saber de nada", afirma.

"Hoje, existe um diálogo com Polícia Civil, existe um andamento do caso. Lógico que, a essa altura, a gente queria que o caso já estivesse resolvido, mas a gente sabe que aqui há um acompanhamento", diz Monica Benicio.

"Presidente sempre mostrou desdém"

A desconfiança sobre os rumos que a investigação irá tomar caso pare nas mãos da Polícia Federal resvala nas intenções da presidência da República quanto ao caso.

"O presidente sempre abordou o caso Marielle de uma maneira muito violenta em seu discurso. É um caso pelo qual ele nunca teve interesse — pelo contrário, sempre se manifestou com desrespeito, desdém, até a família dele ser citada. E diz publicamente que quer fazer mudanças na PF do Rio especificamente", diz Monica.

No site que recolhe assinaturas contra a federalização, uma iniciativa da família, do Instituto Marielle Franco e da Coalizão Negra por Direitos, são elencadas mais suspeitas quanto à forma como a investigação será conduzida, caso federalizada.

"Nas últimas semanas, denúncias apontaram indícios concretos de que o Presidente da República tentou interferir na Polícia Federal do Rio de Janeiro para blindar sua família de investigações. Pra piorar [...], surgiu a notícia de que Flávio Bolsonaro recebeu informações privilegiadas da Polícia Federal para alertar o deputado sobre a investigação de esquema de corrupção em seu gabinete", diz o texto.

Famosos aderem à campanha

Entre as mais de 120 mil assinaturas recolhidas até agora, muitos nomes de famosos estão presentes. Entre eles, Alice Wegmann, Aline Morais, Caetano Veloso, Camila Pitanga, Debora Nascimento, Leandra Leal, Nanda Costa, Petra Costa, Taís Araújo e Zélia Duncan.

No Twitter, o influenciador Felipe Neto se manifestou contrariamente à federalização:

A atriz Patrícia Pillar também falou sobre o caso em sua conta:

O ator Armando Babaioff foi outro que compartilhou a campanha:

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