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Federação dos EUA: jogadoras ganham menos porque têm responsabilidade menor

Seleção feminina dos EUA cobram US$ 67 milhões com base em Lei de Igualdade Salarial; equipe venceu a Copa do Mundo 2019 - Lionel Bonaventure/AFP
Seleção feminina dos EUA cobram US$ 67 milhões com base em Lei de Igualdade Salarial; equipe venceu a Copa do Mundo 2019 Imagem: Lionel Bonaventure/AFP

Do UOL, em São Paulo

10/03/2020 18h20

Advogados da Federação de Futebol dos Estados Unidos (US Soccer) alegaram ontem que jogadoras de futebol são menos habilidosas e trabalham em funções menos exigentes que jogadores.

Segundo o site BuzzFeed News, a argumentação apresentada faz parte do processo no qual a US Soccer tenta provar que não discriminou a seleção feminina dos EUA, campeã da Copa do Mundo de 2019, com base em questões de gênero.

Na ação, a equipe busca pagamentos iguais aos dos atletas da seleção masculina. Ao todo, o grupo quer cerca de US$ 67 milhões (mais de R$ 350 milhões) retroativos, baseando-se na Lei de Igualdade Salarial, uma lei trabalhista assinada nos EUA em 1963.

"O trabalho de um jogador da seleção masculina carrega mais responsabilidade dentro da US Soccer que o trabalho de uma jogadora da seleção feminina", afirmou a defesa da entidade, que ainda se baseou em diferenças biológicas e "inquestionável ciência" para defender pagamentos inferiores às jogadoras. As cobranças e as hostilidades das quais os jogadores são alvos em partidas também foram citadas pela Federação como evidências de que o trabalho da equipe masculina exige mais.

O presidente da US Soccer, Carlos Cordeiro, chegou a divulgar uma carta no começo do mês, alegando ter feito uma oferta para que as jogadoras recebem valores semelhantes aos masculinos. A seleção feminina, porém, afirmou que os valores apresentados foram negociados pela seleção masculina em 2011. Além de desatualizados, já estariam em renegociação.

Jogadoras respondem

De acordo com documentos de fevereiro de 2020, um advogado da Federação perguntou à meio-campista Carli Lloyd, bicampeã da Copa do Mundo (2015 e 2019) e dos Jogos Olímpicos (2008 e 2012) se "o time poderia ser competitivo contra a seleção masculina".

"Não tenho certeza", respondeu a jogadora do Sky Blue FC. "Devemos lutar para ver quem vence, e aí receberemos melhores pagamentos?"

À atacante Alex Morgan, questionou: "Você acha que é necessário ter mais habilidade para jogar na seleção masculina dos EUA do que na feminina?". A jogadora do Orlando Pride respondeu que não. "É uma habilidade diferente."

Os questionamentos e a carta divulgada por Carlos Cordeiro foram recebidos de maneira negativa pelas atletas.

"É decepcionante ver isso não apenas da Federação, mas pessoalmente de Carlos", analisou a ponta Megan Rapinoe, segundo o site da ESPN local. "Acho que isso mostra a diferença em algumas questões."

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