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Após divórcio, amigas criam plataforma para ensinar mulheres a investir

Da esquerda para a direita: Simone, Regina, Marilene e Luciane, da GIMI  - Divulgação
Da esquerda para a direita: Simone, Regina, Marilene e Luciane, da GIMI Imagem: Divulgação

Renata Turbiani

Colaboração para Universa

09/03/2020 04h00Atualizada em 09/03/2020 11h18

O mercado financeiro ainda é um território muito masculino. Apesar disso, o número de mulheres falando sobre o tema e cuidando dos próprios investimentos vem se tornando mais expressivo ao longo dos anos. Para se ter uma ideia, a participação delas na compra e venda de ações, de acordo com a Bolsa de Valores de São Paulo (B3), aumentou de 15 mil, em 2002, para 388,5 mil, em 2019.

Focadas em ajudar essa turma a ter cada vez mais autonomia com seu dinheiro, as empresárias e investidoras Regina Giacomelli Politi, Simone Schapira Wajman e Marilene Bertoni Nigro, e a economista Luciane Ribeiro, lançaram ontem, no Dia Internacional da Mulher, uma plataforma de educação financeira exclusiva para o público feminino.

Batizada de GIMI (Grupo Independente de Mulheres Investidoras) Network, ela contempla duas vertentes. A primeira é educacional, com cursos presenciais que abordarão temas como renda fixa e variável, legislação, economia e investimentos. Para o primeiro semestre estão programados o Fundamental e o Intensivo.

Eles são divididos em três módulos, com carga horária de 16 horas - seis aulas de três horas -, e serão ministrados no Lounge One do Shopping Iguatemi São Paulo. Até 31 de maio, estão com preço promocional de R$ 2.700 por módulo. Depois dessa data, passam para R$ 3.000. O corpo docente é composto por professores da FGV (Faculdade Getúlio Vargas (FGB), do IBMEC, da FIA (Fundação Instituto de Administração) e do Insper, entre outras entidades.

"Os cursos são em português, e não em economês, como a maioria. Nos preocupamos que tivessem uma linguagem fácil e acessível para que mulheres de todas as idades e diferentes níveis de conhecimento aprendem sobre finanças e possam tomar as próprias decisões", comenta Regina, uma das idealizadoras do projeto. "Outro diferencial é que eles são 100% presenciais, para que haja uma troca e se criem vínculos", acrescenta.

No segundo semestre de 2020, adianta a sócia, serão acrescentados à grade cursos complementares de temas como fundos imobiliários, investimento no exterior, legislação, ações, planejamento sucessório e leitura de balanços corporativos. Mais para frente, também serão desenvolvidos ações e cursos gratuitos voltados para mulheres e empreendedoras de baixa renda.

A outra aba da plataforma é a de experiências e networking, que funcionará como um clube para associadas. Para fazer parte, o valor anual é de R$ 1.800, e estão inclusos quatro encontros com líderes corporativos, profissionais do mercado financeiro e influenciadores de opinião, dois almoços com pessoas reconhecidas que atuam em diversas áreas de negócios, uma consultoria individual com Luciane Ribeiro e participação em grupos de Whatsapp, sendo que cada um será limitado a 20 pessoas.

"É uma rede de confiança com troca de experiências e conteúdos exclusivos. O nosso propósito é o conhecimento, porque dinheiro você até pode perder, mas o conhecimento nunca. Essa é uma oportunidade muito rica para as mulheres ampliarem o seu saber e também a lista de contatos", diz Regina.

Reviravolta após divórcio

O GIMI Network nasceu em 2017, quando Regina teve de tomar as rédeas de sua vida financeira após um divórcio. Sem entender nada do assunto, pediu ajuda às amigas Simone e Marilene, que já cuidam de seus patrimônios próprios e familiares há vários anos.

"Após a separação, fiz alguns cursos para entender melhor esse universo, só que todos eram técnicos demais e eu não conseguia acompanhar e nem aprender. Conversei, então, com elas duas e sugeri que a gente montasse um grupo. A ideia era chamar os professores que conheci para nos darem aulas, mas algo sob medida para as nossas necessidades", conta a sócia.

Os encontros começaram pequenos e, aos poucos, foram atraindo a atenção de mais colegas e conhecidas - em 2019, já eram 20 participantes. Depois que as empresárias deram entrevista para um jornal de grande circulação, aí a procura explodiu. E foi para atender a essa demanda que as três amigas, junto com Luciane, decidiram fundar a empresa.

"Eu nunca quis saber de finanças, não gostava do assunto, mas, depois do divórcio, percebi o quanto é importante. Muitas mulheres certamente passarão por algo parecido, e é importante que sejam despertadas o quanto antes. A nossa plataforma veio justamente para preparar e ajudá-las a entender esse universo de maneira fácil e acolhedora", completa Regina.

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