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Aos menos 19 capitais têm mulheres cotadas para eleições municipais de 2020

A ex-deputada federal Manuela d´Ávila lidera as pesquisas para intenção de voto em Porto Alegre - Lucas Lima/UOL/Folhapress
A ex-deputada federal Manuela d´Ávila lidera as pesquisas para intenção de voto em Porto Alegre Imagem: Lucas Lima/UOL/Folhapress

Camila Brandalise

De Universa

06/03/2020 04h00Atualizada em 03/04/2020 11h19

Ainda que as candidaturas para as eleições municipais de 2020 tenham até o dia 15 de agosto para serem registradas, os nomes dos possíveis candidatos já vêm sendo ventilados. E 19 das 26 capitais brasileiras já contam com mulheres cotadas para disputar as prefeituras.

Poucas pré-candidaturas, vale ressaltar, foram oficializadas até agora. Os partidos ainda estão organizando as convenções que definirão os nomes. Universa procurou os quatro partidos da maioria desses nomes femininos, PT, PSOL, PSDB e PDT, para confirmar se elas vão, de fato, sair candidatas. Mas apenas o PSDB respondeu, salientando que pretende lançar um curso no formato de ensino à distância para as pré-candidatas — que também inclui interessadas ao cargo de vereadora — a ser lançado em março.

Até agora, são 30 nomes femininos que aparecem no horizonte político para as eleições de outubro para ocupar a prefeitura de uma capital. Se o número se confirmar, será menor do que o de candidatas que concorreram em 2016: naquele ano, foram 36, e apenas uma, Teresa Surita (PMDB-RR), de Boa Vista, foi eleita.

No Sudeste, Rio de Janeiro lidera

São quatro as pré-candidatas de peso na capital fluminense: as deputadas federais Benedita da Silva (PT) e Clarissa Garotinho (PROS-RJ); a ex-secretária de Cultura da gestão de Marcelo Crivella, Mariana Ribas (PSDB-RJ), e a deputada estadual Martha Rocha (PDT-RJ).

Martha Rocha - Ricardo Borges/UOL - Ricardo Borges/UOL
A deputada estadual Martha Rocha (PDT)
Imagem: Ricardo Borges/UOL

Primeira mulher na história a chefiar a Polícia Civil do Rio de Janeiro, Martha aparece na melhor colocação entre as mulheres nas pesquisas para intenção de voto. Na última, do Datafolha, em dezembro, estava em quarto lugar — seguida por Eduardo Paes (DEM-RJ), Marcelo Freixo (PSOL-RJ) e Crivella (Republicanos-RJ).

Em conversa com Universa, Martha confirma sua candidatura e afirma que sua trajetória na segurança pública será usada para resolver um dos grandes problemas da capital fluminense. "A prefeitura deve se apresentar como um reforço para as ações do estado do Rio que possam inibir a violência", diz ela, que afirma já estar se debruçando sobre os problemas da cidade.

Em Belo Horizonte, uma possível candidata, a deputada federal Áurea Carolina (PSOL-MG), aparece em terceiro lugar nas pesquisas. Há um nome também em Vitória, com a pré-candidatura de Jaqueline Rocha (PT-ES), já confirmada.

São Paulo prevê embate entre Joice Hasselmann e Sâmia Bomfim

Em São Paulo, até agora há dois nomes femininos. A deputada federal Joice Hasselmann (PSL-SP) já bateu o martelo sobre sua candidatura. Em entrevista à rádio CBN, em janeiro, disse que sairia, sim, pelo PSL, e negou uma aliança com o prefeito Bruno Covas (PSDB-SP) por ele ser "alinhado à esquerda", segundo ela.

Joice afirma ser a única voz de direita para a disputa na capital paulista, e não apenas entre mulheres, mas em relação a todos os candidatos. Ela diz, ainda, que quer deixar São Paulo no "padrão Manhattan".

A deputada federal Sâmia Bomfim (PSOL-SP) é quem poderá fazer contraponto a Joice. O partido ainda avalia as candidaturas do deputado estadual Carlos Giannazi e Guilherme Boulos. Em entrevista a Universa em agosto, Sâmia afirmou que a discussão sobre sua candidatura era "inevitável".

Sâmia Bomfim - Julia Rodrigues/UOL - Julia Rodrigues/UOL
Sâmia Bomfim, pré-candidata à prefeitura de São Paulo pelo PSOL
Imagem: Julia Rodrigues/UOL

"Meu perfil precisa ser valorizado: sou jovem, tenho uma ideologia firme, não tenho medo de polêmica", disse, afirmando, entretanto, que não tinha chance de vencer. "As máquinas eleitorais dos outros partidos são brutais. Ainda assim, pode ser útil para criar uma onda progressista, uma opção para a nova esquerda e até para que outras mulheres se vejam como candidatas."

No Nordeste, Salvador pode eleger primeira mulher negra

Denice Santiago - Lorena Vinturini/BBC - Lorena Vinturini/BBC
Denice Santiago, major da PM da Bahia e cotada para concorrer à prefeitura
Imagem: Lorena Vinturini/BBC

Salvador, que tem 80% da população formada por pretos e pardos, nunca teve um prefeito negro. E, para 2020, existe uma mobilização da esquerda para que mulheres negras com nomes de prestígio possam quebrar essa barreira histórica.

Dentro do PT, dois nomes já foram cogitados: Vilma Reis, socióloga e importante figura do movimento das mulheres negras no país, e Denice Santiago, major da Polícia Militar da Bahia, uma das precursoras da Ronda Maria da Penha, ação voltada para ajudar mulheres em situação de violência doméstica.

Pelo PCdoB, a pré-candidata é a deputada estadual Olivia Santana, também militante pelo direitos das mulheres negras e fundadora da Unegro (União de Negros Pela Igualdade), entidade nacional com a pauta da igualdade racial, de gênero e de classe.

A lista de pré-candidatas ainda conta com a deputada federal Lídice da Mata (PSB-BA), que foi a primeira prefeita mulher de Salvador, em 1992.

Também aparecem como nomes cotados na região Nordeste as seguintes deputadas federais: Tereza Nelma (PSDB-AL), em Maceió; Luizianne Lins (PT-CE), em Fortaleza; Marília Arraes (PT-PE), em Recife; Natalia Bonacides (PT-RN), em Natal; e a vice-governadora do Sergipe Eliane Aquino (PT-SE), em Aracaju.

No Norte, Shéridan Oliveira (PSDB) é uma das apostas em Boa Vista

Shéridan Oliveira - Shéridan Oliveira - Shéridan Oliveira
Shéridan Oliveira é deputada federal pelo PSDB
Imagem: Shéridan Oliveira

O PSDB-Mulher confirmou o nome da deputada federal Shéridan Oliveira para concorrer à prefeitura de Boa Vista — a candidatura, porém, ainda não foi confirmada. Angela Portela, do PT, é outro nome já ventilado para a capital de Roraima.

O PSDB afirma ter como prioridade a reeleição de Cinthia Ribeiro em Palmas, por enquanto a única mulher na lista para as eleições na cidade.

Em Belém, o nome feminino mais cotado até agora é o de Ursula Vidal (sem partido), secretaria de Cultura do governo Helder Barbalho (MDB).

Centro-oeste aparece com quatro nomes

Superintendente do Procon de Mato Grosso, Gisela Simona (PROS-MT) é o nome feminino que figura, hoje, entre os pré-candidatos para a prefeitura de Cuiabá.

Em Goiânia, a deputada estadual Adriana Accorsi (PT-GO) é uma das apostas, e pode concorrer com a vereadora do PL Cristina Lopes. Em Campo Grande, a deputada federal Rose Modesto é a carta na manga do PSDB.

No Sul, Manuela d´Ávila lidera em Porto Alegre

A ex-deputada federal Manuela d´Ávila (PCdoB-RS) lidera as pesquisas de intenção de voto em Porto Alegre. Levantamento realizado pelo Instituto Methodus e divulgado pelo jornal "Correio do Povo" em dezembro mostrou a vice de Fernando Haddad (PT-SP) nas eleições de 2018 em primeiro lugar, com 16,5% das intenções, seguida pela deputada federal Maria do Rosário (PT-RS), outra pré-candidata, com 10,2%.

Deputada Paulinha - Arquivo Pessoal - Arquivo Pessoal
A deputada estadual Ana Paula da Silva, a Paulinha, nome ventilado para concorrer à prefeitura de Florinaópolis
Imagem: Arquivo Pessoal

Também para as eleições de Porto Alegre, aparecem os nomes da deputada estadual Juliana Brizola (PDT) e da deputada federal Fernanda Melchionna (PSOL-RS).

Em Curitiba, figura a deputada estadual Maria Victoria (PP-PR) e, em Florianópolis, o candidata feminina já cogitada é a deputada estadual Paulinha (PDT-SC), que foi a quinta parlamentar mais votada entre os 40 eleitos no estado.

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