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Maria da Paz, Paloma e Lola: o que vocês precisam para brilhar nos negócios

Juliana Paes é Maria da Paz, a boleira empresária em "A Dona do Pedaço" - Victor Pollak/Globo
Juliana Paes é Maria da Paz, a boleira empresária em "A Dona do Pedaço" Imagem: Victor Pollak/Globo

Claudia Varella

Colaboração para Universa

11/11/2019 04h00

Uma mulher é dona de casa, mas faz tricô e crochê para vender na vizinhança a fim de aumentar a renda da família.

A outra tem emprego formal, mas nas horas vaga costura para alguns clientes e vende suas peças na feirinha do bairro, pois seu sonho é, um dia, ser estilista e viver dessa nova profissão.

A terceira mulher já é uma empresária. Tem uma confeitaria com várias unidades, mas sempre está em apuros em relação à grana porque seu problema é a falta de gestão financeira, confundindo fluxo de caixa com salário.

Reconheceu alguma dessas mulheres? Elas protagonizam as três principais novelas que estão no ar na Rede Globo: Lola, vivida pela atriz Glória Pires em "Éramos Seis"; Paloma, personagem de Grazi Massafera em "Bom Sucesso"; e Maria da Paz, estrelada por Juliana Paes no horário das 21h com a novela "A Dona do Pedaço".

Ou seja, as três personagens protagonistas da Globo têm uma grande característica em comum: querem empreender. Mas, se elas saíssem da ficção e vivessem a vida real, o que deveriam fazer para ter sucesso em seus negócios?

Para Deborah Machado, consultora de negócios da Goakira, especialista em varejo, todas as personagens apresentam um traço muito comum no empresariado brasileiro: o dom.

"Elas têm negócios que podem decolar, pois têm características únicas e paixão. Só que um dom sem preparo é uma oportunidade perdida e, no caso das personagens, falta a boa gestão, que nada mais é do que planejar, fazer, checar e agir, ou corrigir o que vemos todos os dias", afirma Deborah.

A dica principal para as três empreendedoras é estudar o mercado em que estão ou em que desejam autuar e se planejem. "O bastidor de qualquer empresa passa por estudo e planejamento", declarou Juliana Segallio, consultor de negócios do Sebrae-SP.

Maria da Paz, é hora de entender de gestão financeira

Ser dona do próprio negócio é viver em alerta constante. "Você tem de estar atenta a tudo. O planejamento financeiro e seu fluxo de caixa devem estar atrelados a uma precificação correta, a uma estrutura de custos, ao controle de estoques, à previsão de vendas", indica Juliana, do Sebrae.

Na novela, a boleira Maria da Paz usa o dinheiro da empresa para fins pessoais e faz empréstimos no banco para mandar sua fábrica. "Todas as pecinhas da gestão financeira devem estar conectadas, para que o empreendedor tenha uma visão mais ampla da sua capacidade financeira."

Deborah, da Goakira, diz que a premissa inicial para o sucesso de qualquer negócio é separar pessoa física da pessoa jurídica e manter como capital de giro o equivalente a seis meses de despesas da empresa, "para que o empresário possa suportar crises, aumentos pontuais ou variação no preço de insumos, por exemplo".

"Ao contrário do que a maioria das pessoas pensa, um negócio próprio é algo que depende de muita dedicação, esforço e suor, mas sempre aliados ao conhecimento, para que tudo isso seja assertivo e traga o resultado desejado", declarou.

Paloma é a personagem de Grazi Massafera, que sonha em ser estilista em Bom Sucesso - Globo/Divulgação
Paloma é a personagem de Grazi Massafera, que sonha em ser estilista em Bom Sucesso
Imagem: Globo/Divulgação

Paloma, largue o emprego para se dedicar ao negócio

Primeiro passo para que Paloma, a costureira da novela das 7, consiga realizar o sonho de uma confecção: prepare-se para assumir seus negócios.

"Hoje, há muita gente que mantém atividades paralelas ao seu trabalho formal. O início é até administrável, mas chega um momento em que o empresário precisa se dedicar integralmente para que o negócio deslanche de vez", diz Deborah. Na novela, Paloma até já fez um desfile para apresentar sua marca, mas o emprego como acompanhante e a certeza do salário no fim de cada mês impedem que o sonho prospere.

E como fazer isso? A consultora diz que não há fórmula exata. Mas o primeiro passo é montar uma modelagem de negócios. "Para isso, existe o canvas, uma ferramenta muito utilizada pelo empreendedor para fazer um esboço do planejamento do negócio que você quer", disse Juliana. O Sebrae oferece uma versão da ferramenta: o Sebrae Canvas.

Planejar o negócio antes de colocar as ideias em prática é fundamental para evitar sustos e intercorrências. Com o planejamento em mãos, o empreendedor poderá verificar o potencial real de faturamento e se preparar para construir uma reserva que permita que ele deixe o emprego formal e entre efetivamente no seu negócio, segundo Deborah.

Com o planejamento em mãos e antes de se dedicar 100% a ele, a empreendedora deve testar o produto ou serviço. "O teste é para validar se aquilo que ela planejou é efetivo. Degustação, distribuição de amostras, pequenos canais de venda, ações de marketing pontuais. Vale tudo para sentir o termômetro do público e ver se o produto ou serviço funcionam", afirmou a consultora de negócios do Sebrae-SP.

Gloria Pires vive a personagem de Lola em Éramos Seis - Divulgação
Gloria Pires vive a personagem de Lola em Éramos Seis
Imagem: Divulgação

Lola, é hora de expandir sua clientela

A maioria dos negócios começa por uma rede de contato mais próximo da empreendedora, segundo Juliana, do Sebrae-SP.

"É preciso sempre adequar o seu produto à tendência do mercado. Para isso, a empreendedora precisa pesquisar o mercado, participar de feiras, estudar tendências, ver o que está em alta e entender o cliente, a fim de aperfeiçoar o seu produto. O seu negócio deve ter sempre um diferencial", afirma.

Outro ponto que deve ser considerado é a expansão das vendas. "Montar uma loja pode não ser a melhor opção no início, pois isso aumenta o custo fixo do negócio. Mas ela pode começar participando de feiras, bazares, redes sociais e fazer parcerias com outras lojas para colocar seus produtos em consignação, por exemplo. Há muitas possibilidades", diz Juliana para a Lola fictícia, que passa o dia fazendo suas peças.

A consultora do Sebrae-SP dá uma dica valiosa às empreendedoras do século 21: em ambientes digitais, é muito importante ter imagens de qualidade dos produtos. "Um foto boa e de qualidade vai valorizar aquilo que você vende. Portanto, não descuide das imagens que você coloca nas redes sociais", diz.

Para Juliana, a rede social é um importante canal, além das vendas, para ter relacionamento com a clientela e conhecer mais profundamente os gostos dos clientes. São oportunidades que Lola, vivendo nos anos 1930, não terá chance de explorar.

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