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Mulheres protagonizam um mundo em evolução


No Dia da Criança, conheça nove garotas que inspiraram o mundo

Anne Frank - Arte: Marina Amaral
Anne Frank Imagem: Arte: Marina Amaral

Heloísa Noronha

Colaboração para Universa

12/10/2019 04h00

Com ideias e trabalhos inspiradores, elas mudaram a percepção das pessoas sobre aquecimento global, superação, racismo, preconceito, casamento forçado, fome e até guerra.

Malala Yousafzai

"Uma criança, um professor, um livro e uma caneta podem mudar o mundo" é uma das frases mais emblemáticas da ativista paquistanesa que em 2014, com 17 anos, se tornou a pessoa mais jovem a conquistar o Prêmio Nobel da Paz. Sua trajetória como porta-voz mundial do direito à educação foi precoce: aos 11 anos, inspirada por seu pai, Malala começou a discursar e a escrever um blog para a BBC relatando as atrocidades impostas pelo movimento fundamentalista islâmico Talibã em seu país, como a proibição de 50 mil garotas do Vale Swat de ir à escola.

Malala tornou-se símbolo da defesa de educação de meninas - Eduardo Anizelli/ Folhapress
Malala tornou-se símbolo da defesa de educação de meninas
Imagem: Eduardo Anizelli/ Folhapress

Foi baleada na cabeça quando seguia para as aulas num ônibus escolar. Com sua história conhecida em todo mundo, lançou em 2013 livro "Eu sou Malala - A História da Garota que Defendeu o Direito à Educação e Foi Baleada pelo Talibã" (Companhia das Letras). Recentemente, com 20 anos de idade, anunciou no Twitter sua aprovação na Universidade de Oxford, na Inglaterra, onde cursará filosofia, política e economia.

Isadora Faber

Em 2012, com 13 anos de idade, Isadora decidiu criar uma página no Facebook chamada Diário de Classe para denunciar os problemas de ensino e infraestrutura na escola pública onde estudava, em Florianópolis (SC). A iniciativa não só mobilizou milhares de seguidores como teve repercussão nacional e internacional. A garota conseguiu as mudanças reivindicadas, mas enfrentou críticas, agressões e processos. Seu trabalho serviu de modelo para mais de cem Diários de Classe pelo país, além de render prêmios, convites para palestras e a criação de uma ONG com seu nome em prol de ações na área educacional. Seu relato está no livro "Diário de Classe - A Verdade (A História da Menina que Está Ajudando a Mudar a Educação no Brasil)" (Ed.Gutemberg).

Greta Thunberg

A sueca de 16 anos acaba de receber o Right Livelihood Award, a premiação máxima da Anistia Internacional, apontada como um Prêmio Nobel da Paz alternativo. Em setembro, seu discurso na Cúpula do Clima das Nações Unidas, em Nova York (EUA), viralizou em todo o mundo. "Vocês roubaram os meus sonhos e a minha infância com suas palavras vazias e, mesmo assim, eu estou entre os mais privilegiados. Há pessoas sofrendo, há pessoas morrendo, ecossistemas inteiros estão à beira do colapso. Estamos no início de uma extinção em massa e tudo o que vocês falam é sobre dinheiro e os contos de fadas do eterno crescimento econômico. Como se atrevem?", disse, no trecho mais emblemático.

Em 2018, a menina deu início ao seu protesto passando a se sentar sozinha em frente ao Parlamento da Suécia, em Estocolmo, todas as quartas-feiras, portando um cartaz com os dizeres "greve escolar pelo clima". Em pouco mais de um ano, sua atitude acabou estimulando milhões de jovens em todo o mundo a participar de protestos com o objetivo de conscientizar a sociedade sobre os efeitos das mudanças climáticas. Diagnosticada com Síndrome de Asperger, TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade), TOC (Transtorno Obsessivo-compulsivo) e mutismo seletivo, Greta reconhece algumas dificuldades, mas costuma afirmar que "ser diferente é um superpoder".

Katie Stagliano

Em 2008, a americana Katie Stagliano, então com 9 anos, levou para casa sementes de repolho que ganhou na escola. Ela as plantou no quintal e cuidou da planta até que crescesse e alcançasse 18 quilos. Katie doou o repolho gigante para uma instituição de caridade que preparava refeições para pessoas carentes e conseguiu alimentar mais de 270 pessoas com o vegetal. Impressionada e empolgada, a menina decidiu criar hortas cujos produtos frescos seriam doados para aqueles com necessidades. Hoje, aos 20 anos, ela cuida da ONG Katie's Krops, que coordena mais de cem hortas mantidas por crianças e jovens em diversas partes dos Estados Unidos. Em 2018 a iniciativa, premiadíssima, doou mais de 10.000 kg de produtos frescos para programas de combate à fome, centros de câncer e famílias carentes.

Charlotte Benjamin

Com apenas 7 anos de idade, em 2014 a inglesinha Charlotte Benjamin escreveu uma carta de próprio punho que teve o efeito de uma verdadeira aula sobre como os estereótipos de gênero aprisionam a liberdade e a criatividade femininas desde cedo. A mensagem, enviada para a Lego, expressava a insatisfação com o fato de a marca de brinquedos produzir mais Legos direcionados para meninos do que para meninas. E mais: segundo Charlotte, as bonecas "meninas" só ficam sentadas em casa, vão às compras ou à praia e não trabalham. Já as versões dos meninos vivem aventuras, trabalho, salvam pessoas e ainda nadam com tubarões. Ao final, um pedido: "Quero que você faça mais meninas e as deixe participar de aventuras e se divertir, ok?". A mãe da garotinha enviou uma cópia da carta para o site Sociological Images, que publicou no Twitter. A porta-voz da empresa respondeu o texto afirmando que "Lego é para crianças de ambos os sexos e de todas as idades". Ao se tornar viral, a carta de Charlotte levantou uma série de discussões sobre como os brinquedos — e os papéis que os adultos atribuem a eles - podem contribuir para a igualdade de gênero.

MC Soffia

Rapper, cantora e compositora, aborda em seu trabalho temas como preconceito, racismo, machismo e empoderamento feminino. Nascida em uma família de militantes do movimento negro, desenvolveu precocemente seus talentos: ao seis anos, mesma idade em que começou a participar de uma série de oficinais do mundo Hip Hop, decidiu que queria cantar. Em 2016, com 12 anos, se apresentou a lado da cantora Karol Conka na cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos do Rio. Hoje, aos 15, está retomando o projeto Pretinha Rainha, que consiste em rodas de conversa com meninas entre 10 e 18 anos para falar de racismo e feminismo. Aluna do 9º ano, quer fazer intercâmbio na África do Sul e cursar faculdade de Música ou Artes Cênicas.

Sonita Alizadeh

"Precisamos de dinheiro para comprar uma noiva para o seu irmão mais velho. Não tem outra saída. Precisamos vender você". Essa foi a justificativa da mãe de Sonita que, com apenas dez anos idade, avisou os pais que não queria se casar. Uma guerra eclodiu no Afeganistão, onde a família vivia, e os planos de casamento foram cancelados. Sonita e o irmão foram mandados para um acampamento de refugiados no Irã, onde ela passou a estudar numa escola próxima e a escrever suas canções. Aos 16 anos, a mãe surgiu com uma nova oferta de casamento. Mais uma vez, disse não: queria ser rapper. Ela compôs e gravou a música "Noivas à venda", que viralizou, a tornou famosa e gerou forte crítica social. A ONG Strongheart conseguiu fazer com que Sonita se mudasse para os Estados Unidos, onde vive e estuda atualmente, aos 23 anos.

Beatrice Vio

Em "La Vita è una Figata!" ("A Vida é um Barato!"), Bebe Vio, como Beatrice é conhecida, entrevista pessoas comuns e celebridades para falar de superação. O nome do programa, atração da emissora de TV italiana RAI, veio de uma frase motivacional que o pai lhe disse quando Bebe enfrentava um dos piores momentos de sua vida. Com apenas 11 anos de idade, ela contraiu meningite C e teve de amputar suas pernas e seus antebraços. Sofreu de depressão e chegou a cogitar o suicídio, mas o incentivo dos pais a levou a retomar uma antiga paixão — a esgrima. Em poucos anos, com a ajuda de dois dos professores mais renomados da Itália, passou a competir. Entre os seus feitos, venceu a Copa do Mundo no Canadá e a medalha de ouro dos Jogos Paralímpicos no Rio de Janeiro. Aos 22 anos, Bebe segue incentivando os jovens com deficiência a praticarem esportes e não tem vergonha de mostrar ao mundo as inúmeras cicatrizes que tem pelo corpo, como fez em 2016 ao estrelar a campanha internacional para a vacinação contra a meningite C, por meio das lentes da fotógrafa Anne Geddes.

Anne Frank

Sua data de morte é imprecisa: pode ter sido no fim de fevereiro ou no início de março de 1945. Porém, mesmo após mais de 70 anos após sua partida, a alemã de origem judaica Anne Frank continua ostentando o título de uma das garotas mais influentes do mundo. Seu diário, um relato sofrido e cruel do sofrimento dos judeus durante a Segunda Guerra Mundial, foi escrito durante os dois anos em que permaneceu escondida no chamado "Anexo Secreto", no escritório onde seu pai trabalhava, em Amsterdã (Holanda). E segue sendo um dos livros mais importantes da história. O prédio, hoje um museu, recebe milhões de visitantes por ano. Em seu diário de adolescência, Anne falava da relação difícil com a mãe, a competição com a irmã, a descoberta do amor e a fome e a tristeza que rondavam o dia a dia dos foragidos. O talento na escrita chegou a levantar suspeitas — infundadas — de que uma garota de 13 anos não teria preenchido tantas páginas com frases perfeitas e análises profundas. Mais do que um documento da pior guerra da humanidade, trata-se de um incentivo ao prazer da escrita e da leitura recomendado em escolas de todo o mundo. O fascínio por sua história nunca acaba: no mês passado foi lançado no Brasil "Tudo sobre Anne" (Companhia das Letrinhas), com respostas de perguntas das crianças que visitam a Casa Anne Frank.

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